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12 de Março de 2014 - 06:00

Vereador petista foi detido por desacato e resistência à prisão depois de deixar carro parado na Avenida Rio Branco

Por Tribuna

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Vereador afirma que os PMs agiram com truculência
Vereador afirma que os PMs agiram com truculência

O comando da Polícia Militar (PM) de Juiz de Fora vai instaurar procedimento administrativo para apurar se houve abuso durante a abordagem que culminou na detenção do vereador Wanderson Castelar (PT) por desacato e resistência à prisão na madrugada desta terça-feira (11), no Centro da cidade. Ele teria resistido a uma abordagem policial e foi encaminhado, por volta de 1h, para a 7ª Delegacia Regional de Polícia Civil, sendo autuado por resistência, crime previsto no artigo 329 do Código Penal. Depois de ouvido, Castelar assinou o termo circunstanciado de ocorrência (TCO) e foi liberado após as 3h. O parlamentar vai responder no Juizado Especial Criminal, com audiência já marcada para o dia 24 de abril. O vereador afirma que os policiais agiram com truculência e argumenta que a atitude dos militares motivou sua resistência. Durante a confusão, dois dos quatro militares envolvidos na operação e o próprio Castelar teriam sofrido escoriações.

Na tarde desta terça, o comandante do 2º Batalhão, tenente coronel Renato Sampaio Preste, e o comandante da 30ª Companhia, capitão Erivelton Soares, estiveram na Câmara Municipal. Eles disseram ao presidente da Casa, Julio Gasparette (PMDB), que a PM vai instaurar um procedimento administrativo para apuração dos fatos ocorridos na madrugada desta terça. Caso seja constatada alguma irregularidade na ação dos policiais, os mesmos, segundo a assessoria, serão punidos. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) emitiu documento, no final da tarde, pedindo apuração isenta dos fatos e ampla defesa do contraditório.

De acordo com o documento policial, uma viatura deslocava-se pela Avenida Rio Branco, no sentido Manoel Honório/Bom Pastor, na altura da Praça do Riachuelo, quando os militares avistaram um Volkswagen Gol branco em parada irregular no lado oposto da pista. Os ocupantes, Castelar e sua companheira, tinham saído do carro e caminhavam no sentido do Mergulhão. Os militares foram verificar o que estava acontecendo e pediram que o vereador se identificasse. A princípio, segundo a PM, ele teria se negado a mostrar os documentos. A versão não é confirmada pelo parlamentar, que diz ter apresentado prontamente a carteira de identidade, sem revelar seu cargo de vereador. Entretanto, posteriormente, segundo o registro policial, Castelar teria ameaçado deixar o local da ocorrência, recusando-se a esperar até que os militares realizassem consulta ao sistema de informações.

Castelar afirma que o veículo ficou parado depois de ter apresentado problemas, possivelmente no motor. Por causa disso, ele e a mulher deixaram o automóvel na via para pedir ajuda, tendo o vereador atravessado a Rua Benjamin Constant, na esquina com a Avenida Rio Branco. Quando voltava para a calçada junto à praça, ele foi abordado pelos militares, que pediram-lhe identificação. Assustado, ele diz ter permanecido na rua. "Me apresentei como cidadão, mas fui abordado de forma rude e, no papel que todos nós temos de cobrar da polícia uma atuação correta, exigi ser tratado com mais educação." A cobrança, segundo Castelar, teria motivado o sargento que chefiava a viatura a interpretar a reação como desacato.

Quando o semáforo da Benjamin Constant abriu e os carros voltaram a circular pela rua, o parlamentar diz ter se assustado e, confuso pela situação, caminhado para o outro lado da rua. "Estava nervoso com a atitude dos policiais. Quando os carros vieram, a única coisa em que pensei foi em voltar para onde estava." A atitude teria sido considerada desrespeitosa pelos policiais, e o sargento o teria agredido e dado voz de prisão. "Um deles, o sargento que comandava a viatura, veio atrás de mim, me deu uma gravata e me jogou no chão."

De acordo com o registro policial, o sargento deu a Castelar voz de prisão por desobediência no instante em que ele se afastava pela Rua Benjamin Constant. O parlamentar teria respondido que não seria preso de maneira alguma e, então, motivado o uso de força de "forma moderada". O vereador teria resistido à detenção, obrigando os militares a utilizar técnicas de imobilização e condução. O documento traz ainda testemunho de taxistas que estavam no local, que confirmaram a versão dos policiais. Entretanto, o parlamentar afirma que os profissionais foram coagidos.

Um cabo que participava da abordagem, 32 anos, relatou ter sofrido escoriações no braço esquerdo e na mão direita, e um sargento, 42, nos braços e nos lábios. Os ferimentos sofridos por Castelar não foram especificados, mas consta no documento policial que ele preferiu não ser conduzido para atendimento médico. O vereador solicitou, nesta terça pela manhã, a realização de exame de corpo de delito. Segundo a assessoria de comunicação da PM, todos os procedimentos utilizados pelos militares estão previstos no manual da instituição, e a dureza da abordagem policial no local se dá em virtude do alto índice de violência registrado na região.

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