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08 de Dezembro de 2013 - 07:00

Há poucas candidaturas definidas em Juiz de Fora para a disputa das vagas nos parlamentos estadual e federal no próximo ano

Por RENATO SALLES

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O ano de 2013 vai deixar marcas no cenário político brasileiro. Entre maio e julho, um levante popular levou milhões de pessoas às ruas em várias cidades do país, em uma crítica generalizada às práticas públicas e aos poderes executivos e legislativos nas três esferas. Meses depois, no Dia da Proclamação da República - 15 de novembro -, o Supremo Tribunal Federal (STF) decretou a prisão de 12 envolvidos do Mensalão. Entre eles, figuras como os do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino. Os efeitos eleitorais dessas duas situações ainda são imprevisíveis. Neste cenário de incerteza, os partidos políticos tentam se organizar para as eleições do ano que vem, que irão eleger novos governadores, senadores, deputados federais e estaduais e o presidente da República. As indefinições ainda são muitas e só devem ser sanadas até 5 de julho do ano que vem, prazo limite para o registro de candidaturas.

A imprevisibilidade não diz respeito apenas ao que esperar das urnas. A sucessão ao Palácio do Planalto e ao Governo de Minas não tem configuração bem delineada. Na disputa pela presidência, três nomes falam abertamente como pré-candidatos. Dilma Rousseff é considerada figura certa no páreo e corre pela reeleição. No bloco de oposição, o senador Aécio Neves (PSDB) e o governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) ainda trabalham para consolidar suas candidaturas. Presidente nacional de seu partido, Aécio precisa exorcizar o fantasma de José Serra, que não refuta o anseio em ser o presidenciável tucano. Da mesma forma, Campos tem que superar o caráter regional de sua atuação, abrir palanque em estados considerados chave, e construir um arranjo com Marina Silva, recém-ingressa ao PSB. A costura, todavia, não deve ser tão fácil, já que Marina apresenta melhor desempenho nas pesquisas de opinião, e, recorrentemente, é apontada como possível cabeça de chapa.

Basicamente, a situação de incerteza sobre o quadro eleitoral é a mesma em Minas Gerais. Ao contrário da disputa pela presidência, a situação não definiu quem irá disputar a sucessão de Antonio Anastasia (PSDB). O nome de momento entre os tucanos é o do ex-ministro das Comunicações Pimenta da Veiga. O martelo ainda não foi batido e outros quadros tentam se consolidar como opção. Entre eles, o deputado federal juiz-forano Marcus Pestana. No mês passado, o parlamentar recebeu declaração de apoio de 120 prefeitos e 450 lideranças partidárias durante solenidade em Belo Horizonte. A intenção de Pestana depende ainda da consolidação do projeto nacional de Aécio, prioridade do tucanato mineiro. O PSDB também tenta convencer Anastasia a correr por uma vaga no Senado. Para isso, teria que deixar o cargo em abril, abrindo espaço para Alberto Pinto Coelho (PP) assumir o Governo. PSDB e PP podem repetir a dobradinha em 2014. O presidente da Assembleia Legislativa, Dinis Pinheiro, aparece como provável candidato a vice-governador em uma composição entre as duas siglas.

 

 

Oposição larga na frente

Enquanto os governistas ainda patinam para definir um candidato, o PT trabalha internamente para construir unidade em torno do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT). Único nome considerado certo na disputa até aqui, Pimentel larga na frente, aparecendo como favorito em algumas pesquisas de opinião. A formatação da candidatura do ministro ainda depende de arranjos e acordos políticos. Recentemente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu aos diretórios estaduais atenção nas negociações para não prejudicar o objetivo maior do partido, a reeleição de Dilma Rousseff.

Em Minas, o recado pode ser traduzido pela necessidade de buscar consenso com o PMDB. Os bastidores revelam que a intenção é compor chapa entre Pimentel e o empresário Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente da República José Alencar. Em 2010, as duas legendas correram juntas e lançaram Hélio Costa (PMDB) e Patrus Ananias (PT), candidato a vice. A dobradinha naufragou com a vitória de Anastasia no primeiro turno.

A ambição petista esbarra nos objetivos de lideranças peemedebistas que defendem candidatura própria. Entre eles, o prefeito de Juiz de Fora Bruno Siqueira (PMDB). Neste sentido, o nome do senador Clésio Andrade pode ser a aposta da legenda. Há pouca mais de dois meses, Clésio visitou o diretório juiz-forano do PMDB e falou como pré-candidato ao Governo. Na ocasião, recebeu apoio das lideranças juiz-foranas.

 

Terceira via

Assim, como no cenário nacional, o PSB também pretende dividir o protagonismo na sucessão ao Governo de Minas com petistas e tucanos. O verbo protagonizar tem sido um dos preferidos do presidente estadual da legenda, o deputado juiz-forano Júlio Delgado. Um dos objetivos é abrir palanque no estado para a candidatura nacional de Eduardo Campos. Os socialistas, entretanto, ainda não possuem um nome definido e, no momento, três quadros são apontados como possíveis candidatos: o prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda, o presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil e o próprio Julio Delgado. Há também a hipótese de o partido costurar alianças, abrindo mão da cabeça de chapa.

