Reunião em Brasília discute futuro da Mercedes em JF


Por GRACIELLE NOCELLI

09/10/2014 às 06h00- Atualizada 09/10/2014 às 12h49

Uma reunião hoje em Brasília promete discutir o futuro da planta local da Mercedes-Benz. Articulada pela deputada Margarida Salomão (PT), a audiência deve reunir, além da parlamentar, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges, o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) e representantes da Mercedes, da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg-Zona da Mata) e do Sindicato dos Metalúrgicos. Em seu Twitter, a parlamentar divulgou que a reunião será nesta quinta-feira, às 18, no gabinete do ministro. Conforme nota da assessoria de Margarida, Mauro Borges irá pedir à montadora que interrompa a transferência da produção de caminhões para São Bernardo do Campo (SP) enquanto as partes não voltem a negociar a situação da planta local. Amanhã, o Sindicato se reúne na cidade com o prefeito.

Ontem, segundo dia de paralisação das atividades na fábrica, cerca de 400 funcionários estiveram na Câmara Municipal para pedir apoio do Legislativo de forma a evitar o esvaziamento da unidade juiz-forana. Durante reunião com os vereadores, os trabalhadores, que lotaram o plenário e o saguão da casa, receberam com otimismo a notícia da criação de uma comissão especial formada por Rodrigo Mattos (PSDB), Roberto Cupolilo (Betão – PT), Nilton Militão (PTC) e Chico Evangelista (PP) para tratar do assunto.

 Cerca de 400 funcionários estiveram na Câmara Municipal para pedir apoio do Legislativo
Cerca de 400 funcionários estiveram na Câmara Municipal para pedir apoio do Legislativo

Paralisação

O movimento dos metalúrgicos começou ontem às 6h da manhã, em frente à sede da empresa, onde as duas portarias foram interditadas. Funcionários diretos e indiretos da montadora aderiram à mobilização e seguiram em carreata para o Centro. Em frente à Câmara, eles esperaram o término da audiência pública que discutiu o aumento da tarifa da passagem de ônibus para se reunirem com os vereadores.

A paralisação das atividades na fábrica segue por prazo indeterminado. A decisão, segundo informações do sindicato, foi tomada diante do comunicado que teria sido feito pela diretoria da empresa, na última terça-feira, sobre a intenção de suspender a produção de caminhões. A planta juiz-forana ficaria responsável apenas pela montagem e pintura da estrutura de cabines dos veículos, o que reduziria em dois terços o número de trabalhadores. “O desenho que eles fazem sobre o futuro é o pior possível, com expectativa de esvaziamento total da fábrica em 2018”, afirma o presidente do sindicato, João César da Silva. “Nossa chance de reverter esse quadro é agora e, para isso, precisamos unir forças. O município investiu muito nessa empresa.”

De acordo com João César, a Mercedes teria afirmado que em 2016 será encerrada a produção do caminhão Accelo, principal produto da planta local. Atualmente são fabricados, em média, oito mil veículos deste modelo por ano. Já o Actros, que possui média anual de produção de mil unidades, deixaria de ser fabricado em 2018. “Os impactos negativos não são só para a nossa categoria, mas para a economia de Juiz de Fora. A Prefeitura já afirmou que a Mercedes é a principal arrecadadora de impostos na cidade.”

Procurada pela Tribuna, a assessoria da Mercedes declarou apenas que “não confirma as demissões na planta de Juiz de Fora, conforme está sendo divulgado”, e que, “em relação à paralisação, está aberta para ouvir o Sindicato e conversar com os trabalhadores”.

 

Ações

Reconhecendo a “gravidade da situação”, o presidente da Câmara, vereador Júlio Gasparette (PMDB), designou a criação de uma comissão especial para acompanhar o assunto. “Neste momento temos que fazer o máximo para garantir esses empregos. Até agora, nós fizemos mais por essa empresa do que ela por nós.” A comissão será responsável por encaminhar representação à Prefeitura, Assembleia Legislativa, Senado, Governo e Congresso. “Pretendemos agendar uma reunião com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Rogério Nery, na próxima semana. Também marcaremos uma audiência pública na segunda quinzena deste mês”, informou o presidente da comissão, Rodrigo Mattos.