PARADOXO POLÍTICO
Uma das maiores legendas do país, e com um histórico de lutas que começou ainda na ditadura com o antigo MDB, o PMDB é um paradoxo político. Apesar de toda a sua força, abdicou da disputa para o principal cargo político do país, optando pelo pragmatismo. Não tem a presidência, mas ocupa cargos estratégicos no poder, como é possível ver no atual cenário. Tem a vice-presidência da República, com o ex-deputado Michel Temer, elegeu o senador Renan Calheiros para a presidência do Senado e deve fechar o ciclo com o deputado Henrique Eduardo Alves ganhando a presidência da Câmara Federal, nesta segunda-feira. Em recente artigo, o cientista político Paulo Roberto Figueira, da UFJF, comparou a histórica legenda ao conto escrito por F. Scott Fitzgerald, nos anos 20 do século passado, e adaptado ao cinema no premiado "O curioso caso de Benjamin Button", no qual o personagem central, interpretado por Brad Pitt, vive uma rota inversa ao normal ciclo da vida: nasce velho e experiente até retornar ao útero materno. O PMDB chegou ao Planalto antes de conquistar a maioria das prefeituras hoje sob seu controle. "Já veio ao mundo poderoso: nascido do velho MDB, das lutas contra a ditadura, foi fundado em 1980 já dispondo de larga estruturação nos municípios e estados, com grande base parlamentar. E as circunstâncias políticas do ocaso do regime militar levaram o partido à Presidência da República quando tinha pouco mais de cinco anos de vida."
Primeiro gesto
De acordo com o professor Paulo Roberto, a eleição de Tancredo, em 1985, fez o partido viver o seu primeiro paradoxo: "como a doença impediu a posse do presidente eleito, a única vez em que um quadro do PMDB ocupou a presidência foi pelas mãos de um peemedebista novo. José Sarney fez todo o seu percurso político na velha UDN, depois na Arena e no PDS, filiando-se ao PMDB apenas porque a Frente Liberal ainda não existia formalmente como partido". Em 1989, o partido foi derrotado, com Ulysses Guimarães, e voltaria a perder com Orestes Quércia, em 1994.
Pragmatismo
Paulo Roberto lembra que, a partir daí, o partido adotou o pragmatismo de, mesmo não tendo a presidência, nunca sair das proximidades do poder. Todos os presidentes, de Fernando Collor a Lula, foram eleitos sem contar com o PMDB em suas campanhas, mas, logo após assumirem a presidência, chamaram o partido para o Governo. "O PMDB tem sido, desde meados de 1990, tão grande e tão importante que nenhum presidente pode abdicar de contar com o apoio do partido para governar, mesmo sabendo que é difícil governar com ele. Afinal, sem ele seria impossível."
Audiência
Embora esteja em recesso até a segunda quinzena, a Câmara faz uma reunião ordinária na terça-feira para ajustar a pauta do mês, mas também abrirá espaço para a primeira audiência pública do mês. Por requerimento do líder do PSDB, Rodrigo Mattos, o secretário da Fazenda, Fúlvio Albertoni, foi convocado para falar das metas econômicas para o período de 2013. Os vereadores, ainda este mês, pretendem ouvir outros secretários, sobretudo os que atuam em áreas envolvidas em políticas de desenvolvimento e turismo.
Pela rede
O secretário municipal de Saúde, José Laerte, está recorrendo até às redes sociais na campanha contra a dengue. Pelo seu próprio facebook, está pedindo a amigos e conhecidos para reproduzirem a campanha da Prefeitura, na qual um cartaz adverte sobre os riscos da contaminação. "O combate à dengue é uma responsabilidade de todos. O mosquito Aedes aegypti se reproduz em qualquer lugar em que houver condições propícias." Pelos comentários, ganhará multiplicadores da sua proposta.



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