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17 de maio de 2017 - 07:00

Senta na roda, traga seu instrumento

Projeto que começa nesta quarta-feira reúne a nova geração do choro e quem mais quiser participar de uma roda didática sobre o gênero
Por Carime Elmor 

Vivian Vignoli, Caetano Brasil e Denis Costa estreiam a primeira edição do projeto Mão Na Roda (Foto: Leonardo Costa)

“Quem toca choro toca qualquer coisa, é um gênero complexo e desafiador”, ressalta o clarinetista, saxofonista e compositor Caetano Brasil, 22 anos, juiz-forano à frente do projeto Mão Na Roda, que pretende não só reunir chorões da nova geração, bem como convidar músicos de outros gêneros a aprender com o chorinho. Será um encontro semanal, em que Caetano pretende disponibilizar partituras e áudios em um grupo criado por ele, no Facebook, para que posteriormente possam trabalhar juntos nos encontros que ocorrerão sempre às quartas-feiras no Experimental Container Bar, das 17h30 às 20h30. Também poderão entender como se dividem os instrumentos em uma roda de choro e conhecer toda dinâmica destes encontros.

O músico, que teve contato com o gênero musical muito cedo, quando estava aprendendo flauta doce em uma oficina no Bairro Borboleta, coordenada pelo professor Marcelo Gonçalves, percebeu que muitos colegas musicistas tinham vontade de despertar o choro dentro de si, porém não se sentiam tão à vontade para frequentar as tradicionais rodas. Por isso criou o projeto, um convite dele para que seus amigos conheçam o choro, pois acredita que este deva ser a base do músico brasileiro. “A parte social, de troca e encontro com os outros músicos, é muito importante para se aprender o choro”, observa o clarinetista, para quem o choro se tornou um fascínio: nunca mais parou de ouvir e mergulhou na sonoridade dos arranjos completos e na organização dos instrumentos.

A ideia é abranger o repertório do chorinho como um todo, para isso Caetano se inspirou em uma classificação pensada por Rui Alvim, clarinetista, saxofonista que já foi integrante da Orquestra de Música Brasileira e é professor da Escola Portátil de Música, no Rio de Janeiro. Ele subdivide o repertório em quatro momentos históricos. O primeiro, Princípios do Choro, abrange compositores da segunda metade do século XIX, a base de quando tudo começou, um exemplo é a Chiquinha Gonzaga. Depois vêm os clássicos como Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Waldir Azevedo, que fazem parte do senso comum do que é o choro. A terceira classificação é sobre os repertórios específicos e adaptados para cada instrumento individualmente, e o quarto momento será destinado aos compositores contemporâneos, à nova geração que está retomando e atualizando o choro.

A nova geração do choro

“Está despertando um movimento em Juiz de Fora de jovens musicistas que estão reconhecendo o valor da infinidade musical brasileira”, observa Denis Costa, 22, saxofonista e flautista do ODUO Instrumental. Ele é jazzista, mas está agregando a seu repertório o choro e conta que já toca bastante peças do gênero, mas nunca se apresentou em uma roda, faz um estudo mais solitário em casa, e o Projeto Mão Na Roda vai propiciar essa prática em conjunto. “Muitos músicos estrangeiros querem ouvir e conhecer o samba, a bossa, o choro, e existe aqui uma nova turma que está dando mais valor para essa brasilidade”.

Assim como Caetano, ele é formado pela Universidade de Música Popular Bituca, em Barbacena (MG). Foi lá que Denis passou a ter muito mais contato com a música brasileira, hoje ele toca samba, frevo e MPB e pretende se aprofundar no repertório dos grandes mestres do chorinho, considerado o primeiro gênero urbano totalmente brasileiro. Sobre essa valorização dos músicos estrangeiros, a saxofonista e clarinetista israelense Anat Cohen, que vive em Nova York, diz que o “choro é a combinação exata do clássico e do jazz”, tem uma exigência na execução, ao mesmo tempo que permite a livre improvisação.

Tradicionalmente, as rodas de choro são dominadas pelo público masculino, dessa forma, Vivian Vignoli, 27 anos, professora de violino no Conservatório Estadual de Música, vai cumprir um importante papel ao se inserir nessa roda didática. Seu primeiro contato com uma partitura de choro foi no trabalho, quando ouviu um amigo tocando. “Eu me aproximei e comecei a acompanhar tentando tocar.” A partir daí, ela comentou com Caetano sobre a vontade de se aprofundar nesse estudo. E agora, por meio do convite de participar desse novo projeto, ela vai poder levar seu violino para a roda, um instrumento atípico nesses encontros, e poderá tocar o que já tem aprendido e treinado na companhia de outros músicos.

Mão Na Roda
Projeto de choro, às quartas-feiras, das 17h30 às 20h30, no Experimental Container Bar (Avenida Rio Branco 3.162).

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