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24 de Junho de 2014 - 06:00

Novidades e primeiros resultados serão apresentados em solenidade na Câmara, na quinta-feira

Por Tribuna

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A Comissão Municipal da Verdade (CMV-JF), braço local da Comissão Nacional da Verdade que investiga crimes e violações dos direitos humanos cometidos durante o regime militar, fará nesta quinta-feira a primeira divulgação dos resultados dos trabalhos realizados e canais de comunicação criados para o cidadão. A data coincide com o "Dia internacional de apoio às vítimas da tortura", instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU). O evento será aberto ao público e vai acontecer às 9h30, na Câmara Municipal. Na ocasião, também será prestada homenagem às pessoas que lutaram contra a repressão durante a ditadura, por meio de depoimentos do escritor Betinho Duarte - membro da Comissão Estadual da Verdade -, do advogado Windston Jones Paiva, que defendeu mais de cem presos políticos em causas na Justiça, além do ex-sindicalista e ex-deputado estadual juiz-forano Clodesmidt Riani, que foi torturado pelo regime. É a primeira reunião pública da CMV-JF, que foi instituída em abril deste ano, após aguardar dois anos por regulamentação da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF).

Desde o começo dos trabalhos da CMV-JF, segundo seus integrantes, a prioridade foi garantir a estruturação interna do órgão, de modo que os trabalhos de investigação possam intensificados a partir de agora. Entre as pautas discutidas nos últimos quase três meses, estiveram a elaboração de regimento interno, calendário de reuniões, formatação da estrutura de trabalho, criação de redes de contato e estabelecimento de parcerias. O início dos levantamentos sobre casos também começou, embora ainda esteja em estágio inicial. Foram elencados casos prioritários e nomes capazes de contribuir com os trabalhos da comissão, a partir de depoimentos, repasse de documentos ou auxílio à pesquisa. O principal objetivo, conforme nota emitida pela comissão, é coletar memórias dos juiz-foranos e de pessoas que estiveram presas no município.

Desde abril, o grupo já visitou locais importantes para apuração de fatos ainda ocultos sobre o regime militar, como a Delegacia de Polícia Federal (PF) e a Penitenciária José Edson Cavalieri (conhecida como presídio de Linhares), para onde foram levados presos políticos a partir de 1967, entre eles o deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG), o atual candidato ao Governo de Minas pelo PT, Fernando Pimentel, além do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB).

Segundo a presidente da comissão, a advogada Cristina Guerra, a reunião de quinta-feira ainda não tem muitos resultados a apresentar, tendo em vista o pouco tempo de trabalho desde a instituição do órgão. "A lei foi aprovada em 2012, mas só foi regulamentada este ano. Tivemos três meses para trabalhar, e isto tornou difícil a entrega de resultados ainda esta primeira reunião. O que temos é uma organização institucional clara, com nosso regimento pronto, nossas diretrizes estabelecidas e, quinta-feira, vamos tornar públicos os nossos canais de comunicação com a população." A CMV-JF vai divulgar e-mail, telefone, Facebook e outras formas de contato, cujo objetivo é angariar documentos e depoentes para os trabalhos de investigação.

Após a reunião de quinta-feira, a comissão passa a se reunir periodicamente para ouvir os seus primeiros depoimentos e, caso seja da vontade do depoente, pode realizar audiências públicas para divulgá-los. Para agilizar as investigações, a CMV-JF contará com o suporte de um convênio firmado com a UFJF, que fornecerá 20 bolsistas das áreas de história, direito e ciências sociais. Os levantamentos, depois, serão encaminhados para os arquivos históricos do Município e da universidade.

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