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01 de Junho de 2014 - 06:00

Pimenta da Veiga é pré-candidato ao Governo de Minas pelo PSDB

Por RENATO SALLES

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Pré-candidato diz que eleitor vai decidir diante do conjunto formado por Aécio, Pimenta, Dinis e Anastasia
Pré-candidato diz que eleitor vai decidir diante do conjunto formado por Aécio, Pimenta, Dinis e Anastasia

Dezesseis anos após ser eleito para seu quarto mandato como deputado federal, em 1998, o ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga (PSDB), volta a colocar seu nome para a apreciação do eleitorado. Pré-candidato tucano ao Governo de Minas Gerais, Pimenta foi escolhido como nome de consenso do grupo político que está há 12 anos à frente do Executivo estadual e conta com quadros como o senador Aécio Neves (PSDB), pré-candidato à Presidência, o ex-governador Antonio Anastasia (PSDB) e o atual ocupante do Palácio Tiradentes, o governador Alberto Pinto Coelho (PP).

Na última quinta-feira, Pimenta da Veiga recebeu a Tribuna em seu apartamento, no Bairro Savassi, em Belo Horizonte. Nesta entrevista exclusiva, o tucano fala sobre os planos que pretende apresentar ao eleitorado a partir de julho e faz críticas ao Governo federal, no que classifica como omissão da União em relação a Minas Gerais. Ex-ministro da gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ele pretende dar continuidade aos três últimos governos e garante que a educação será a prioridade de sua gestão caso seja eleito para um possível mandato à frente do Governo de Minas.

 


Tribuna - Até o início desde ano, outros nomes ligados à base governista, como o presidente estadual do PSDB, o deputado federal Marcus Pestana, apresentavam-se como pré-candidatos ao Governo. Como foi a construção de sua pré-candidatura?

Pimenta da Veiga - Desde o ano passado, coloquei-me à disposição do partido. Serão eleições muito importantes, que não irão apenas eleger novos representantes, mas definir, a partir de Minas Gerais, o futuro do Brasil, por conta do pleito presidencial. A convergência em torno de meu nome foi natural. Conversei com todos e, ao final, chegamos à conclusão de que, no momento, o meu nome reunia melhores condições. Todos foram extremamente receptivos e desprendidos. Estamos todos integrados em um mesmo projeto, que busca a eleição para o Governo do estado e o fortalecimento da candidatura de Aécio Neves à Presidência.


- Como está a construção do seu projeto de governo? A principal bandeira deste projeto será a continuidade?

- É importante dar seguimento às grandes linhas iniciadas pelo Governo Aécio Neves, que foram continuadas com Antonio Anastasia e, agora, com Alberto Pinto Coelho. Foram três governos muito exitosos que trouxeram a Minas muito desenvolvimento e um conjunto de mudanças muito importante. Queremos ir além. Vamos aproveitar o patamar que foi estabelecido e daremos continuidade a tudo que foi iniciado. A partir daí, queremos definir uma prioridade, que é a educação. Queremos fazer uma verdadeira revolução na educação. Quando se dá prioridade a um setor é para ele que vão convergir as principais atenções e os principais recursos. Tudo começará com uma parceira importantíssima com os professores. Eles têm que estar convencidos de que podem ser atores de uma mudança da história de Minas.


- Há projetos para a Zona da Mata?

- Pretendo fazer um calendário de visitas à Zona da Mata. Alguém que queira governar bem Minas, não pode deixar de estar afinado com Juiz de Fora. A região tem algumas vocações que precisam ser apoiadas. Temos, por exemplo, o polo moveleiro de Ubá, a vocação para a saúde em Muriaé e a vocação industrial de Juiz de Fora. Enfim, temos várias vocações que precisam ser estimuladas. O Governo do estado deve ser um parceiro atento. Por tudo que representa a Zona da Mata precisa ter uma grande atenção do Governo de Minas.

 
- Juiz de Fora vivencia um problema que atinge outras cidades do estado, o do crescimento dos índices de violência. Como o senhor acha que o próximo Governo deve se comportar para conter este avanço?

- Há informações de que ocorreram 56 mil homicídios no Brasil em um ano. Isso é uma verdadeira guerra civil. Se você analisar a matriz do crime no país, vai ver que ela decorre de uma omissão do Governo federal. Mais de 60% da criminalidade decorre das drogas e do tráfico de armas. Por que isso acontece? Porque as fronteiras brasileiras estão escancaradas. Porque o Governo federal não cuidou de vigiá-las e impedir que as armas e drogas entrassem no país. Sendo assim, o controle da criminalidade fica mais difícil. O que cabe ao Governo do estado é melhorar o policiamento ostensivo. A presença do policial ou de um veículo policial com a sirene ligada trazem ao bandido preocupação e ao cidadão, um sentimento de segurança.


- Como o senhor vê a queixa do Governo estadual de que há certo desinteresse no repasse de recursos federais para Minas?

- É impressionante o descaso e a omissão do Governo federal com relação a Minas. Temos na Região Metropolitana de Belo Horizonte muitos exemplos disso. Aqui há um anel rodoviário que está projetado há muito tempo e que já deveria ter sido feito. Além de não fazer, o Governo federal deixa de cuidar do que já existe, que é um trecho de rodovia federal. Quero citar um caso de Juiz de Fora: o desvio ferroviário da linha que divide a cidade, que há tanto tempo é reivindicado. Até hoje, o Governo federal não se mexeu porque é uma coisa mineira, e ele não está preocupado com Minas.


- Em 1990, o senhor disputou o Governo do estado e acabou em terceiro lugar, atrás de Hélio Garcia (eleito) e Hélio Costa. Hoje, várias pesquisas colocam o candidato do PT em vantagem na corrida eleitoral. Como o senhor vê a disputa esse ano?

- Nossa campanha ficou em festa quando essas pesquisas saíram. Elas são extremamente positivas para nós. Meu nome está colocado como pré-candidato há 90 dias. O nosso concorrente é candidato há quatro anos. Estarmos com números tão próximos, em tão pouco tempo, é um motivo de grande contentamento. Nessa altura, o número das pesquisas não é o principal. O principal são os indicadores que são muitos: rejeição, nível de conhecimento, tendência de voto. Os indicadores nos dão enorme confiança. Nossa chapa tem para o Senado, Antonio Anastasia. Para vice-governador, Dinis Pinheiro. E para a Presidência da República, Aécio Neves. O eleitor vai decidir diante deste conjunto.


- Recentemente, o senhor foi indiciado pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro por receber repasses da agência de publicidade SMP&B, ligada a Marcos Valério. Nas últimas semanas, o presidente estadual do PMDB (o ex-ministro Antônio Andrade) acusou o PSDB mineiro de oferecer R$ 20 milhões pelo apoio peemedebista nas eleições. Como o senhor vê essas acusações?

- O grande orgulho e patrimônio que eu tenho é minha conduta moral. A acusação a mim é simplesmente cretina. Eu era advogado e não tinha nenhuma função pública. À época, firmei contrato com uma das empresas mais conceituadas de Minas. Recebi os honorários em depósitos bancários, como sempre fiz. Houve as declarações e os pagamentos dos impostos devidos. Essa acusação é irresponsável e cretina, e será corrigida a seu tempo. Quanto a acusação feita ao presidente do partido (o deputado federal Marcus Pestana), ele reagiu como um homem de bem, manifestou sua indignação e está acionando o presidente estadual do PMDB, que teve um atitude inacreditável. Estão querendo levar a política de Minas a um lodaçal que não é o nosso ambiente político. Mas os eleitores mineiros estão observando, e tenho certeza de que farão um justo julgamento.

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