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25 de Maio de 2014 - 06:00

Para Pimentel, segurança é problema 'gravíssimo'

Por RENATO SALLES

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A Tribuna inicia neste domingo (25) uma série de entrevistas com os principais pré-candidatos ao Governo de Minas Gerais colocados até o momento. O primeiro sabatinado é o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Governo Dilma Rousseff, Fernando Pimentel (PT). Aos 63 anos, o ex-prefeito de Belo Horizonte por dois mandatos é considerado o nome de união dentro do PT mineiro. Também é a aposta do partido para tentar quebrar uma hegemonia de 12 anos do PSDB à frente do Executivo estadual. Em um escritório na região central da capital mineira, Pimentel recebeu a equipe da Tribuna para uma conversa exclusiva e detalhou as chamadas "Caravanas da participação", que vai ajudar na construção do programa de governo que será apresentado aos mineiros a partir de julho.

Pimentel falou sobre problemas enfrentados por diversos municípios mineiros, com destaque para os crescentes indicadores de violência pública. O pré-candidato questionou ainda as políticas adotadas pela gestão tucana nos últimos anos e rechaçou alegações de que o Governo federal, da presidente Dilma Rousseff (PT), negligenciou o repasse de recursos ao estado. O petista ainda defendeu a necessidade de um projeto de desenvolvimento econômico para a Zona da Mata e sinalizou o nome do deputado federal e presidente estadual do PMDB, Antônio Andrade, para candidato a vice na chapa que reedita a dobradinha entre as duas legendas.

Tribuna - Como ocorreu a consolidação de sua candidatura? O senhor tem realizado viagens pelo estado? Quais percepções o senhor tirou dessas viagens?

Fernando Pimentel - Fui prefeito de Belo Horizonte eleito e reeleito. Acumulei experiência grande nesse período. Antes de ser prefeito, fui secretário municipal. Ao todo, fiquei 16 anos na Prefeitura da capital. Depois fui ministro da presidente Dilma. Nessa altura do campeonato, o partido amadureceu a necessidade de ter um nome que unificasse a legenda. Por uma construção natural, fui convocado em fevereiro a voltar para Minas e organizar as "Caravanas de participação". Já foram 12. Vamos para uma cidade polo, passamos o dia conversando com lideranças políticas, sindicais, trabalhadoras, estudantis e religiosas. Ao final, é feita uma plenária, com objetivo de ouvir o que os mineiros estão querendo. A partir disso, queremos construir um programa de governo que reflita o que Minas quer.

 

- As caravanas vão passar por Juiz de Fora e Zona da Mata?

- Já fizemos uma edição em Ubá, mas a Zona da Mata é muito diversificada. Tem pelo menos três subdivisões muito distintas. A de Juiz de Fora, essa que cobrimos em Ubá e outra próxima à Caratinga. A deia é fazer uma em Juiz de Fora e outra em mais uma cidade da Zona da Mata. Essa deve ser a região de Minas mais complexa, com maior diversidade interna.

 

- Vocês já têm um entendimento sobre as necessidades da Zona da Mata?

- É preciso aprofundar mais, mas temos um começo que nos permite identificar demandas gerais. Vou dar dois exemplos. Uma demanda geral que apareceu na Zona da Mata com tanta força quanto nas demais regiões é a questão da segurança. Esse se tornou um problema gravíssimo em Minas. Percebemos claramente uma deficiência do aparelho de segurança no estado, que vem se agravando há vários anos. Falta efetivo na polícia, tanto na Militar como na Civil. Faltam equipamentos. As polícias carecem de preparação técnica e profissional. Os índices de criminalidade estão aumentando. A outra (demanda) mais específica e muito grave é a ausência de um projeto de desenvolvimento econômico. Não vamos ter em Minas um programa que dê conta sozinho de todo o estado. É preciso ter vários programas e um olhar regionalizado. A Zona da Mata pede isso com muito força. Dada a proximidade com o Rio e o Espírito Santo, a concorrência desses dois estados na atração de empresas e investimentos é muito forte. Estamos perdendo essa concorrência. Na região de Ubá, constatei com muita tristeza que empresas importantes e antigas estão transferindo suas sedes para o Espírito Santo visando a aproveitar vantagens tributárias e fiscais.

 

- No ano passado, durante visita a Juiz de Fora, o senhor (então ministro do Desenvolvimento) ouviu um velho anseio da cidade: a construção de um contorno ferroviário. O Governo do Estado pode ajudar a equacionar essa questão?

- Acho que sim. O Governo de Minas pode atuar no sentido de facilitar a vinda de recursos federais. Ou melhor do que isso, ajudar na adequação das soluções de municípios e regiões ao conjunto do estado. Em Juiz de Fora, já existe o projeto. A própria Prefeitura, em gestões anteriores, fez um esboço básico que precisa ser resgatado e atualizado. O Estado pode fazer isso e buscar essa interlocução. O que a gente observa em Minas - não é uma crítica, mas uma constatação vinda das conversas com prefeitos - é que você tem de um lado o Governo federal, com uma série de programas voltados para os municípios, como PAC, 'Minha casa, minha vida', 'Bolsa família' e 'Mais médicos'. E, embaixo na escala federativa, estão os municípios se desdobrando com programas e recursos próprios programas para atender às demandas do cidadão. No meio, percebemos uma lacuna imensa, onde devia atuar o Governo do estado. A não ser, no caso de Minas, quando ele troca o nome de um programa federal por um regional - como o "Luz para todos" que foi trocado por "Luz de Minas" e o "Rede cegonha" que virou "Mães de Minas. Fora a questão de marketing, não há ganho nenhum. Trocar de nome não acrescenta um centavo e não melhora em nada sua qualidade.

