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27 de Junho de 2014 - 06:00

Candidatura de ex-prefeito foi homologada por comissão especial por dez votos a sete em BH; nome será levado para convenção nacional

Por PAULO CÉSAR MAGELLA - EDITOR-GERAL

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Tarcísio: "Me chamaram e disseram que meu nome podia levar a bandeira do partido, e eu aceitei"
Tarcísio: "Me chamaram e disseram que meu nome podia levar a bandeira do partido, e eu aceitei"

O ex-prefeito Tarcísio Delgado vai disputar o Governo do estado pelo PSB. Seu nome foi homologado nesta quinta-feira (26) pela comissão especial constituída pela Executiva do PSB de Minas Gerais, cuja missão era avaliar dois projetos: a candidatura própria ou a coligação com o PSDB. Por dez votos a sete, foi definida a candidatura, que nasce respaldada pelo PPL, pelo PHS e pela ala dissidente da Rede Sustentabilidade de Marina Silva. Até a semana passada, os seguidores da ex-ministra apostavam no nome do ambientalista Apolo Heringer. Um dia antes da convenção estadual, ele retirou a candidatura certo de que o deputado Júlio Delgado - presidente do diretório - seria homologado. Para surpresa de muitos, mas não dos parlamentares da legenda, Júlio articulou a criação de um grupo especial para tratar do assunto. Desde a semana passada, a equipe tem feito várias reuniões chegando ao nome de Tarcísio na última terça-feira.

O próprio ex-prefeito deu pistas. Nesta quinta-feira (26), pelo Facebook, ele postou nota dizendo que tinha chegado de viagem: "Acabo de chegar de Brasília. Deveremos ter notícia novíssima nestes próximos dias". A novidade não durou tanto. No mesmo momento, a cúpula socialista avaliava seu nome, numa reunião que se desdobrou pelo dia inteiro. Já passavam de 18h quando Júlio Delgado deu a notícia: "Deliberamos pelo nome do Tarcísio por ser um quadro qualificado e com história". Ele acentuou que estava sendo criada também uma oportunidade de se fazer justiça ao ex-prefeito. "Ele tentou ser candidato pelo PMDB e nunca conseguiu a indicação. Nós do PSB estamos lhe dando essa oportunidade."

Júlio tratou rapidamente da inserção do PSB na disputa estadual depois de tanto tempo ser visto como um parceiro do PSDB. No seu entendimento, os socialistas criam uma oportunidade de enfrentar o modelo imposto por Brasília, apontando para a candidatura do ex-ministro Fernando Pimentel, pelo PT, e uma chance de substituir o que já aconteceu, falando sobre os tucanos de Pimenta da Veiga. Ele parecia aliviado depois de um período de tensão, quando havia uma indefinição sobre o futuro da legenda, comprometido pelo fim do prazo legal para homologação de candidaturas, que ocorre no próximo dia 30.

O presidente do diretório estadual admitiu também que havia em pauta a situação dos deputados e do projeto político do candidato a presidente Eduardo Campos. Com a candidatura própria, cria-se um palanque oficial em Minas, o segundo colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo, e desejado pela direção nacional. Desde a semana passada, os dirigentes insistiam, inclusive em declarações à imprensa, que não havia outro caminho senão o projeto próprio.

Quanto aos deputados, a preocupação passa pelo próprio futuro da bancada e pelas ações do Congresso. Além de já ter cedido um parlamentar para vice do governador Geraldo Alckmin, se Júlio Delgado fosse o candidato, o partido teria que abrir mão da relatoria que está tratando do deputado André Vargas, ex-filiado ao Partido dos Trabalhadores, na iminência de ser cassado por ferir o decoro parlamentar ao se envolver com um doleiro. Seu julgamento dá visibilidade nacional ao PSB e ao próprio Eduardo Campos, já que o relator é um dos seus principais escudeiros no Congresso. O nome de Tarcísio será apresentado neste sábado (28) na convenção nacional do partido.

Durante a reunião da comissão especial, os ex-deputados Maria Elvira e Isaías Silvestre, o deputado estadual Wander Borges, o presidente do PSB na capital, João Marcos, o vereador Daniel Nepomuceno e Janete Maria de Souza, integrante da executiva estadual ligada ao prefeito Marcio Lacerda (PSB) e presidente do Atlético, Alexandre Kalil, votaram contra a candidatura própria. Marcio Lacerda teria passado pela sede do partido, mas não acompanhou a votação.

 

Novo desafio

Prestes a completar 79 anos no dia 4 de outubro, o ex-prefeito Tarcísio Delgado disse que sua indicação é mais um desafio na sua longa carreira política. Mesmo tendo se afastado da vida pública, em momento algum deixou a militância. Seu gesto mais recente foi a filiação ao PSB, depois de uma vida inteira no PMDB, partido que ajudou a fundar e que deixou depois de perder espaço na convenção que indicou o então deputado estadual Bruno Siqueira para candidato a prefeito. "É um desafio muito grande, mesmo que não haja perspectiva de vitória", acentuou. Tarcísio enfatizou que em momento algum pleiteou a candidatura, mas, com ela homologada, irá à luta com todas as forças que dispõe.

Ele confirmou as conversas em Brasília, quando foi chamado pela bancada federal. Foram dois dias de articulações que culminaram com a decisão de quinta. "Me chamaram e disseram que meu nome podia levar a bandeira do partido, e eu aceitei." Com seu jeito franco, disse aos deputados que não tinha estrutura, mas obteve garantias de que essa questão seria resolvida pelo diretório. Ele recebeu o resultado da reunião de quinta, em Belo Horizonte, pela Tribuna, em sua casa em Juiz de Fora. Como o encontro ainda não tinha terminado, pois os membros da comissão ainda iriam avaliar outras demandas, só mais tarde é que conversaria com seu filho, o deputado Júlio Delgado, quando lhe seriam passados detalhes da reunião. O próximo passo é retornar a Brasília para apresentação de sua candidatura ao diretório nacional e ao próprio Eduardo Campos, a quem conhece, embora sua militância no Congresso tenha sido dividida com o avô do candidato, o ex-governador Miguel Arraes.

 

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