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23 de Março de 2014 - 06:00

Frente ao flerte de petistas e tucanos, peemedebistas locais defendem tese de candidatura própria, que tem apoio de 86% dos delegados

Por RENATO SALLES

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Cobiçado por PT e PSDB para a composição de chapas visando a sucessão do governador Antonio Anastasia (PSDB), o PMDB mineiro ainda não definiu qual estrada irá seguir nas eleições de outubro. Os caminhos são os mais variados possíveis. As alternativas vão desde uma empreitada própria, que poderia ser encabeçada pelo senador Clésio Andrade, até alianças com as pré-candidaturas tucana, que lançou o ex-ministro Pimenta da Veiga, ou petista, que irá correr com o também ex-ministro Fernando Pimentel. O clima de indefinição se acentuou ainda mais com o retorno do deputado federal Antônio Andrade à presidência estadual da sigla na última quinta-feira. Ex-ministro da Agricultura do Governo Dilma Rousseff, Andrade é favorável a reedição da dobradinha nacional com o PT na esfera estadual. O intuito bate de frente com as articulações de seu antecessor, o deputado federal Saraiva Felipe, que, além de manter conversas com lideranças do tucanato mineiro, é defensor da tese da candidatura própria.

Em Juiz de Fora, as principais lideranças da legenda, entre elas o prefeito Bruno Siqueira e o presidente da Câmara, o vereador Julio Gasparette, afinam discurso favorável à tese de candidatura própria ao Governo do Estado. "É uma unanimidade entre os peemedebistas da cidade. Isso foi reafirmado na nossa última reunião realizada este mês", afirma o presidente do diretório local do PMDB, Paulo Gutierrez. O entendimento também é compartilhado pelos vereadores André Mariano e Antônio Aguiar. De acordo com levantamentos da sigla, 86% dos delegados que votam na convenção estadual defendem uma empreitada peemedebista. Embora não signifique que o martelo esteja batido, a possibilidade de o partido sair com candidato próprio ao Governo do estado ganhou força com a confirmação, nas últimas semanas, das pré-candidaturas de Hélio Costa e do empresário Josué Christiano Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar, ao Senado.

Por outro lado, mais do que os anseios pessoais de seu presidente estadual, a tese de uma candidatura própria do PMDB esbarra na força dos partidos que já viabilizaram nomes para a disputa do Palácio Tiradentes. Respectivamente, PT e PSDB têm nas mãos os governos federal e estadual. O controle das máquinas administrativas dará sustentação às campanhas de Fernando Pimentel e Pimenta da Veiga. Nesse cenário, petistas e tucanos tentam seduzir as lideranças peemedebistas com ofertas de postos importantes nas chapas que irão apresentar aos eleitores. Por um lado, o PT acena com a vaga de vice-governador para Antônio Andrade. Por outro, em troca de uma possível composição com o PMDB, o PSDB cogita oferecer a Clésio Andrade a possibilidade de se reeleger ao Senado. Cenário que tiraria do páreo o governador Antonio Anastasia, que já anunciou sua desincompatibilização do Governo no próximo dia 4, a tempo de viabilizar-se como candidato em outubro, caso esta seja a vontade de seu grupo político.

De cima para baixo

A indefinição deve se prolongar até junho, quando serão realizadas as convenções partidárias para a escolha dos candidatos ao pleito que irá eleger presidente, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. Apesar de boa parte da militância defender a tese da candidatura própria, os adeptos da aliança com o PT podem vencer a queda de braço em caso de o diretório nacional do PMDB determinar a reedição da dobradinha já consolidada na esfera nacional. Um indicador de que isto pode acontecer foram os discursos recentes de Antônio Andrade e do vice-presidente Michel Temer (PMDB) em defesa do Governo federal e da presidente Dilma. Temer, inclusive, chegou a afirmar que os desentendimentos entre parte da bancada peemedebista na Câmara dos Deputados - o chamado "blocão", encabeçado pelo líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ) - já estão sendo sanados.

 

 

'Vou até o fim com minha pré-candidatura'

Maior interessado na tese da candidatura própria e único nome colocado até o momento como pré-candidato do PMDB ao Governo do Estado, o senador Clésio Andrade garante que irá em busca de seu objetivo. "Continuo firme nesse propósito. Tanto que reafirmei minha posição após a posse do Antônio Andrade (deputado federal e ex-ministro da Agricultura que reassumiu a presidência do PMDB-MG na última quinta-feira). Estou disposto a levar meu nome até a convenção do partido, em junho. Vou até o fim com minha pré-candidatura. Já temos nomes que se colocam como possíveis candidatos ao Senado, como o Josué (Christiano Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar) e o Hélio Costa. Isso mostra que temos condições de apresentar uma chapa forte."

Apesar de reconhecer o intuito de Antônio Andrade em viabilizar uma dobradinha com o PT no estado, Clésio não acredita que o anseio pessoal do presidente estadual do PMDB seja um empecilho para consolidar seu nome como candidato a governador. "O Toninho é um democrata e irá debater o posicionamento do partido com seus companheiros. Mesmo que ele coloque sua vontade pessoal em discussão, já que há a possibilidade de ser candidato a vice-governador na chapa petista encabeçada pelo Fernando Pimentel (ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), quem irá decidir é o partido."

No discurso de momento, o senador descarta a possibilidade de acordo com o PSDB para lançar seu nome como candidato à reeleição ao Senado, além de atacar uma possível composição com o PT. "Para mim, candidatura à 'vice' não existe. Isso é composição. É algo para ser discutido mais adiante. No momento, temos que entender a vontade do partido. Já fizemos consultas às bases e temos pesquisas que apontam que 86% dos delegados regionais são favoráveis a uma empreitada própria. A proposta é apresentar candidatura e buscar apoio de outras legendas. Já iniciamos conversas com alguns partidos, como o PRTB. Porém o fato de estarmos atrasados em nossa decisão pode atrasar essas negociações."

 

Proporcionais

Apesar de o discurso uníssono dos peemedebistas juiz-foranos em favor da candidatura própria ao Governo do estado, a coisa muda de figura quando o assunto são as eleições proporcionais. Até o momento, o PMDB local não viabilizou nenhum postulante à Assembleia Legislativa de Minas Gerais ou à Câmara dos Deputados. Capitaneada pelo prefeito Bruno Siqueira (PMDB), a legenda caminha para apoiar o vereador Isauro Calais (PMN) em sua candidatura a deputado estadual. Aos poucos, a corrente interna favorável ao lançamento de um nome próprio vem sendo minada, embora ainda exista resistência. Quanto à disputa pelo Congresso Nacional, a tendência de momento é de apoio a Elder Abreu. Apesar de ser um nome ligado ao partido, o empresário mantém reduto eleitoral na cidade de Muriaé.

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