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09 de Abril de 2014 - 20:51

Deputado juiz-forano irá atuar no processo disciplinar instaurado contra o ex-vice-presidente da Câmara

Por Renato Salles

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Júlio Delgado acredita que o relatório final seja apresentado nas primeiras semanas de junho
Júlio Delgado acredita que o relatório final seja apresentado nas primeiras semanas de junho

O deputado federal Júlio Delgado (PSB) foi indicado pelo presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, Ricardo Izar (PSD-SP), para ser o relator do processo disciplinar que irá apurar as denúncias de envolvimento entre o deputado federal André Vargas (PT-PR), vice-presidente da Casa, e o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal na operação "Lava jato". Caso seja constatada quebra de decoro parlamentar, Vargas pode ter o mandato cassado pelo plenário, podendo ainda ser declarado inelegível por um período de até oito anos.

"Não somos de fugir de desafios, e este é mais um que teremos. Vamos conduzir os trabalhos de forma a recuperar a imagem da Casa, até pelo cargo de vice-presidente que era ocupado pelo deputado", afirmou Júlio, após contato telefônico feito pela Tribuna. O relator já adiantou que irá apresentar um parecer pela admissibilidade do processo na próxima semana. A estimativa é de que o relatório final seja apresentado nas primeiras semanas de junho, antes do início da Copa do Mundo. O prazo para a conclusão dos trabalhos é de 90 dias úteis, incluindo a votação posterior no plenário da Câmara.

A escolha do relator do caso André Vargas aconteceu após Izar sortear os nomes de três parlamentares para que um deles fosse definido para função. Assim, Renzo Braz (PP-MG) e Roberto Teixeira (PP-PE) chegaram a ser cotados antes da indicação de Júlio. O juiz-forano integra o Conselho de Ética desde legislaturas anteriores. Em 2005, ele foi o relator do processo que culminou na cassação do mandato do ex-deputado e ex-ministro José Dirceu.

 

O caso

A instalação do processo disciplinar contra André Vargas foi motivada por uma representação proposta por PSDB, DEM e PPS. Os partidos de oposição solicitaram que o parlamentar fosse investigado pelas denúncias de que teria utilizado um jatinho alugado por Alberto Youssef e pela suposta atuação do parlamentar em contrato assinado por uma empresa do doleiro com o Ministério da Saúde. Preso em março pela PF, Youssef é suspeito de movimentar aproximadamente R$ 10 bilhões por meio de lavagem de dinheiro. Na última segunda-feira, Vargas apresentou pedido de afastamento não remunerado por 60 dias do mandato parlamentar, sob o argumento de preservar a instituição e se dedicar a preparação de sua defesa. Nesta quarta-feira (9), ele renunciou ao cargo de vice-presidente da Câmara.

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