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25 de Janeiro de 2013 - 21:49

Na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, juiz-forano diz que atende anseio de mudança da Casa

Por Tribuna

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Júlio:
Júlio: 'Sou candidato de todos os cleros'

Concorrendo à presidência da Câmara dos Deputados com Henrique Eduardo Alves (PMDB), considerado favorito pelo apoio da base governista, o juiz-forano Júlio Delgado (PSB) refuta o rótulo de novo Severino Cavalcanti (PP), que foi eleito presidente da Casa como azarão em 2005, mas acabou renunciando após ser acusado de receber mensalinho para manter ativo um restaurante do Congresso. "Se há uma candidatura hoje enfrentando acusações de ordem ética, como aconteceu com o Severino, esse candidato não sou eu", disse, ontem, numa clara referência ao seu concorrente peemedebista, envolvido com denúncias de mau uso das emendas parlamentares. Ele também negou com veemência ser sua candidatura um projeto do chamado "baixo clero". "Sou candidato de todos os cleros, de quem está comprometido com a mudança, com a seriedade e com a ética." Júlio encerrou seu périplo pelo país em busca de votos ontem em Juiz de Fora. Ele retorna hoje a Brasília, onde permanece em campanha até o dia 4 de fevereiro, quando acontece a eleição da Mesa Diretora da Câmara.

A estratégia de Júlio é tentar levar a eleição para o segundo turno. Para isso, ele conta com a candidatura da deputada Rose de Freitas (PMDB) e, possivelmente, o deputado Chico Alencar (PSOL). Embora os três figurem como concorrentes em um primeiro momento, eles têm acordo de apoiar aquele que conseguir permanecer na disputa com Eduardo Alves. Para isso, no entanto, todos devem manter seus nomes no páreo até o dia eleição, o que pode não acontecer no caso da parlamentar peemedebista. Principal articulador da candidatura de Eduardo Alves, o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), vem atuando de forma enérgica no sentido de demover Rose da empreitada. Nos últimos dias, ela recebeu apelos diretos de três ministros do PMDB e também de governadores da legenda. Segundo Júlio, a deputada garante que "não vai arredar o pé", mesmo sob forte pressão. "Quem está empenhado é apenas o Michel (Temer). O próprio Governo (federal ) já sinalizou que não vai interferir. Eles sabem do risco de dar tanto poder ao PMDB." Além da Câmara, o PMDB também pleiteia a permanência à frente do Senado, com a candidatura de Renan Calheiros (PMDB).

Mesmo com o PMDB colocando toda sua força em campo, Júlio considerou sua candidatura com chances de vitória por representar o anseio de mudança na Casa. "Quando avaliamos o Parlamento frente ao Executivo e ao Judiciário, percebemos um desequilíbrio. O Parlamento tornou-se um poder menor e isso é ruim para democracia. Precisamos 'republicanizar' a República para evitar abusos. É preciso tornar a Câmara uma instituição independente, dinâmica, ética e eficiente." Ele afirmou encontrar essa mesma preocupação na maioria dos parlamentares com quem tem conversado nos últimos meses. "Há um sentimento comum de que do jeito como está não pode mais ficar. As últimas eleições municipais foram de renovação. Vejam o exemplo de Juiz de Fora. Se não mudarmos agora, estaremos perdendo uma oportunidade única." O juiz-forano ponderou ainda quanto ao risco de concentração de poder em um grupo do PMDB. "Teremos um partido com o vice-presidente da República e as presidências das duas casas do Congresso. Isso não bom para ninguém. Quem não tem espaço, vai continuar sem espaço."

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