 

Para ampliar a representatividade parlamentar

Apesar de ter dois nomes envolvidos com as articulações para a sucessão ao Governo de Minas, com os deputados federais Julio Delgado (PSB) e Marcus Pestana (PSDB) se colocando à disposição de seus partidos, os bastidores políticos em Juiz de Fora estão voltados para a disputa por cadeiras na Câmara dos Deputados. A deputada federal Margarida Salomão (PT) já definiu que irá tentar a reeleição. Ela quer repetir o bom desempenho na cidade, onde computou quase 67 mil votos. A petista aposta ainda na sua atuação parlamentar, que tem mostrado preocupação na intermediação entre as prefeituras da região para a obtenção de recursos oriundos de programas federais. O objetivo é conquistar sua primeira eleição, já que entrou como suplente no início deste ano.

Outro nome considerado certo nos bastidores é o do ex-vereador Vanderlei Tomaz, que deve sair candidato a deputado federal pelo PSC. O ex-jogador da seleção brasileira de vôlei Giovane Gávio ingressou recentemente ao PSDB e pode ser a aposta tucana na região. A lista de possíveis candidatos juiz-foranos à Câmara pode ser maior, pois, dependendo dos rumos das articulações estaduais de suas legendas, Pestana e Júlio podem voltar ao páreo pela reeleição. No momento, os dois parecem mais preocupados com a disputa pelo Palácio Tiradentes, já que ocupam a presidência dos diretórios estaduais de seus partidos.

Entre os 20 nomes com domicílio eleitoral na cidade que foram candidatos a deputado federal, Wadson Ribeiro (PCdoB) e Edmar Moreira, que trocou o PR pelo PTB, são cotados para voltar à disputa no ano que vem. Outro possível concorrente é Charles Evangelista (PROS), filho do vereador Chico Evangelista (PROS). Menos provável é a candidatura do ex-prefeito Tarcísio Delgado, que aportou no PSB em outubro, e, até aqui, tem rechaçado a possibilidade de lançar seu nome para qualquer cargo.

 

 

Dez nomes ensaiam disputa para ALMG

A lista dos possíveis postulantes à Assembleia Legislativa é maior. Atualmente, Juiz de Fora possui um único deputado estadual com domicílio eleitoral na cidade, Lafayette Andrada (PSDB), que vai tentar a reeleição. O tucano chegou a manifestar anseio em disputar uma vaga na Câmara, porém, recuou após seu pai, o deputado federal Bonifácio Andrada (PSDB), decidir disputar a reeleição. Dois vereadores juiz-foranos também serão figura certa na disputa: Isauro Calais e Noraldino Júnior (PSC).

Isauro Calais (PMN) tem a simpatia do prefeito Bruno Siqueira (PMDB) e já fala como candidato da Prefeitura ao Legislativo estadual. Resta saber se terá apoio irrestrito do PMDB, pois, dentro do partido, há quem defenda candidatura própria. Já as conversas de Noraldino com seu partido já estão definidas neste sentido. Ele ainda aguarda a Justiça Eleitoral para conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2014, entrando como suplente na cadeira do deputado federal Stéfano Aguiar, que, em outubro, trocou o PSC pelo PSB. Stéfano pode perder o mandato por infidelidade partidária. Entretanto, mesmo que a decisão judicial seja favorável ao juiz-forano, ele não irá abrir mão de correr para a Assembleia. A hipótese de tentar uma possível reeleição ao Congresso é considerada carta fora do baralho.

Os vereadores petistas Wanderson Castelar e Roberto Cupolillo (Betão) também já manifestaram a intenção de ser candidatos em 2014. O possibilidade de os dois colocarem seus nomes para a apreciação dos eleitores existe, embora algumas lideranças do diretório municipal do PT defendam a tese de candidatura única. Castelar apoiou o futuro presidente do PT em Juiz de Fora, o jornalista Giliard Tenório, no segundo turno do processo de eleição direta (PED) da legenda, e, neste caso, poderia aparecer como favorito. Entretanto, a falta de consenso interno com o grupo de Betão pode levar o partido a lançar dois nomes. Provavelmente, a decisão caberá a composição de chapa articulada pelo diretório estadual.

A lista de potenciais candidato a deputado estadual na Câmara tem ainda outros nomes. Vagner de Oliveira (PR), Ana Rossignoli (PDT), Jucelio Maria (PSB) e José Márcio (PV) já foram sondados para compor chapa. Após trocar o PP pelo PROS, Chico Evangelista também é cogitado para compor uma dobradinha com seu filho Charles Evangelista. Recorrentemente apontado como candidatável, Rodrigo Mattos (PSDB) parece fora da disputa neste momento. Seu pai, o ex-prefeito Custódio Mattos (PSDB), é apontado como uma alternativa tucana para a disputa, definição que, como tantas outras, só deve acontecer no primeiro semestre do ano que vem.

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