Candidato à presidência da Câmara, o deputado federal Júlio Delgado (PSB) defendeu mudança na condução do Congresso como forma de reabilitar o Legislativo da sua condição de inferioridade frente ao Executivo e ao Judiciário. "Não podemos mais no mantermos relegados a outros poderes." Ele também falou do apelo à renovação política verificado nas eleições municipais e pediu compreensão aos seus companheiros de Casa. "Se olharmos para as eleições de outubro, vamos observar um legado de ampla renovação. Era esse e vai continuar sendo o desejo das pessoas. Como dizia Ulysses Guimarães, ou façamos a mudança, ou eles (os cidadãos) nos mudam." As declarações de Júlio Delgado foram dadas, no início da tarde de ontem, em Belo Horizonte, após encontro com o governador Antonio Anastasia (PSDB), o secretário de Governo, Danilo de Castro, e outros 11 parlamentares mineiros, entre os quais, o presidente do PSDB de Minas, Marcus Pestana.
Mesmo sem contar com o apoio oficial do PSDB nacional, que declarou apoio ao candidato governista Henrique Eduardo Alves (PMDB), Júlio Delgado tem apoio declarado não só de Anastasia, mas também do senador Aécio Neves (PSDB). Para os caciques tucanos, a candidatura do juiz-forano abre a possibilidade de Minas voltar a ter papel de protagonista na política brasileira. É nesse contexto que o Palácio Tiradentes explica sua movimentação junto à bancada mineira na busca de votos para a candidatura de Júlio Delgado. Além do apelo à mineiridade, a disputa de 2014 também integra as articulações. Uma eventual vitória sobre o candidato governista pode fortalecer os projetos futuros de Aécio e do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), possíveis concorrentes da presidente Dilma Rousseff em seu projeto de reeleição.
Embora com muitos interesses em jogo, Júlio Delgado sabe das dificuldades de sua candidatura frente a força das bancadas do PT e do PMDB. Uma reportagem publicada pelo jornal "Folha de São Paulo", no último domingo, joga a seu favor. De acordo com o periódico, as emendas parlamentares do seu principal concorrente - Henrique Eduardo Alves - beneficiaram uma empresa que tem como sócio Aluizio Dutra de Almeida, tesoureiro do PMDB no Rio Grande do Norte e assessor do peemedebista na Câmara dos Deputados desde 1998. Os repasses foram feitos pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), órgão federal que teve seu comando indicado por Henrique Eduardo Alves e chegam a R$ 1,2 milhão. Já a revista "Veja" publicou que deputado do PMDB contratou uma empresa de aluguel de veículos registrada em nome de uma laranja.




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