Os mínimos detalhes são facilmente percebidos em Aváris, a principal cidade cenográfica de "José do Egito". A transmutação do terreno que fica no Bairro de Guaratiba, no Rio de Janeiro, em uma cidade do Egito antigo foi feita sob diversos aspectos. Após grande pesquisa, a Record transformou Aváris em um local que parece mais uma cidade real do que cenografia. "Na Record, houve grande expectativa, até por ter sido a minissérie de maior investimento. Quando começou a aparecer o resultado, ficou todo mundo animado e bastante satisfeito. Eu acho que é o produto mais bonito que já fizemos", acredita Daniel Clabunde, diretor do Departamento de Cenografia.
A grandiosidade de Aváris é o que causa o primeiro impacto. São mais de cinco mil metros quadrados que, na TV, ainda ganham o reforço de computação gráfica para situar a cidade à beira do Rio Nilo. Em determinados dias de gravação, Aváris fica apinhada de figurantes, cerca de 500 deles, todos inteiramente caracterizados. Alguns até rasparam o cabelo, inclusive mulheres. "É o mais próximo possível do que era na época. Isso torna tudo mais bonito, mais verossímil. É muito rico em detalhes e isso ajuda a compor o personagem", conta Ricky Tavares, que interpreta José na primeira fase da minissérie, quando o protagonista ainda é jovem. O suntuoso templo de Aváris é uma reprodução do Templo de Ísis, que fica no Egito. Enquanto o original tem 18 metros de altura, o cenográfico tem 15. "As proporções estão muito próximas. É muito bacana trabalhar com esse tipo de proporção", explica o diretor de "José do Egito", Alexandre Avancini, que chegou a ir até o templo de Ísis e constatou que o trabalho de criação estava realmente semelhante ao original.
O segundo ponto que chama bastante atenção é a riqueza de detalhes da cidade. Em frente ao templo está o mercado de Aváris, com uma grande variedade de produtos à venda. Peixes, crocodilos, espadas, estátuas e até temperos estão expostos. A maior parte dos produtos é cenográfica, inclusive os animais, mas não todos. Entre a grande quantidade de peixes, por exemplo, existem alguns verdadeiros. "Sempre tem peixe fresco. São 20 peixes frescos para 200 cenográficos. Só não dá para ter tudo real porque o calor é muito forte e muitos dos produtos são perecíveis", conta Alexandre Farias, diretor de arte da minissérie. Ele trabalhou com uma equipe composta por outras seis pessoas e buscou inspiração em diversos lugares para dar a cara de Aváris "Pesquisamos em livros, acervo de museus, filmes e séries. Eu gosto muito de assistir a filmes e tiramos deles boa parte da referência plástica", explica Farias.
A criação de Aváris precisou ser rápida e constante. Em poucos meses tiveram de ser realizadas as pesquisas, produções e o início das gravações. Como se trata de uma época muito antiga, não existe nada pronto para ser adquirido. A maior parte da estrutura foi feita em madeira e revestida por diversos materiais, como fibra e plástico. A equipe de cenografia conta com 15 pessoas, mas se forem somados os prestadores de serviço, como marceneiros e carpinteiros, o número sobe para mais de 200. Isso tudo traduzido em um investimento de mais de R$ 4 milhões, que trouxe bons resultados para as equipes de arte e cenografia. "O reconhecimento é muito lisonjeador e motiva a equipe, pois é um trabalho muito árduo. Por isso é gratificante", comemora Alexandre Farias.
"José do Egito" - Quartas, às 21h45, na Record.



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