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29 de Dezembro de 2013 - 07:00

'Pretendo andar mais nos bairros'

Por HÉLIO ROCHA E RENATO SALLES

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'Pretendo andar mais nos bairros', diz prefeito

Às vésperas de completar um ano à frente de seu primeiro cargo Executivo, o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) acredita que a série de inaugurações previstas para 2014 irá dar novo fôlego à Administração. Em entrevista exclusiva à Tribuna, o chefe do Executivo juiz-forano falou das dificuldades enfrentadas em seu primeiro ano de gestão, os problemas nas saúde, as manifestações populares e o aumento da violência urbana. Bruno disse ainda que, após arrumar a casa, pretende adotar uma nova postura, com uma maior presença nos bairros e na periferia do município. O prefeito voltou a defender uma candidatura própria do PMDB ao Governo do Estado e afirmou que irá trabalhar para manter a boa relação com os governos estadual e federal no ano que vem. Neste sentido, ainda se mantém alheio às discussões sobre a sucessão presidencial, reforçando o caráter partidário da dobradinha PT e PMDB, que tenta reeleger a presidente Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer. No entanto, lembrou da forte ligação com o senador Aécio Neves (PSDB), um dos principais nomes da oposição e pré-candidato à Presidência da República, com Minas Gerais.

Tribuna - O primeiro ano de um mandato é sempre considerado complicado para o Executivo, que trabalha com orçamento elaborado pela gestão passada. Neste sentido, com foi sua passagem à frente da Prefeitura neste ano?

Bruno Siqueira - Não é só a questão do orçamento. A Prefeitura seguia uma organização anterior, e tivemos que implantar um novo formato. Estamos implantando um modelo de trabalho para obtenção de recursos externos e fazer as intervenções que Juiz de Fora precisa. Estamos trabalhando com uma programação de quatro anos. Não dá fazer tudo no primeiro ano. Além de ser impossível, corre-se o risco de fazer errado. Para o segundo ano, há perspectiva de várias inaugurações, e uma melhoria significativa no cotidiano administrativo.

 - O senhor herdou uma dívida de quase R$ 40 milhões. A situação está controlada?

- Em janeiro, vários dos fornecedores da Prefeitura não haviam recebido pagamento relativos a outubro, novembro e dezembro de 2012. Tivemos que renegociar dívidas e pagar parte delas com o orçamento de 2013. Conseguimos rolar parte dos débitos, que serão pagos em 2014. A dívida existe, mas estamos trabalhando para amortizá-la, de forma a não prejudicar os trabalhos da Prefeitura. Conseguimos pagar em dia todos os compromissos de salários dos nossos colaboradores e das empresas terceirizadas para que não haja prejuízo dos serviços.

 - O senhor pretende mudar alguma rotina de Governo no segundo ano de mandato?

- Pretendo andar ainda mais nos bairros das cidades. Nos primeiros meses desse ano, tive que ficar mais internamente para organizar a Prefeitura. Quanto mais organizada, mais teremos tempo para ampliar essa presença nos bairros. Vamos ter várias inaugurações, o que é relevante para mostrar o trabalho realizado em 2013.

- Muitos especialistas são unânimes em afirmar que as manifestações populares estão em estado de latência. De que forma esses protestos podem dificultar sua administração e sua avaliação à frente da Prefeitura?

- Foram manifestações nacionais que tiveram reflexos na cidade. Em Juiz de Fora, os protestos foram democráticos e pacíficos. Estamos trabalhando para fazer bem feito o que tem que ser feito. Neste contexto, pode ser que um grupo menor, ligado a partidos ou movimentos políticos, sinta-se prejudicado quando se quer beneficiar a maioria. Mas não posso ter receio disso.

- O senhor defende que o PMDB apresente uma candidatura própria ao Governo de Minas. Quem o senhor considera o nome ideal para a disputa?

- Será importante lançar candidatura própria para que o PMDB amplie o debate em nosso estado e se coloque na posição de um partido que governa vários municípios. Hoje, represento a terceira maior cidade do país e a maior de Minas administrada pelo PMDB. Só conseguimos isso porque batalhamos para ter uma candidatura própria, mesmo com dificuldades internas. Temos nomes importantes como o ministro Toninho Andrade, o senador Clésio Andrade e o empresário Josué Christiano Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar. Qualquer um desses três nomes tem qualidade suficiente para pleitear o Governo estadual.

- O vereador Isauro Calais (PMN) aparece como candidato da Administração à Assembleia Legislativa. Ele tem o apoio do chefe do Executivo? Qual a importância de se aumentar a representatividade parlamentar da cidade?

- O vereador Isauro Calais foi o mais votado nas últimas eleições e esteve junto de nosso grupo deste o início, quando muitos não acreditavam em nossa vitória. Além desse compromisso político, enxergamos nele totais condições de ser um grande parlamentar. Temos ainda outros nomes importantes para a Assembleia, como o vereador Noraldino Júnior (PSC) e o secretário de Estado de Saúde, Antônio Jorge (PPS). Vamos trabalhar para que possamos aumentar nossa representatividade. Espero que possamos reconduzir os três deputados federais ao Congresso e, quem sabe, ampliarmos esse número. No caso do PMDB, vamos analisar qual será o candidato que iremos lançar a deputado federal. Se não for de Juiz de Fora, será alguém que poderá nos ajudar nessa ponte com Brasília.

- A disputa eleitoral do ano que vem pode impactar as eleições municipais de 2016? O senhor já pensa em reeleição?

- Sempre as eleições para presidente e governador geram impactos no pleito municipal seguinte. Mas sempre trabalhei com planejamento. Em 2000, quando fui eleito vereador pela primeira vez, existiam dúvidas acerca de minha capacidade por ser muito jovem. Dez anos depois, segui para a Assembleia, após ser o vereador mais votado e presidente da Câmara. Agora, temos otimismo de que iremos melhorar a Administração, o que, posteriormente, pode culminar em um projeto de reeleição. Hoje a preocupação é executar nosso compromisso com transparência, para fazer um grande mandato.

- As eleições do ano que vem podem atrapalhar o bom relacionamento mantido pelo senhor com o Palácio do Planalto e com o Palácio Tiradentes, já que a repetição da disputa entre a dobradinha PT/PMDB e o PSDB no cenário nacional é considerada certa?

- O PMDB tende a caminhar novamente com o vice-presidente Michel Temer ao lado da presidente Dilma Rousseff. Mas também teremos um candidato mineiro, o senador Aécio Neves (PSDB), que fez um grande trabalho à frente do Governo de Minas. Ao mesmo tempo que há a questão do partido, há também a importância de se ter na Presidência da República uma pessoa que sempre fez política em Minas Gerais. Não podemos desconsiderar isso. Vamos trabalhar para que a disputa eleitoral não atrapalhe todo o trabalho de articulação feito até aqui.

- O atual secretariado será mantido em 2013? Há a possibilidade de algum titular deixar a pasta para disputar as eleições?

- Vamos começar o ano com a mesma equipe, que vem fazendo um grande trabalho.

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