Polícia procura por organizador de bloco irregular
Uma força-tarefa pretende coibir a realização de blocos carnavalescos irregulares no Bairro São Mateus, Zona Sul. O estopim para esta medida foi um evento não autorizado pelo Poder Público, e organizado via Facebook, que reuniu milhares de pessoas nas ruas São Mateus, Carlos Chagas e Oswaldo Aranha na última sexta-feira. Sem qualquer estrutura adequada, que envolve segurança compatível com o público presente, banheiros químicos e esquema de limpeza, a aglomeração de pessoas, até as 4h de sábado, se tornou caótica, tanto para moradores e comerciantes do entorno, como para condutores que necessitavam passar pela região. Agora a Settra, a Secretaria de Atividades Urbanas (SAU), o Ministério Público, o Conselho Comunitário de Segurança Pública da Região Centro Sul (Consep Centro Sul) e o Comissariado de Menores vão se reunir com intuito de chegar a uma solução para o problema. O encontro está marcado para hoje.
O setor de inteligência da PM já atua no intuito de chegar aos responsáveis por promover os eventos. Eles podem ser acionados na Justiça e responder por diversos crimes, como promover a desordem pública e associação ao tráfico de drogas. Há relatos, inclusive, de menores de idade ingerindo bebida alcoólica. Até as 16h de ontem, havia um evento no Facebook convocando pessoas para nova reunião, nesta sexta-feira. No início da noite, o perfil falso responsável pela postagem foi excluído, assim como a divulgação do próprio evento.
O evento “Bloco do São Bartô” usa como referência o bar São Bartolomeu, da Rua São Mateus. No entanto, o estabelecimento não tem qualquer ligação com os responsáveis e, inclusive, fechou o estabelecimento na sexta-feira mais cedo para evitar outros transtornos. “Encerramos a atividade as 17h no dia de maior movimento, que é a primeira sexta-feira do mês. No sábado também fechamos antes do previsto. Foram medidas drásticas, indo além do pedido pela própria SAU. O ruim nisso tudo é que boa parte da opinião pública está nos vendo como problema. É péssimo para o nosso faturamento estar fechado, mas é pior para a nossa imagem. Esta situação só mostra que a cidade não tem espaço para a juventude se reunir. Falta estrutura e querem colocar toda a culpa nos bares”, lamentou o sócio-proprietário do São Bartolomeu, Breno Torres.
Ainda segundo ele, era “absurda” a quantidade de ambulantes na rua comercializando bebida alcoólica, o que inviabilizou qualquer possibilidade de reduzir a aglomeração. Além disso, outros bares no entorno permaneceram abertos. “Estamos incomodando a vizinhança, formada por pessoas que pagam IPTU caro e não podem sequer chegar em casa. O pior é que quem frequenta este bloco não é o nosso público.”
SAU
Em nota, a SAU reforçou que tem agido, desde dezembro, contra a perturbação da ordem pública e o som automotivo irregular no Bairro São Mateus. Sobre o bloco de sexta-feira, informou que, na semana passada, teve reunião com os responsáveis pelo estabelecimento e, na ocasião, ficou esclarecido que o bloco não era patrocinado pelo bar. “Também foi acertada medidas de segurança, visando preservar a comunidade do entorno, como o fechamento antecipado dos estabelecimentos na sexta-feira.” Informou ainda que fez fiscalizações no local durante o encontro de sexta-feira e autuou ambulantes irregulares. Como eles deixaram o local, não houve apreensão dos produtos comercializados. Além disso, oito veículos foram autuados por som automotivo irregular. Cada condutor receberá multa de R$ 731, como estabelece o Código de Posturas.

Reunião pretende resolver problema
Uma reunião solicitada pela Secretaria de Atividades Urbanas (SAU), envolvendo vários órgãos, está marcada para a noite de hoje no Bairro São Mateus. De acordo o tenente Gilmar da Silva, comandante do setor 1 da 32ª Companhia da PM, responsável pelo bairro, o encontro terá como objetivo chegar a um consenso sobre como agir diante do problema. “Vamos envolver diversos setores, e o assunto principal deste encontro será sobre os eventos irregulares que têm ocorrido, como o da última sexta.”
