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28 de Junho de 2014 - 06:00

Além de dialogar com dissidência e unificar legenda, ex-prefeito quer expandir coligação. Há possibilidade de aliança com PPS

Por Tribuna

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Ao lado de partidários, político fala da candidatura
Ao lado de partidários, político fala da candidatura

O ex-prefeito de Juiz de Fora e agora candidato ao Governo de Minas Gerais pelo PSB, Tarcísio Delgado, falou nessa sexta-feira (27) pela primeira vez após ser escolhido por seu partido para concorrer ao cargo de governador. Tarcísio disse que sai na disputa eleitoral com importantes apoios dentro de seu partido, entre eles o do pré-candidato à Presidência da República pela legenda, Eduardo Campos, e o de sua vice, Marina Silva. Ele assegurou que agora busca diálogo com membros do partido que divergiram de sua escolha, entre eles o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda. Nas próximas semanas, ele e o filho, o deputado federal Júlio Delgado, presidente estadual da legenda, manterão encontros com lideranças partidárias para conseguir aumentar a coligação do PSB e angariar tempo de TV. Um dos novos aliados pode ser o PPS, cujas lideranças devem conversar com líderes socialistas na convenção nacional deste sábado, no Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília.

A campanha começa propondo uma alternativa à polarização PT-PSDB. Uma de suas propostas pode ser pela municipalização dos recursos públicos, concedendo às prefeituras mais verbas para executar projetos.

O PSB e os partidos aliados PHS e PPL precisam definir candidatos a vice-governador e senador, vagas da coalizão que serão importantes objetos de negociação na conquista de novas legendas parceiras. "Estamos negociando. Garantidos, temos o PPL e o PHS, mas temos contatos com outros já coligados, que se interessaram por nossa terceira via e têm até segunda para oficializar seus apoios", afirma Júlio. Tarcísio de Júlio sinalizaram que o PPS, por hora com a chapa de Pimenta da Veiga (PSDB), é um dos partidos com quem pretendem fazer contato. "A coligação nacional inclui o PPS, e a aliança nacional repercute na estadual. O PPS estará amanhã (nesse sábado) conosco na convenção do PSB e vamos conversar", afirmou o deputado. "O PPS hoje é dirigido por muitos companheiros meus do 'grupo autêntico' do PMDB", adiantou Tarcísio, referindo-se aos quadros do antigo MDB, que participaram da redemocratização do país.

Sobre os dissidentes, entre os quais estão o prefeito da capital e o presidente do Clube Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, que chegou a ser cotado para concorrer ao Senado, Tarcísio disse que vai manter conversas para agregá-los à campanha. "Vamos conversar para trazê-los para o bom caminho. Caso eles pretendam continuar no mau caminho, vou criticar, independente de serem do meu partido." Outros encontros, ao longo do mês de julho, devem ser mantidos para conseguir apoios individuais de lideranças do PMDB que discordam do apoio à chapa de Fernando Pimentel (PT). "Vou conversar com velhos companheiros do 'PMDB' autêntico. Alguns deles já me ligaram para parabenizar e dizer que estão comigo", afirmou o candidato, referindo-se a quadros históricos do partido, sem citar nomes.

Municipalização

O PSB lança sua candidatura como alternativa à polarização PT-PSDB. Ao tratar de eventuais compromissos de campanha, Tarcísio manifestou sua vontade de defender a municipalização dos recursos públicos. Ele fez questão de dizer que a proposta não foi discutida no partido, mas surge com base em suas experiências à frente do Executivo municipal. Segundo o candidato, a execução de obras e projetos com recursos municipais é mais eficiente, menos sujeita ao desperdício em função da burocracia e do mau funcionamento da máquina pública. "Existem estatísticas que provam. Uma obra federal que gasta R$ 100 mil, consome R$ 60 mil se feita pelo estado, e R$ 30 mil se realizada pela Prefeitura. Queremos municipalizar para valer. Se o eleitor acredita que eu posso fazer isso, vota em mim. Se não acredita, que vote nos outros."

Embora o tempo de TV seja fruto das negociações ainda em andamento, Júlio adiantou que deve ficar entre dois minutos e meio e três minutos e meio, conforme o fechamento das alianças. Embora o período seja considerado reduzido, Tarcísio o considera suficiente para a campanha eleitoral. "É o bastante para ser claro e incisivo, sem fazer rodeios e cansar o eleitor. Tem que chegar e dizer a mensagem com poucas palavras." Sobre a força das demais candidaturas, o ex-prefeito foi tácito em dizer que a concorrência não assusta. "Ninguém ganha jogo na véspera. Tem que ganhar na luta. Quero ter uma votação bonita para a legenda e já estou realizado por ser candidato do PSB ao Governo de Minas."

Novo desafio

Sobre o novo desafio em sua carreira, o ex-prefeito disse que em nenhum momento articulou a possibilidade de ser candidato a governador. "No encerramento deste período de articulações eleitorais, fui chamado pelo candidato a presidente pelo partido, Eduardo Campos, e outros líderes de expressão. Eles colocaram a necessidade de o partido ter candidatura em Minas, e que nos quadros do PSB hoje, o melhor perfil era o meu. Fizeram um apelo, e eu não sou de dizer não à condução de qualquer bandeira legítima, séria e democrática, não poderia negar e deixar o partido à mercê de coligações indesejáveis."

Aos 78 anos, Tarcísio tem longa carreira política. Foi vereador em Juiz de Fora entre 1967 e 1971, deputado estadual (1971-1975) e deputado federal por duas vezes (1975-1983 e 1991-1995). No último ano de seu primeiro mandato parlamentar, venceu as eleições para prefeito, cargo que ocupou até 1989. Em 1996, concorreu novamente à Prefeitura, onde ficou até 2004. Transferiu-se para o PSB este ano, encerrando ciclo de mais de quarenta anos junto à sua antiga legenda.

 

Descontentes enviam cartas a diretórios

Ainda na tarde de ontem, os deputados estaduais socialistas que assumiram posição contrária a escolha do PSB-MG por um candidato próprio, Wander Borges, Antonio Lerin e Sérgio Lúcio de Almeida, o Tenente Lúcio, enviaram carta aos diretórios estadual e federal do partido em repúdio à decisão. Os parlamentares argumentaram que isto irá refutar a pretensão de crescimento do partido em Minas Gerais e no país. 

À Tribuna, o presidente Júlio Delgado classificou a atitude dos deputados como "previsível". "A reação de descontentamento é esperada neste primeiro momento, uma vez que querem expor a posição que defendem. Mas vale ressaltar que não houve desrespeito à decisão soberana do partido", afirmou.

Para Júlio, o tempo e a conversa serão fundamentais para convencer e sensibilizar os dissidentes de que esta foi a melhor escolha para o PSB-MG. "Todos têm a pretensão de se lançar nestas eleições, e, para isso, precisam estar em acordo com a atitude tomada pelo partido. Estou certo de que se sentar com eles e conversar, eles estarão em favor da chapa. Estou tranquilo." Tanto Borges como Lerin são pré-candidatos a deputado estadual, e o Tenente Lúcio, a federal. 

 
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