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09 de Julho de 2011 - 07:00

Ação da Polícia Federal desarticula grupo que teria migrado suas ações para Três Rios, Valença e outras cidades da região Sul Fluminense

Por Ricardo Miranda

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A delegada Gisele Rezende calcula que tenha sido movimentado pelo grupo cerca de R$ 5 milhões
A delegada Gisele Rezende calcula que tenha sido movimentado pelo grupo cerca de R$ 5 milhões

O grupo denunciado em Juiz de Fora por receber precatórios de forma fraudulenta, desarticulado pela Polícia Federal no ano passado, com a prisão do ex-vereador Vicente de Paula Oliveira (Vicentão) durante a Operação Pluto, migrou suas ações para as cidades de Três Rios, Valença, Vassouras, Barra do Piraí, Piraí e Rio das Flores, na região Sul Fluminense. Em uma nova investida da Polícia Federal, na manhã de ontem, em Juiz de Fora, foi cumprido o mandado de prisão contra Samuel Gomes da Silva, suspeito de atuar no esquema. Em depoimento à delegada Gisele Rezende, ele teria confessado envolvimento de outras pessoas na fraude. No último dia 23 de maio, outros três supostos integrantes do esquema foram presos em flagrante na cidade de Três Rios. Raphael Monteiro de Barros Ferreira, 29 anos , João Batista Belizário, o "João do Ovo", 52, ambos de Juiz de Fora, e o funcionário da Caixa Econômica Federal, Rujanir Eller, 42, foram detidos quando tentavam sacar um precatório no valor de R$ 264 mil.

A ação acabou frustrada pelo fato de o gerente do banco ter chamado a polícia após reconhecer João Batista e Raphael, que estavam sendo investigados por um saque de precatório no valor de R$ 250 mil, em janeiro do ano passado, na mesma agência bancária. A dupla estava dentro do banco quando foi surpreendida pelos policiais de Três Rios. Com um deles, foi encontrado um cartão com o nome e número de celular de Rujanir. Do telefone celular de Raphael, os policiais enviaram uma mensagem de texto dizendo "Deu tudo certo. Onde te encontro?" Não demorou muito e veio a resposta indicando uma lanchonete próximo do banco. Ao ser abordado no local, Rujanir disse que estava esperando um amigo. No seu celular, no entanto, foram encontradas mensagens dele para Raphael com números de CPF de outras pessoas.

No seu depoimento à Polícia Civil de Três Rios, João Batista teria relatado ter recebido R$ 1 mil para participar do golpe. Raphael, por sua vez, teria confirmado a participação em outros três golpes semelhantes na cidade. Em relação ao depoimento de Samuel, preso ontem em Juiz de Fora, a delegada Gisele Rezende informou que, além de citar outros envolvidos, ele contou ter recebido R$ 5 mil para atuar no esquema. O restante do dinheiro seria repassado a outros membros da quadrilha. A polícia agora tenta rastrear o dinheiro e descobrir como é feita a lavagem. A delegada calcula que tenha sido movimentado pelo grupo cerca de R$ 5 milhões. "A forma como os precatórios são pagos hoje no Brasil é muito vulnerável. Havendo um precatório em nome de determinada pessoa, independentemente do valor, basta a apresentação do documento de identidade para receber. Isso deveria ser revisto", lamentou Gisele.

Operação Pluto

O esquema descoberto em Juiz de Fora pela Operação Pluto, da Polícia Federal, em junho do ano passado, consiste basicamente na falsificação de documentos para recebimento de valores de ações judiciais transitadas em julgado, os chamados precatórios. Como na maioria das vezes os trâmites são longos, muitos dos beneficiários morrem antes do desfecho das ações. Os recursos, então, mesmo disponíveis para saque, não são procurados. Com informações privilegiadas de funcionários da Caixa Econômica, integrantes da quadrilha promovem uma série de falsificações de documentos e procurações. Em seguida, são requisitados "laranjas" para irem às agencias tentarem receber os precatórios.

Em Juiz de Fora, segundo a delegada Gisele Rezende, uma gerente da principal agência da Caixa repassava informações dos precatórios para o ex-vereador Vicente de Paula Oliveira (Vicentão), que chegou a ficar preso por 41 dias, depois de a Polícia Federal ter encontrado em sua residência R$ 204 mil enterrados. Ainda conforme a delegada, no computador apreendido em sua casa foram encontrados modelos para falsificação de CPFs e carteiras de identidades. Para Gisele Rezende, o grupo migrou para a região Sul Fluminense possivelmente após conseguir contato com o funcionário da Caixa Econômica. Todos os envolvidos até agora foram indiciados por falsificação de documentos, formação de quadrilha e estelionato qualificado. Também foram pedidos bloqueio dos bens como forma de ressarcimento.

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