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30 de Maio de 2014 - 07:00

Obra viária foi entregue por Bruno, enquanto docentes faziam manifestação. Motoristas que circularam pelo local enfrentaram retenção de quase duas horas

Por Hélio Rocha (colaboraram Cíntia Charlene e Eduardo Valente)

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Docentes caminharam até a nova ponte, na Av. Brasil
Docentes caminharam até a nova ponte, na Av. Brasil

A inauguração da Ponte Luiz Ernesto Bernardino, na Avenida Brasil à altura do Clube Tupynambás, foi inaugurada nesta quinta-feira (29) sob protesto dos professores municipais, em greve desde o dia 21 deste mês. Os docentes, que discordam do percentual de reajuste salarial oferecido pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), fizeram passeata da Praça da Estação até a ponte. O movimento ocorreu no horário previsto da solenidade, sendo direcionado pela Polícia Militar (PM) para o lado oposto àquele em que ocorria a cerimônia. Após breve discurso do prefeito Bruno Siqueira (PMDB), a obra foi entregue e, sob os fogos de artifício programados para o encerramento, os manifestantes fizeram a primeira travessia da ponte, chegando até o local do evento, onde finalizaram o ato público de forma pacífica. Bruno deixou o evento antes da chegada dos manifestantes. A obra viária é uma das principais realizações da atual Administração e promete melhorar o tráfego na Avenida Brasil, extinguindo a mão dupla do Bairro Santa Tereza, Zona Sudeste, até a Ponte de Santa Therezinha, Zona Nordeste.

Foi destinado à região esquema especial de segurança, que interrompeu o fluxo na Avenida Brasil - sentido Vila Ideal - na altura da Ponte Nelson Silva, próxima à Rua Espírito Santo, isolando a área onde transcorria a cerimônia. O trânsito ficou lento e foi desviado pela Rua Djalma de Carvalho, formando retenções por aproximadamente duas horas na região do Viaduto Itamar Franco, Avenida Brasil, Rua Espírito Santo e redondezas. Partindo às 18h da Praça da Estação, os professores simularam uma procissão com velas nas mãos, percorrendo a Rua Espírito Santo até chegar à inauguração da ponte na Avenida Brasil. Eles utilizaram carro de som e gritaram palavras de ordem. A manifestação foi anunciada na terça-feira, quando o Sindicato dos Professores de Juiz de Fora (Sinpro-JF) deliberou em assembleia a realização do ato público em paralelo à inauguração. O objetivo do protesto, segundo a categoria, foi pressionar o Governo a reajustar os vencimentos de todo o magistério em 8,32%, conforme o estabelecido pela atualização nacional do piso.

Bruno chegou ao evento, marcado para as 19h, por volta das 19h20, quando já se reuniam no local diversos apoiadores, secretários e vereadores. A cerimônia de entrega, que reuniu cerca de 200 pessoas, durou cerca de vinte minutos, divididos entre a apresentação dos convidados, a fala do prefeito e a entrega simbólica da placa inaugural da obra. Enquanto o chefe do Executivo falava ao público, cerca de cem manifestantes gritavam palavras de ordem e balançavam bandeiras do outro lado da Avenida Brasil. "Este é um passo importante para melhorarmos a mobilidade urbana no município", disse Bruno, em breve discurso. Segundo a Prefeitura, a nova ponte, aliada à Ponte Wilson Coury Jabour, entregue no ano passado, deve contribuir para organizar melhor o trânsito na região, implementando a mão única nos dois lados da Avenida Brasil. A partir de agora, um lado da avenida fará trajeto Sul-Norte, ao passo que no outro transitará o fluxo Norte-Sul.

Em negociação com a PM, os manifestantes foram liberados para atravessar a ponte enquanto transcorria o discurso do prefeito. A travessia coincidiu com o encerramento da solenidade. Segundo a PJF, o evento ocorreu conforme o programado, e os professores foram mantidos à distância pela polícia, para garantir a segurança dos presentes, sendo liberados para protestar após o encerramento da cerimônia. De acordo com o Sinpro-JF, no entanto, a travessia se deu mediante negociação. Os docentes permaneceram alguns minutos no local, onde gritaram palavras de ordem e fizeram vaia simbólica ao chefe do Executivo, dispersando o ato em seguida.

 

 

Sinpro e PJF se reúnem no momento do protesto

Enquanto o grupo de professores realizavam manifestação, lideranças do Sinpro faziam reunião com a secretária de Administração e Recursos Humanos, Andreia Goreske, o secretário de Finanças, Fúlvio Albertoni, e o titular da pasta de Educação, Weverton Vilas Boas. O encontro rendeu poucos avanços nas negociações salariais, em que os professores recusam-se a aceitar o percentual de 6,42% de reajuste oferecido pela Administração, exigindo o valor estabelecido pelo Governo federal, na atualização anual do piso. Secretários de educação, que integram o quadro municipal do magistério, também pedem a redução da jornada de trabalho, que hoje é de 40 horas, para um terço da carga horária. Segundo a Prefeitura, a reunião desta quinta foi encerrada sem avanços, e novo encontro está marcado para a próxima terça-feira. Os professores realizam assembleia nesta sexta, às 10h30, na Sociedade de Medicina.

"O percentual de aumento, o não parcelamento do reajuste e a redução da jornada de trabalho dos secretários são pontos da pauta que o sindicato não está disposto a negociar. Queremos o valor estabelecido pelo MEC", disse o secretário de Finanças do Sinpro, José Roberto Abou Kalam. A PJF, nas últimas reuniões com o sindicato, tem oferecido 6,42% de aumento para todos os quadros do magistério. Entretanto, a categoria mostra-se insatisfeita com a forma de pagamento dos reajustes, uma vez que os docentes, conforme a proposta, receberão sob forma de abono o pagamento retroativo a janeiro, após o fechamento do acordo. A partir de maio, ainda segundo o índice oferecido pela PJF, o Executivo vai pagar 5,5% de aumento, sendo que os 0,92% restantes serão pagos em forma de abono até outubro e incorporados aos vencimentos em novembro.

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