Segundo o tenente, o fato de o evento ser divulgado no Facebook, por meio de perfis falsos, não vai impedir que a polícia chegue aos responsáveis. “Quem organiza será acionado na Justiça. Já estamos registrando boletins de ocorrência e fazendo o levantamento de quem são estas pessoas que estão incitando a desordem pública. Elas também poderão ser denunciadas por associação ao tráfico e responsabilizadas pela aquisição e consumo de bebidas alcoólicas por menores de idade.” Segundo o tenente, por não ser um evento programado, não foi possível preparar efetivo suficiente para coibir os crimes. No entorno, há registros de roubos, furtos e várias brigas.
O presidente do Conselho Comunitário de Segurança Pública da Região Centro-Sul (Consep Centro-Sul), Carlos Alberto de Paula, não descarta a possibilidade de acionar o Ministério Público para elaborar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com os donos de bares. O presidente reforça que, além da perturbação de sossego, existe a preocupação com a presença de adolescentes consumindo bebida alcoólica e drogas, situação vivida há mais de um ano. “É uma verdadeira algazarra. Está faltando conscientização, e a população do São Mateus tem vivenciado uma série de situações desfavoráveis”, pontua, afirmando que o intuito não é atrapalhar o lucro dos comerciantes, desde que a contrapartida seja respeitada. Segundo ele, inúmeras reuniões foram feitas na busca por soluções, no entanto, alguns dos envolvidos respeitam parcialmente o combinado, tornando o problema cada vez maior.
Ministério Público
O promotor Alex Santiago, do Ministério Público do Meio Ambiente, disse que foi comunicado da reunião ontem e, por questão de agenda, não será possível participar do encontro. Mesmo assim, ele informou que está ciente e atento aos transtornos envolvendo a perturbação do sossego no bairro. “A primeira medida já está sendo adotada, que é ação da Polícia Militar e da SAU, que atua no âmbito administrativo. No segundo momento, o Ministério Público reunirá estas provas para prosseguir com os processos. É preciso debater o problema para encontrar uma forma de coibir estes atos.”
Funalfa autorizou 94% dos blocos
Dos 69 blocos que solicitaram autorização para desfilar este ano em Juiz de Fora, 65 tiveram os pedidos deferidos pelo Poder Público. O “Bloco do São Bartô” sequer entrou com pedido de licença. De acordo com o superintendente da Funalfa, Rômulo Veiga, no início do ano, foi lançado edital para os interessados, e as propostas foram analisadas por uma comissão foi formada por representantes da Funalfa, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Atividades Urbanas (SAU), Secretaria de Governo, Settra, Polícia Militar e Demlurb. “A deliberação foi conjunta, por meio de reuniões semanais. Para aprovar ou não o bloco, eram levados em consideração questões como segurança dos foliões e impactos com o trânsito.”
Ainda segundo Rômulo, também é necessária a autorização da Associação de Moradores do Bairro. “Quando não era possível liberar o bloco em determinada rua, o organizador era chamado para um acordo, como por exemplo a modificação do local do desfile. A comissão trabalha, todo ano, para conciliar as demandas dos foliões com as da cidade, que não deixam de existir por causa do carnaval.” Ao órgão público cabe, também, disponibilizar banheiros químicos, estrutura de som, gradis e até camisas, quando solicitadas. “Com os blocos organizados, o Demlurb também monta um cronograma especial de limpeza. No São Mateus, como não havia previsão do evento de forma legal, o departamento não esteve ao local após o término, o que gerou uma série de transtornos.”
Sujeira
A sujeira foi o prejuízo do comerciante Paulo de Tarso, um dos proprietários da Relicário Brigaderia. “Sábado a porta estava cheia de urina. Todos sabem que os donos do bar não têm culpa do ocorrido e, na realidade, o que falta é policiamento. Estes transtornos se tornaram rotina, principalmente a partir de quinta-feira. No dia do bloco, fechei a loja 22h30 e levei mais de 30 minutos para passar com meu carro da esquina da Rua Oswaldo Aranha com a rotatória da Rua Doutor Romualdo. Normalmente eu não levo nem um minuto para vencer este trecho. Soube de casos, inclusive, de condutores que tiveram os veículos chutados e atingidos por socos.”









