Publicidade

08 de Junho de 2014 - 07:00

Por HÉLIO ROCHA

Compartilhar
 
Paulo Villela busca mais debate
Paulo Villela busca mais debate
Marcus David critica falta de planejamento
Marcus David critica falta de planejamento
Júlio Chebli defende crescimento da UFJF
Júlio Chebli defende crescimento da UFJF

Estudantes, técnicos administrativos e professores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) vão às urnas amanhã e terça-feira, nos campi de Juiz de Fora e Governador Valadares, para escolher os novos reitor e vice da instituição. Durante os dois dias, as mais de vinte mil pessoas que formam o corpo de eleitores da universidade escolherão entre as chapas lideradas pelo diretor da Faculdade de Medicina, Júlio Chebli - chapa 10 -, pelo diretor da Faculdade de Administração, Marcus David - chapa 30 -, e pelo professor da Faculdade de Engenharia Paulo Villela - chapa 20. Os três iniciaram campanha no mês passado e, de lá para cá, o embate se deu principalmente nos debates promovidos pela comissão organizadora e pela internet. Em meio a um cenário de divisão e disputas acirradas, o eleitorado da UFJF escolherá seus candidatos com sistema de votação por cédula e uma metodologia própria de apuração, concebida para prover paridade entre o peso dos votos dos três segmentos, cujo número de votantes é desigual. Há possibilidade de segundo turno, caso um candidato não atinja mais da metade dos votos. Conforme as apurações dos últimos processos eleitorais, o resultado deve ser conhecido na madrugada de terça para quarta-feira.

Já no começo do dia, as urnas estarão dispostas nos 37 pontos de votação espalhados pelos dois campi. A votação ocorre nos turnos manhã, tarde e noite, em horários diferenciados em cada setor. Tanto técnicos quanto docentes e alunos votam na urna designada para o ponto de votação mais próximo ao departamento a que estão vinculados, sendo necessário, para participar do processo eleitoral, apresentar documento de identidade. A comissão organizadora das eleições, composta pela Associação de Docentes do Ensino Superior (Apes-JF), pelo Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos (Sintufejuf) e pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), terá identificados todos os eleitores de cada setor da UFJF, de modo que o mesário vai conferir se a documentação é homônima ao nome que consta em lista. Segundo o presidente da comissão, o professor Joaci Melo, tal modelo permite o risco de que um homônimo vote no lugar de alguém. Tal chance é, no entanto, minimizada pela comissão. "É com certeza um risco muito pequeno e não trabalhamos com ele."

 

Metodologia

Após as votações, integrantes da comissão eleitoral contabilizarão os votos em Juiz de Fora e Governador Valadares. Um destacamento da comissão será enviado à cidade no Leste mineiro e a distribuição dos votos de Governador Valadares será informada ao núcleo principal, que fará as contas para declarar o candidato eleito ou os dois que irão à disputa em segundo turno. A metodologia para contabilizar os votos não é tão simples, uma vez que a contagem absoluta beneficiaria o segmento dos alunos, de longe o mais numeroso. São cerca de 1.200 técnicos administrativos, 1.400 professores e mais de 17 mil alunos. Dada esta proporção, a contagem é feita dentro de cada segmento, que representa 33,33% do eleitorado. Sendo assim, o percentual de votos obtidos por cada candidato, junto a cada segmento, é transformado em proporção equivalente. Somando as frações obtidas pelas chapas em cada um dos grupos votantes, é declarado vencedor o candidato que obtiver a maior parte dos 99,99%. Se nenhum atingir mais de 50% dos votos, há segundo turno.

Joaci conta que o processo eleitoral deste ano incorporou ao certame algumas novidades, ao passo que impôs à comissão eleitoral muitos desafios. A principal mudança, em relação a processos eleitorais anteriores, se deu pela incorporação definitiva da internet e das redes sociais como principal meio de divulgação das campanhas, tornando o debate mais democrático e, ao mesmo tempo, as campanhas mais limpas. "Seguimos o esforço dos tribunais eleitorais, de tornar as eleições menos poluídas por brindes, camisetas e papéis. Brindes e camisetas foram proibidos, assim como quaisquer formas de propaganda paga." Por outro lado, o principal percalço na elaboração das eleições, que se repete em toda escolha de reitor para a UFJF, se dá pelo fato de o pleito correr alguns meses antes da eleição nacional. Isto inviabiliza, por exemplo, o uso de urnas eletrônicas. "Elas já estão sendo preparadas pela Justiça Eleitoral", explica Joaci.

 

 

Polarização entre alunos e ânimos acirrados

Durante a campanha, o clima estabelecido entre candidatos e eleitores, nos debates e pelas redes sociais, foi de embate, deflagrado entre as chapas de situação e oposição. Após quatro semanas, o cenário é polarizado. Segundo fontes ligadas aos grupos de Marcus David e Júlio Chebli, não foram poucas as provocações e trocas de farpas entre candidatos e apoiadores. Na internet, a militância dos dois principais candidatos mais espalhou críticas aos adversários que expôs propostas para a universidade. As linhas de argumentação traçadas pelas duas chapas, uma de afirmação dos avanços promovidos na UFJF nos últimos dez anos, outra crítica à suposta falta de planejamento e organização da atual gestão, por vezes deram lugar ao "fogo cruzado" de acusações.

A chapa 10, durante a campanha, ateve-se à comparação dos avanços da gestão Henrique Duque (2006-2014) com o período em que a universidade era administrada pelo grupo da ex-reitora Margarida Salomão (1998-2006), o qual apoia Marcus David. "É uma campanha para consolidar os avanços e fazer os acertos necessários. Ouvimos todos os setores da UFJF e estamos capacitados para isso", disse Júlio Chebli, após debate entre os candidatos a reitor, na última quinta-feira. Nos debates, questionado pelo suposto autoritarismo e por problemas administrativos da gestão Duque, Chebli apresentou dados que evidenciam o crescimento da UFJF, ao passo que na internet seus partidários comparavam imagens antigas e novas de setores ampliados ou reformados pela atual Administração, também mostrando gráficos de evolução e tabelas com números.

 

Oposição

Marcus David, por sua vez, sem o ônus de ser obrigado a se defender de eventuais erros da atual gestão, apresentou durante a campanha diversas críticas à falta de participação dos três segmentos universitários nas decisões da reitoria, além de problemas administrativos e de organização. Segundo David, sobretudo devido à falta de discussão sobre deliberações cruciais, a UFJF passou a conviver com problemas como atraso em conclusão de obras e quebras de contratos com empresas terceirizadas. "Fizemos uma campanha muito difícil, tendo de dissipar boatos e disputar com o jogo econômico da outra chapa. Mas percebo uma vontade geral de mudança", afirmou, também após o debate, Marcus David.

Da mesma forma como são reconhecidos e debatidos os avanços da atual administração, a proposta de reformulação do regimento foi tomada pelas chapas 20 e 30 como um reconhecimento da necessidade por mais democracia. Mais participação na tomada de decisões e mais planejamento para o crescimento da universidade, ao fim de um mês de debate, deram o tom das candidaturas de oposição. "Nossa candidatura foi por mais democracia, mais debate. Por isso propomos a realização de um congresso com todos os setores da universidade na primeira semana de gestão, para discutir como se dará a administração na minha gestão", afirma Paulo Villela, que enfrentou a disputa propondo uma terceira via.

Galeria de Imagens

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você é a favor de fechamento de pista em trecho da Avenida Rio Branco para ciclovia nos fins de semana?