INGREDIENTES ELEITORAIS
A campanha eleitoral em Juiz de Fora terá ingredientes especiais, se comparada até mesmo com cidades de seu porte. Não terá como fugir da nacionalização, por se tratar de uma das mais expressivas regiões comandadas pelo PSDB e por ter ainda em conta a reeleição do prefeito Custódio Mattos. Na avaliação do cientista político Paulo Roberto Figueira, esses dois componentes vão ocupar os palanques eleitorais. "Como qualquer campanha, numerosas variáveis têm alguma relevância. As eleições deste ano em Juiz de Fora e em outras cidades importantes de Minas - como evidencia o que aconteceu em Belo Horizonte - passaram a ter um peso nacional maior, em função da montagem do tabuleiro para 2014. Como Aécio é o virtual candidato presidencial da oposição, derrotar o aecismo em Minas passou a ter uma dimensão estratégica mais relevante para o campo governista - e Juiz de Fora é a maior cidade do estado sob um governo conduzido diretamente pelo PSDB. Nesse sentido, a campanha deste ano está certamente mais nacionalizada, inclusive do ponto de vista da importância que as direções estaduais e nacionais de PT e PSDB dão à disputa, do que a anterior."
Foco local
A despeito da nacionalização, a campanha terá outros dois ingredientes: as inevitáveis questões locais e o mensalão, que deve ser julgado no auge da campanha. Segundo Paulo Roberto, "num contexto assim, crises nacionais podem ter alguma repercussão na campanha, mas não se pode perder de vista que, numa disputa municipal, por mais que questões nacionais possam contar, contam ainda as locais, sobretudo num processo eleitoral em que o prefeito é candidato à reeleição. A disputa inevitavelmente é conduzida por um julgamento municipal".
Plebiscito
O professor e cientista político é claro ao enfatizar que, nos pleitos municipais, sobretudo em épocas de reeleição, a disputa soa como um julgamento do Governo municipal. "Campanhas de reeleição têm fortes características plebiscitárias de aprovação ou reprovação do Governo. Nesse caso, com o molho extra de que a disputa também envolve ecos das futuras disputas estadual e nacional." Possíveis candidatos em 2014, a presidente Dilma e o senador Aécio Neves apostam suas fichas em Minas, já que ambos são mineiros e não podem perder em seus estados.
Estrutura
O PMDB vai montar uma estrutura especial para atender aos seus 2.292 candidatos a prefeito em todo o país. A direção procura um local em Brasília para que o vice-presidente da República, Michel Temer, possa gravar depoimento defendendo os candidatos. Em alguns casos, Temer, em vez da gravação, irá pessoalmente aos eventos para defender a representação peemedebista. O presidente do diretório nacional, senador Valdir Raupp, deverá viajar mais, mas ainda não definiu sua agenda, que deverá ser puxada diante de tantos candidatos. Ele pode vir a Juiz de Fora.
No palanque
A cidade, aliás, deverá ser rota de lideranças nacionais, tal a sua importância no mapa político do estado e por registrar um dos confrontos diretos entre o PT e o PSDB, além da participação do PMDB na disputa. Se não vier, a presidente Dilma deverá gravar depoimento defendendo a candidatura de Margarida Salomão. Em Belo Horizonte, discute-se a vinda do senador Aécio Neves e do governador Antonio Anastasia a Juiz de Fora. Se não der para os dois ao mesmo tempo, pelo menos um deles visitará o palanque de Custódio Mattos.



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