 

- Recorrentemente, o Governo mineiro tem alegado o desinteresse e a falta de repasse de verbas do Governo federal para Minas. Como o senhor vê essas queixas?

- Vejo como uma alegação equivocada, para não dizer falsa, com objetivo político-eleitoral. Não é essa a visão dos prefeitos. Ao contrário, eles acham que o Governo federal é quem dá assistência a eles. Falta recurso do estado e não da União. Acabei de dar um exemplo. Todos os programas que de fato melhoram a qualidade de vida dos municípios, desde o mais pequeno até o maior são federais. Com essa alegação, o Governo do Estado tenta tapar o sol com a peneira. Falta ação política e competência administrativa ao estado para fazer bons projetos e trazer os recursos. Eles existem e, em muito casos, já estão colocados à disposição. O Rio avançou mais que nós. Pernambuco avançou mais que nós. A Bahia avançou mais que nós. Goiás avançou mais que nós. O Espírito Santo avançou mais que nós. Por que Minas não avançou? Não estou dizendo que Minas retrocedeu, que é um caos ou uma tragédia. O estado avançou um pouco aqui ou ali. Mas ficamos para trás na corrida pelos recursos federais. Basta ver o crescimento econômico no ano passado. O PIB mineiro cresceu 0,5%. O PIB nacional - esse que a oposição diz que é "pibinho" - cresceu 2,3%. Foi a terceira maior taxa de crescimento do mundo. Dizer que não há recursos federais é tentar tapar sol com a peneira. O estado, ao contrário, toma recursos. Basta ver a situação da segurança pública, onde os municípios são forçados a despender dinheiro do seu orçamento para pagar gasolina e a manutenção das viaturas policiais. Às vezes, até refeições para os policiais.

 

- Em 2008, de certa maneira, PT e PSDB caminharam juntos para eleger Márcio Lacerda (PSB) prefeito de Belo Horizonte. Em que os pensamentos dos dois partidos se aproximaram naquele momento e de que maneira se distanciam nessas eleições estaduais?

- A experiência de Belo Horizonte tem que ser considerada à luz das demandas da cidade naquele momento. Nunca foi uma experiência que quisesse ir além dos limites da capital mineira. Nós do PT, naquele momento, entendíamos que era interessante a continuidade do nosso projeto. Porém com um candidato de outro partido, que transitasse tão bem no campo do Governo federal, do então presidente Lula, quanto no Governo do estado, governado por Aécio Neves. Isso era importante para a cidade e para a continuidade de projetos. A ruptura se deu por iniciativa do próprio Lacerda, que fez uma opção. Ele não queria mais ficar no nosso campo e passou para o campo de lá. É uma opção dele.

 

- Há alguma estratégia para evitar possíveis confusões entre seu nome - Pimentel - e o do pré-candidato do PSDB ao Governo do Estado, Pimenta da Veiga, durante a campanha? Essa é uma preocupação?

A mim, não preocupa. É só uma curiosidade o fato de ser dois nomes parecidos. Não tenho preocupação. As pessoas em Minas me conhecem. Eu nunca saí de Minas.

 

- Sua chapa já está definida?

- A nossa chapa deve conter um vice do PMDB, possivelmente, o deputado federal Antônio Andrade, e um candidato a senador que também caminha para ser do PMDB. O PMDB tem um excelente nome recém-filiado ao partido que é o companheiro Josué Gomes da Silva, filho do ex-presidente José Alencar. Mas a definição cabe ao conjunto de partidos. Nós vamos saber isso no final de maio e início de junho.

 

- Em Juiz de Fora, o prefeito Bruno Siqueira sempre defendeu a teoria de candidatura própria do PMDB ao Governo do Estado. Como estão as articulações pelo apoio do chefe do Executivo da maior cidade da Zona da Mata?

- Já tivemos excelentes reuniões e conversas com o prefeito. É um pessoa próxima, com quem estamos sempre dialogando. A tese da candidatura própria do PMDB já foi superada. Isso foi resolvido internamente. Não existe mais essa possibilidade. Acredito que o prefeito virá, como os demais companheiros do PMDB de Juiz de Fora, para o campo dessa aliança. Ele é um quadro fiel do PMDB. Mas não quero que ele venha só por fidelidade partidária, mas por acreditar no nosso projeto. E acho que estamos caminhando para isso. Nós devemos marcar brevemente uma ida a Juiz de Fora para uma das edições da caravana. E tenho certeza de que o prefeito Bruno vai estar do nosso lado. Quando vamos a uma cidade governada por um prefeito da nossa coligação, quem coordena os trabalhos é o próprio prefeito. Tenho certeza que o Bruno vai estar conosco nessa caminhada.

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