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21 de Março de 2014 - 06:00

Ocupação de áreas conturbadas é uma estratégia positiva, mas que não pode ter data para acabar

Por Tribuna

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O crescimento populacional da Zona Norte, que levou à implantação das vilas Esperança I e II, não previa - como ninguém tinha essa expectativa - que dois locais com nomes tão sugestivos se transformassem em áreas de confronto, nas quais os jovens, principalmente, são autores e vítimas de crimes tentados ou consumados contra a vida. Na edição de ontem, a Tribuna colheu depoimentos dramáticos, desde o de uma garotinha de 6 anos, que não esconde o medo de morrer, ao de uma auxiliar de cozinha, que atenta para a perda de uma geração: "eles não chegam nem aos 20", referindo-se aos jovens mortos em "combate", como confirma o próprio noticiário policial.

O lado perverso desse enredo é a razão dos confrontos, que não se justifica apenas no controle de território pelo tráfico. Pelos relatos e pelos boletins de ocorrência, constata-se que os enfrentamentos também são motivados por um falso pertencimento, no qual as duas comunidades caminham para a dispersão em vez de se aproximarem em torno de interesses comuns. Quem é da Vila Esperança I não pode ter ligações com moradores da Vila Esperança II, e vice-versa. Como a gênesis desse processo é bem mais profunda, é preciso, como admite a própria Prefeitura, aguçar ainda mais os programas sociais sem, no entanto, abrir mão da presença do Estado para garantir a segurança coletiva.

Desde o início da semana, as polícias Civil e Militar estão operando ostensivamente em zonas quentes para combater, sobretudo, os homicídios. Trata-se de uma ação bem-vinda, mas sujeita à perenidade. E é aí que reside a questão: até quando esse trabalho será efetuado e o que será colocado em seu lugar? Pelo volume de ocorrências, deve ser uma ação de longo prazo, já que a situação saiu de controle. O número de vítimas está em curva ascendente, exigindo celeridade da Secretaria de Defesa Social na implantação de programas como o "Olho vivo" e o "Fica vivo", a fim de dar uma resposta à comunidade, que clama pela paz.

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