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22 de Junho de 2014 - 06:00

Entrevista / Júlio Chebli, reitor eleito da UFJF

Por HÉLIO ROCHA

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O reitor eleito da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Júlio Chebli, hoje diretor da Faculdade de Medicina, assume a instituição em 1º de setembro, prometendo imprimir um viés acadêmico em sua gestão. Em entrevista à Tribuna na última terça-feira, uma semana após ser eleito com 59% dos votos, ele falou da necessidade de melhor o diálogo entre os setores de pesquisa e pós-graduação, buscar excelência em pesquisa e internacionalizar a instituição. Entre as primeiras ações, Júlio diz que irá realizar um seminário para discutir políticas estudantis com os alunos e rever o regimento interno da UFJF, para adequá-lo à expansão vivida pela instituição nos últimos anos. Nos próximos meses, até o início de sua gestão, Chebli manterá conversas com reitor Henrique Duque para estabelecer as diretrizes de seu reitorado e formar a equipe para o mandato que se inicia. Chebli também afirma que pretende finalizar todas as obras ainda inacabadas.

 

Tribuna - Por que os eleitores da UFJF o escolheram?

Julio Chebli - Nós procuramos demonstrar o que era possível ser feito nesses quatro anos. O compromisso de finalizar o que foi iniciado e de não deixar obras para trás, este foi o fator decisivo em termos de campanha. Foi tudo muito claro e não prometemos nada que parecesse inexequível. Além disso, não chegamos com um pacote pronto. Fomos ouvindo cada setor da UFJF com suas particularidades. Os estudantes nos pediram um seminário de integração, para discutir assuntos como o modelo de concessão de bolsas, que vai ser realizado o quanto antes. Essa foi uma ideia que partiu dos estudantes. Começamos por Governador Valadares e, depois, percorremos quase todas as unidades acadêmicas de Juiz de Fora. Não deu para ouvir todas porque, infelizmente, o tempo foi curto, em virtude dos dias de debate e dos feriados.

 

- Que visão o senhor tem da conjuntura em que assumirá a universidade?

- As bases do crescimento estão muito bem, construídas ou em construção. Era algo imprescindível para fazermos o avanço acadêmico que pretendemos fazer. Essas bases têm de ser finalizadas, como alguns laboratórios e a Comunicação (novo edifício da Faculdade de Jornalismo). Finalizaremos isso em busca da excelência. Algo que também não pode demorar é a revisão do estatuto da UFJF. Ele está defasado, pois foi elaborado quando tínhamos metade dos alunos, menos cursos de pós-graduação, não tínhamos o campus avançado de Governador Valadares, Jardim Botânico, quase nada. As novas unidades terão estatuto próprio, mas é preciso rever a legislação em seu âmbito maior. Isso será construído em conjunto com a comunidade acadêmica, vamos reunir os setores para ver o que é preciso fazer. O que não pode é ficarmos remendando o estatuto.

 

- Em que pontos o estatuto pode avançar?

- Hoje, muitas vezes, você tenta resolver uma questão burocrática e fica pulando de setor em setor, porque não há nada no regimento que preveja quem vai cuidar de certas demandas. Fica um tal de "não é comigo, não é comigo" que atrasa os serviços na UFJF. Não existe uma diretriz que defina quem cuida de quê. Rever o regimento vai fazer com que as pessoas saibam melhor onde ir, se certas demandas podem ou não ser atendidas. Não é para criar amarras jurídicas, porque obviamente deve haver flexibilidade, mas para criar regras que definam as ações e quem cumpre com elas.

 

- Qual marca pessoal o senhor pretende imprimir nos primeiros meses de gestão?

