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20 de abril de 2017 - 13:58

Polícia Civil apresenta parte de bando da Olavo Costa envolvido em homicídios

Por Sandra Zanella
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Último crime que teria sido praticado pelo grupo foi a execução de mulher morta dentro de EcoSport, entre os bairros Bom Jardim e Recanto das Pedras (Foto: Olavo Prazeres)

Três jovens, com idades entre 21 e 22 anos, suspeitos de integrar um bando da Vila Olavo Costa, Zona Sudeste, envolvido em uma série de homicídios e tentativas de assassinato, foram apresentados pela Polícia Civil nesta quinta-feira (20). O último crime que teria sido praticado pelo grupo foi a execução de Leonilia dos Santos Borba, 39, morta com cerca de 20 tiros disparados contra o seu Ford EcoSport, no dia 8, entre os bairros Bom Jardim e Recanto das Pedras, Zona Leste. Embora a autoria não esteja definida, investigações da Delegacia Especializada de Homicídios atribuem o assassinato ao bando. O crime seria retaliação à morte de Raniara Freitas Fernandes, 22, encontrada com duas perfurações à bala na cabeça, no dia 7 de março, no município de Matias Barbosa.

Segundo o delegado Rodrigo Rolli, a jovem,moradora da Olavo Costa, supostamente teria furtado objetos da casa de Leonilia, no mesmo bairro, após a residência ter sido incendiada, em setembro do ano passado, e acabou sendo morta. O fogo teria sido ateado no imóvel propositalmente por integrantes da organização criminosa, que conseguiram expulsar a família da mulher do bairro devido à disputa pelo tráfico de drogas na região. Antes do incêndio, um vídeo circulou nas redes sociais mostrando cerca de cinco membros do bando, todos portando pistolas 9mm, ameaçando os moradores. Parte das armas de uso restrito das Forças Armadas já foi apreendida pela PM. Rolli disse estar investigando quem estaria por trás dos jovens, financiando os armamentos e planejando as ações, supostamente para dominar o tráfico na área.

Dois dos rapazes apresentados, de 21 anos, haviam sido capturados no dia 4 de abril pela Polícia Militar, mediante mandados de prisão preventiva solicitados à Justiça pela especializada. O inquérito que resultou nos pedidos de captura é referente ao homicídio de Thalys Ferreira Damião, 25, assassinado a tiros no dia 14 de abril de 2016 na Olavo Costa. Ele chegou a ser socorrido pelo próprio pai até o HPS, mas não resistiu aos disparos no queixo e tórax.

Os dois jovens presos ainda são investigados pelo duplo homicídio de Ademilson Ferreira da Silva, 21, e Rodrigo Luciano Amaro Costa, 20, em 11 de setembro do ano passado, também na Olavo Costa. Eles foram executados a tiros e encontrados em um terreno com as mãos amarradas, unidos um ao outro. Ademilson sofreu 17 perfurações no tronco e na cabeça, enquanto Rodrigo apresentava quatro ferimentos à bala. De acordo com o delegado, os suspeitos também teriam atuado em uma dupla tentativa de assassinato contra dois homens, de 24 e 29 anos, ocorrida em 6 de fevereiro de 2015 no mesmo bairro.

Briga familiar

Já o rapaz de 22 anos apresentado pela Polícia Civil nesta quinta foi capturado pela equipe da Delegacia Especializada de Homicídios na quarta-feira, mediante mandado de prisão temporária relacionado à morte de Eric Lucas de Freitas Sabino, 15, morto com tiros no dia 19 de novembro do ano passado na Olavo Costa. Conforme Rolli, apesar de os envolvidos terem relação com o tráfico, a motivação do crime foi passional, devido a um desentendimento familiar. O suspeito seria tio da namorada da vítima.

“As investigações demonstraram que esses três jovens, todos da Olavo Costa, fazem parte de um grupo envolvido em vários homicídios consumados e tentados, desde 2015. O último ocorreu no dia 8. Todos os casos têm como pano de fundo o tráfico de drogas, a disputa pela parte intermediária e superior da Olavo Costa”, resumiu Rolli. “A investigação continua. Estamos procurando os mandantes e responsáveis pela compra dessas armas na região.” O delegado falou da dificuldade em apurar os crimes. “As próprias vítimas de homicídios tentados temem dizer quem são os autores. Não queremos que haja represálias, por isso objetivamos as prisões. Infelizmente ainda há essa cultura de fazer justiça com as próprias mãos. Nós tentamos frear isso, apurando as autorias. Mas precisamos que as vítimas compareceram à delegacia, e que o Judiciário nos conceda os mandados de prisão para podermos quebrar esse ciclo de violência em Juiz de Fora.”

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