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01 de Fevereiro de 2014 - 07:00

Com três candidatos na disputa, entidade cutista, com 2.500 filiados, é cortejada por correntes internas do partido

Por Hélio Rocha

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Os quase 2.500 trabalhadores que fazem parte do Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora decidirão, nos dias 11, 12 e 13 de fevereiro, qual o próximo presidente da instituição. O líder que vai dirigir a entidade classista pelos próximos três anos assumirá num momento de divergência entre os principais nomes do sindicato, que integram a direção na gestão que se encerra. A eleição, no entanto, não desperta o interesse apenas de sindicalistas e trabalhadores. Embora os três candidatos - João César da Silva, Geraldo Werneck e Henrique Almeida - representem a Central Única dos Trabalhadores (CUT), diferentes tendências e lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT), com qual a CUT mantém aliança histórica, reforçam as candidaturas à presidência do sindicato. O objetivo, mesmo que não declarado, é conquistar um interlocutor junto à categoria nas eleições de outubro.

A cisão, que aumentou a disputa desde o ano passado, justifica-se, segundo Geraldo Werneck e Henrique Almeida, candidatos de oposição, pelo perfil centralizador do atual presidente, João César da Silva, que tenta a reeleição. Henrique, hoje vice-presidente, foi o primeiro a anunciar a ruptura. Pouco mais tarde, Werneck, que há muitos anos revezava amistosamente a presidência com o atual detentor do mandato, tomou a mesma iniciativa. Dada a divisão, diferentes forças do PT articularam apoio aos candidatos que, internamente, estão filiados às suas tendências políticas.

Henrique, que integra a tendência petista "Articulação", tem apoio do vereador Wanderson Castelar, da mesma corrente. O candidato quer mais democracia e transparência dentro da entidade. "O sindicato é uma ferramenta do trabalhador, não pode ser deixado para um 'dono'. Na última gestão, as assembleias estavam esvaziadas, porque a direção não permitia que as demandas da classe surgissem dos encontros da categoria. Elas já chegavam prontas para os trabalhadores." Werneck, cuja candidatura não é ligada a uma tendência petista, diz não ter apoio formal de lideranças com mandato político. Ele sustenta o mesmo discurso. "O sindicato tomou caminhos que não entendemos ser o correto. Ninguém pode se considerar 'dono' da entidade."

Na defesa

João César tem apoio da deputada federal Margarida Salomão, da corrente "Democracia Socialista". Sobre as críticas, ele prefere não tratar do assunto. Para se reeleger, tenta convencer os trabalhadores que houve ganhos para a classe. "Fizemos campanhas salariais que resultaram em ganhos reais para o trabalhador. Hoje, 90% dos metalúrgicos da cidade recebem participação sobre os lucros de suas empresas. Além disso, conquistamos melhores benefícios e o adicional por tempo de serviço." Ele afirma, ainda, que colaborou para a maior sindicalização da categoria, tendo o colégio eleitoral do Sindicato dos Metalúrgicos dobrado durante sua gestão.

A escolha do novo presidente se dará por número de votos. Para se eleger, o candidato precisa atingir maioria simples. Um mês após o pleito, a nova direção assume o sindicato. Segundo o diretor regional da CUT, Oleg Abramov, a central acompanha as eleições sem se posicionar quanto à divisão na atual direção, visto que todas as concorrentes à presidência são seus filiados. "A CUT entende todos os candidatos como seus e libera seus filiados a se posicionar como acharem melhor."


Busca de apoio para eleições em outubro

O resultado poderá influenciar as eleições nacionais, no fim do ano, tanto no âmbito federal quanto no estadual. Embora Margarida, que caminha com João César, seja o único nome da cidade que disputa o cargo de deputado federal pelo PT, Werneck admite ter sido procurado pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que tenta continuar na Câmara dos Deputados e pode buscar votos na Zona da Mata, apesar de ter domicílio eleitoral em Bom Sucesso, Oeste de Minas. "Ele me procurou, mas não há apoio formal."

Já a corrida para o cargo de deputado estadual é, em Juiz de Fora, pautada pela dúvida a respeito de qual seria o candidato local pelo PT. Os vereadores Roberto Cupolillo (Betão) e Wanderson Castelar, possíveis candidatos, pretendem se tornar nome único e medem forças internamente desde o ano passado. A vitória de Henrique favoreceria Castelar e, embora Betão não tenha manifestado apoio a nenhum dos candidatos, Oleg Abramov, seu companheiro na tendência "O Trabalho", está ao lado de Werneck.

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