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05 de Junho de 2014 - 16:20

Candidatos a reitor e vice discutiram poucas propostas, em encontro marcado por clima de embate entre chapas e interrupções da plateia

Por Hélio Rocha

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Professores, funcionários e alunos lotaram o anfiteatro do ICB
Professores, funcionários e alunos lotaram o anfiteatro do ICB

Atualizada às 20h52

A comissão eleitoral da UFJF realizou nesta quinta-feira (5) o último debate entre os candidatos a reitor e vice-reitor da instituição. Professores, técnicos e estudantes vão às urnas nas próximas segunda-feira e terça-feira, escolher os dois nomes que estarão à frente da reitoria pelos próximos quatro anos. O encontro entre os candidatos Júlio Chebli (chapa 10), Marcus David (chapa 30) e Paulo Villela (chapa 20), reuniu cerca de mil pessoas no anfiteatro do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), sob clima de embate deflagrado entre as chapas 10 e 30. Dos candidatos, Chebli representa a situação, apoiado pelo reitor, Henrique Duque. David, está no campo de oposição e é ligado ao grupo da ex-reitora e deputada federal Margarida Salomão (PT), ao passo que Villela, candidato de última hora, coloca-se como terceira via.

Em sua maioria estudantes, os presentes no anfiteatro se dividiam entre os apoiavam Chebli e os que defendiam a candidatura de David. Eram poucos os eleitores que já não manifestavam sua intenção de voto. Com palavras de ordem, cartazes, bandeiras, camisas e adesivos no peito, os dois grupos travaram no auditório embate inflamado, mais que o dos postulantes ao cargo de reitor e vice-reitor, permitindo ao debate pouca margem para formar a opinião de indecisos. Por muitas vezes, os candidatos foram interrompidos em suas falas, por vaias, palavras de ordem ou retruques individuais vindos da plateia.

No palco, com pouco espaço para propostas e muitas trocas de farpas, a discussão teve como destaque a possibilidade de reformulação do regimento interno da universidade, apresentada pelo candidato a vice-reitor na chapa 10, Marcus Vinício Chein Ferez. O grupo da situação tem sido alvo de críticas por, supostamente, defender gestão autoritária, e levantou a possibilidade de rever o regimento para permitir mais democracia nas decisões da reitoria. "Temos de fazer uma reforma legislativa se quisermos permitir mais diálogo com a reitoria." Já Marcus David contrapôs e disse que a legislação já prevê o diálogo intersetorial e a realização de consultas sobre as decisões da Administração, não sendo cumprido neste aspecto. "Não é preciso mudar o regimento. É preciso mudar a postura da gestão diante de decisões importantes."

Durante o debate, o eixo principal da argumentação da chapa 10 girou em torno dos avanços logrados pela instituição nos últimos oito anos, desde o início da gestão de Henrique Duque (2006-2014). A chapa 30, por sua vez, sustentou que o crescimento recente da universidade ocorreu de forma desorganizada, revelando problemas administrativos. Tal oposição, entre a defesa do crescimento e a crítica por mais planejamento e organização, marcou o restante do encontro. Em diversos momentos, Chebli e Ferez expuseram números que revelam o avanço da UFJF em obras, número de alunos, bolsas e convênios com universidades estrangeiras, por exemplo. Diante dos números, David e a candidata a vice-reitora em sua chapa, Girlene Alves, afirmaram haver abandono de setores, problemas contratuais e estruturais na universidade, ocultos pelo impacto externo das grandes obras, mas sentidos pela comunidade acadêmica.

Outro ponto importante do debate, em que os candidatos confluíram em seus discursos, foi quanto à importância da relação junto ao Governo federal. Ainda ao discutir os avanços da atual gestão, David disse ser reducionismo creditá-los ao grupo do reitor Henrique Duque, tendo sido o papel do Governo fundamental nas reformas das universidades. "No Governo anterior, não havia recursos, não havia diálogo com as universidades. A reitoria teve de resistir a uma gestão do MEC (Ministério da Educação) que não permitia o crescimento da educação superior", falou David, referindo-se ao reitorado de Margarida Salomão (1998-2006). Chebli defendeu a atual Administração ao afirmar que o Reuni, programa do Governo de expansão das universidades, foi implantado com sucesso por Duque, a despeito da resistência de diversos núcleos internos.

À frente da chapa 20, Paulo Villela, que tem como candidato a vice-reitor o professor Hélio Silva, alinhou seu discurso, por vezes, ao de Júlio Chebli, e por vezes ao de Marcus David. Villela concordou com o candidato da chapa10 no que diz respeito aos programas de pós-graduação. Segundo ambos, a pós-graduação deve ser compreendida, além de como núcleo de pesquisa, como espaço de continuidade da formação profissional. Paulo Villela também esteve ao lado de David em críticas ao suposto autoritarismo da atual gestão, partilhando do incômodo diante de decisões tomadas sem a consulta a setores envolvidos. "Se eleito for, minha primeira decisão será a convocação de um congresso intersetorial, para começar a debater de forma democrática as decisões do meu mandato."

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