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05 de Dezembro de 2013 - 18:37

Estudantes de arquitetura fazem 'cortejo fúnebre' no Centro em repúdio à mudança na lei de uso e ocupação do solo

Por Bárbara Riolino

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Manifestantes fecharam a Avenida Rio Branco
Manifestantes fecharam a Avenida Rio Branco
Cortejo saiu da Praça de São Mateus e foi até o Parque Halfeld, em frente à Câmara Municipal
Cortejo saiu da Praça de São Mateus e foi até o Parque Halfeld, em frente à Câmara Municipal

Atualizada às 22h31

A forte chuva que caiu sobre a cidade, na tarde desta quinta-feira (5), não impediu o grupo de manifestantes, formado em sua maioria por estudantes de arquitetura da UFJF, a protestar contra a Lei Complementar 06/2013 que revisa a ordenação do uso e a ocupação do solo - Lei n° 6.910/1986 - aprovada pelo Legislativo e sancionada pelo prefeito Bruno Siqueira (PMDB) no final de novembro. A norma permite aumento linear de 30% nos coeficientes de aproveitamento máximo dos terrenos, resultando em maior adensamento. Na prática, entre outras mudanças, autoriza a construção de um pavimento a mais nos novos empreendimentos em lotes com 360 metros quadrados. Com as roupas ensopadas e carregando um caixão e faixas pretas, o grupo ocupou as principais vias centrais, simbolizando a "morte" da qualidade de vida em Juiz de Fora. 

Por volta das 17h, os primeiros manifestantes começaram a chegar na Praça Jarbas de Lery Santos, em São Mateus, ponto de partida para o cortejo. Passados 40 minutos, cerca de 40 jovens, vestidos de preto, seguiram pela Avenida Itamar Franco, entoando frases de protesto em ritmo de marcha fúnebre. A ocupação das duas faixas da via, no sentido Centro, deixou o trânsito lento.  Às 18h, o grupo parou no cruzamento das avenidas Itamar Franco com a Rio Branco, onde permaneceu por aproximadamente cinco minutos. Na sequência, os manifestantes andaram pelas duas faixas da Rio Branco, no sentido do Bairro Manoel Honório, até pararem no cruzamento com a Rua Halfeld, onde permaneceram pelo mesmo tempo. A última parada aconteceu às 18h20, em frente à Câmara Municipal, onde ficaram até as 19h20. 

À medida que os  vereadores deixavam o Palácio Barbosa Lima, os jovens se manifestavam. Os vereadores Jucelio Maria (PSB) e Roberto Cupolillo ( Betão-PT), que votaram contra a aprovação da matéria, receberam aplausos. Já os parlamentares que votaram a favor, como Ana Rossignoli (PDT) e Zé Márcio (PV), foram vaiados e perseguidos pelos estudantes. Não houve qualquer tipo de agressão, nem intervenção da Polícia Militar, que acompanhou a movimentação de longe. O presidente da Casa e autor da lei, Julio Gasparette (PMDB), que teve seu nome presente nas palavras de ordem do manifesto, foi chamado várias vezes, mas não conversou com os manifestantes.

O "Cortejo fúnebre", como foi chamado o protesto, fez parte da 16ª edição da Mostra de Arquitetura do Curso de Arquitetura e Urbanismo (MAU) da UFJF que, neste ano, discutiu políticas públicas ambientais e patrimoniais. A manifestação foi convocada pelo Facebook, com o apoio do grupo Mais JF. "Esperávamos mais pessoas, mas a chuva acabou atrapalhando", disse a estudante Clara Sefair.  "A lei precisa ser revogada. Não faz sentido atender apenas o interesse das construtoras, pois o mesmo precisa ser coletivo", ressaltou a manifestante Gabriela de Morais. "A lei defende que a verticalização é a melhor saída para o adensamento, o que não é verdade. Os bairros da região central ficarão mais congestionados, o que interfere na qualidade de vida da população", ressaltou Luiz Vergara, estudante de arquitetura.

Em resposta à manifestação, Julio Gasparette disse à Tribuna que a qualidade de vida não vai mudar em Juiz de Fora por conta da modificação na lei. "Cada um tem o direito de manifestar da forma que achar mais conveniente. O adensamento que eles são contra, porém, vai permitir que (os prédios de) alguns bairros ganhem novos pavimentos. O Centro vai continuar como está", afirmou. "Espero que, neste momento, eles possam acompanhar e participar do aprimoramento do Plano Diretor e mudar de ideia." 

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