- Vamos falar de pós-graduação. Hoje a universidade avançou muito nisso, criou e expandiu núcleos nos últimos oito anos. A questão agora é consolidar os núcleos de pesquisa, e, para isso, é preciso dar mais conexão às pró-reitorias de Pesquisa (Propesq) e Pós-Graduação (Pro-PG), para que a busca de excelência na pós-graduação e na pesquisa andem juntas. Isto esteve um pouco desconectado nos últimos anos. Além disso, é preciso apoiar os laboratórios de pesquisa, implementar ou finalizar laboratórios no ICB (Instituto de Ciências Biológicas) e no ICE (Instituto de Ciências Exatas). Será fundamental, também, avançarmos na internacionalização, parcerias e convênios, o que foi muito ampliado, mas pode melhorar. É preciso dar condições, na UFJF, de receber os pesquisadores externos. A pessoa vêm à universidade e não tem um lugar para ficar, um escritório. É preciso institucionalizar isso, até para a pessoa voltar à UFJF depois que passar a visita.

 

- Isso tudo entra em consonância com o que foi debatido durante a campanha?

- Sempre vai ser assim, quando houver expansão. Quando a gente terminar o nosso mandato de quatro anos, o sucessor terá de fazer ajustes internos. A nossa graduação sempre foi forte, mas é preciso dar mais estrutura para os cursos noturnos. Diversos setores funcionam até 17h ou 18h, o que prejudica diversos estudantes. Também precisamos trabalhar melhor o transporte interno e externo, ou seja, aqueles providos pela UFJF para locomoção dentro do campus e aqueles que são obrigação da Prefeitura, que trazem o aluno à universidade. Neste último caso, precisamos cobrar melhorias nos horários de pico e no transporte noturno para o campus.

 

- A UFJF tem algumas obras em atraso, como Jardim Botânico, Planetário, moradia estudantil, Hospital Universitário e Parque Tecnológico. Como resolver essas pendências?

- Os atrasos no Hospital Universitário, por exemplo, são decorrentes de uma demanda do MEC (Ministério da Educação), que queria ampliar o hospital em relação ao que já tinha sido programado. O número de leitos de CTI foi para 50. Tudo que entra de novo na obra tem de ser submetido ao TCU (Tribunal de Contas da União) para aprovar. Isso atrasou bastante. Agora as obras já retornaram, e a gente espera que não haja mais atrasos. O Parque Tecnológico teve um problema com a empresa licitada, que desistiu. Agora, nós vamos fazer uma outra licitação, que deve ocorrer antes de eu assumir. A moradia foi uma questão de mobiliário, que é menos complicado, e se o Henrique não entregar, eu entrego. Em geral, o mesmo vale para as outras obras. São problemas da burocracia. E, por isso, precisamos contar com pessoal técnico especializado e uma gestão de contratos bem feita, com boas amarras, para que não aconteçam problemas que podem ser evitados.

 

- Quanto à obtenção de recursos, o senhor disse que pretende manter os canais já existentes, muitos deles abertos pelo atual reitor, mas que deve criar novas parcerias.

- A gente já tem uma parceria importante com o estado(de Minas Gerais), por exemplo, na área de saúde, com hipertensos crônicos. O atendimento funciona em São Pedro, no centro comercial do bairro. Atende diabéticos, hipertensos e pessoas com problemas renais. É preciso mostrar a importância dessa ação para o município e a região. Estabelecer projetos conjuntos com o estado e o município é algo que beneficia a população e aumenta a captação de recursos. Em Brasília, obviamente, a captação de recursos também é fundamental.

 

- Quanto à composição dos quadros da reitoria em sua gestão, o senhor já tem estudado o perfil que mais quer? Já tem discutido sobre nomes?

- Nossa equipe será uma equipe técnica, sem dúvida. Isso é fundamental. Competência e descentralização por competência. Área de comunicação quem cuida é comunicação, exatas é exatas, pesquisa é pessoal de pesquisa. Pessoas experientes que já mostraram que fazem a diferença, na história da universidade. A UFJF tem cérebros em todas as áreas, não precisamos importar especialistas. Obviamente alguma questão política vai haver, mas tudo discutido no meio acadêmico, sem questão partidária. Alguns quadros atuais podem ser aproveitados, mesmo que não seja no mesmo setor, mas haverá muitos nomes novos. Meu viés será mais acadêmico. Ainda não conversei com ninguém e, garantido mesmo, só o meu vice-reitor, que é o Marcos Vinício Chein Feres.

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