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14 de Março de 2014 - 06:00

CRM, sindicato e associação dos Médicos avisam que vão emitir nota oficial e dizem que JF dispõe de profissionais qualificados no mercado

Por Tribuna

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O Sindico dos Médicos de Juiz de Fora avisou que que vai emitir, junto com a Associação dos Médicos e o Conselho Regional de Medicina (CRM), uma nota oficial de repúdio à vinda dos cubanos do programa "Mais médicos", do Governo federal, anunciada na quarta-feira pela Prefeitura. Segundo o Sindicato dos Médicos, a entidade não foi consultada nem comunicada sobre a medida. O Conselho Municipal de Saúde também afirma não ter sido notificado sobre a ação, embora soubesse do interesse do Município em receber profissionais do programa. Por enquanto, não há previsão de ato público contra os 11 trabalhadores estrangeiros, que chegaram nesta quinta-feira (13) à cidade. A apresentação dos profissionais será feita na tarde desta sexta na Prefeitura.

Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos, Gilson Salomão, caso a categoria fosse ouvida quanto à chegada dos cubanos, teria se manifestado de forma contrária. "Temos três faculdades de medicina na cidade, que graduam profissionais qualificados para o mercado. Ao invés de empregar esses médicos, a Prefeitura está trazendo outros que não têm validação de diploma no território nacional, não são fiscalizados pelo CRM e têm domínio duvidoso do nosso idioma." O presidente ainda disse entender que o programa, mesmo contra a vontade da classe médica, destina-se a rincões do país onde haja escassez de trabalhadores, não a uma cidade do porte de Juiz de Fora.

Salomão descarta a realização de qualquer ato público. "Não cometeremos este tipo de incivilidade. Nossa atitude não é contra o profissional que estará aqui, mas de cobrança quanto à sua atuação e de questionamento quanto à medida adotada pelo Governo." Além da manifestação de repúdio, a entidade quer pedir melhores condições de trabalho, vencimentos e elaboração de um plano de cargos e carreira adequado. Sobre o anúncio da chegada de 24 novos médicos temporários e a realização de concurso público para a contratação de 42 novos servidores, Gilson Salomão mostra-se satisfeito, apesar de reiterar sua posição contrária à admissão de profissionais não concursados. "O temporário atente às necessidades mais urgentes, mas a realização do concurso é uma pauta antiga e, finalmente, parece que está sendo atendida."

De acordo com o secretário de Saúde do Município, José Laerte Barbosa, quando houver efetivação dos concursados, os cubanos serão dispensados, e o Governo federal poderá encaminhá-los a outras localidades. Ele diz que o Ministério da Saúde disponibiliza uma lista das cidades que se inscreveram no programa e que, portanto, a informação de que Juiz de Fora poderia receber estes profissionais era pública. Quanto ao perfil do município ser ou não adequado ao programa, o chefe da pasta disse que Juiz de Fora se enquadro nos requisitos apresentados, não figurando apenas entre aqueles em que os médicos importados são uma prioridade. "Os grandes municípios em que há escassez de profissionais são os últimos que recebem trabalhadores estrangeiros."

 

Mais Médicos

Os 11 cubanos serão pagos de acordo com as normas estabelecidas pelo vínculo do Governo federal com o Estado cubano. A União repassa mais R$ 10 mil por médico para a Organização Pan-americana de Saúde (Opas), que fica com a maior parte e paga cerca de R$ 3 mil aos médicos. Caberá ao município prover alimentação, moradia e transporte para os profissionais. Eles vão atuar nas Unidades de Atenção Primária (UAPs) do município, no âmbito do programa Estratégia de Saúde da Família (ESF).

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