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27 de Junho de 2012 - 07:00

Senador à beira da cassação quer voto fechado para encontrar alguma chance de sobrevivência

Por Tribuna

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A defesa do senador Demóstenes Torres disse, logo após o Conselho de Ética do Senado ter recomendado sua cassação, que o parlamentar gostaria de ser julgado pelos seus colegas sob a égide do voto secreto, pois, dessa forma, teria meios de escapar da perda do mandato, já que o sigilo impede a pressão das ruas, muito comum em eventos de tal magnitude. Ao olhar dos defensores, o argumento faz sentido, pois muitos políticos agem ao sabor da opinião pública, não se detendo aos autos de qualquer investigação. Por outro lado, é certo que, no silêncio da urna, é possível explicitar o corporativismo, tão comum em qualquer instituição.

O voto secreto foi instituído para evitar pressões, pois mesmo com a prerrogativa de voz e voto, muitos parlamentares passaram pela guilhotina da cassação nos anos de chumbo exatamente por dizer o que pensavam. Tempos depois, o sigilo serviu para facilitar a liberdade de políticos que se sentiam constrangidos em votar sob o olhar das ruas e de outros que tentavam evitar pressões.

É necessário ressaltar, no entanto, que, ao entrar na vida pública, o político deve levar consigo a transparência, daí a necessidade de se adotar o voto aberto. Em não havendo mais o risco de cassação e de o direito de voz e voto continuar assegurado, não faz sentido esconder o voto. Diversas instâncias políticas já aboliram a prática, como a Câmara Municipal de Juiz de Fora, que acolheu projeto do então vereador Romilton Faria (DEM), e não houve problemas. Até mesmo em eleições emblemáticas, como a da Mesa Diretora, o eleitor tem o direito de saber a posição de seu representante.

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