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24 de Junho de 2012 - 07:00

SBT estreava há 15 anos a adaptação nacional de 'Chiquititas'

Por MÁRCIO MAIO

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Elenco brasileiro se transferiu para a Argentina, país onde a novela foi gravada
Elenco brasileiro se transferiu para a Argentina, país onde a novela foi gravada

O SBT sempre realizou adaptações estrangeiras. E, assim como agora, com sua versão nacional de "Carrossel", já experimentou o sucesso em algumas produções traduzidas, caso de "Chiquititas", que há 15 anos estreou no canal já com a pretensão de se tornar um grande folhetim nacional. Só que com um detalhe: foi todo produzido no exterior, mais precisamente em Buenos Aires, na Argentina. "A gente era feliz e sabia. Trabalhar fora do país é um luxo. Tivemos a oportunidade de aprender um novo idioma e viver outra cultura", recorda Flávia Monteiro, que encabeçou o elenco adulto do folhetim no papel da romântica Carolina, ao longo das cinco temporadas produzidas.

"Chiquititas" foi adaptada do original homônimo pela própria autora Cris Morena, que escreveu a novela do canal argentino Telefé. Ela tinha alguns colaboradores brasileiros, que ajudavam a promover pequenas mudanças na tradução do texto para aproximar a história do cotidiano brasileiro. A trama se passa em um orfanato de meninas dirigido por Carolina. Lá, o grupo das crianças é liderado pela doce Milena, chamada de Mili pelas amigas, vivida pela então estreante Fernanda Souza. "Era uma novela que tratava criança como criança e adolescente como adolescente. É diferente de hoje, que com 13 anos as meninas se preocupam com roupas e assuntos de adultos", enfatiza Fernanda, que ficou no projeto durante um ano e oito meses. "Achei pouco tempo, queria ter ficado mais", lamenta.

Outros nomes que hoje se destacam na televisão surgiram em "Chiquititas". Débora Falabella, por exemplo, fez ali seu primeiro personagem marcante na TV, na pele da jovem Estrela. Na época, passou dez meses morando na Argentina, país que, recentemente, voltou a visitar para gravar como a vingativa Nina de "Avenida Brasil". "Foi bom voltar porque aquela foi uma fase determinante na minha carreira, assim como agora", valoriza. Jonatas Faro, Sthefany Brito, Carla Diaz e Bruno Gagliasso também deram os primeiros passos na novelinha. "Sofri muito, tive de me virar. Eu tinha 17 anos e fui morar sozinho em outro país. Me tornei homem ali", lembra Bruno.

Mas gravar no exterior também teve desvantagens. Em alguns detalhes, a produção valorizava demais o elenco principal, fornecendo até camarins exclusivos para seus protagonistas, e, com isso, o elenco acabava esperando para gravar suas cenas separado, sem ter contato. "Não tinha uma sala onde todo mundo ficava reunido, assistindo nossas cenas", critica Flávia Monteiro, que se lembra de outros detalhes que afastavam demais o jeito de gravar novela de lá do que os atores estavam acostumados por aqui. "Tinha uma grua enorme dentro do estúdio, parecia um dinossauro. No início, a gente ainda tentava mudar algumas coisas. Mas, depois, vimos que tínhamos mesmo de nos adaptar ao jeito deles", explica.

O sucesso da novela, porém, foi tão grande por aqui que alguns personagens ganharam bonecas. Fernanda Souza tem até hoje uma Milly. "Tinha a pequena, a média e a grande. Eu guardei uma média", diz. Já Flávia não autorizou que comercializassem nada com sua personagem, já que não queria ficar tão marcada assim como a diretora boazinha do orfanato. Aproveitou que não cedeu o direito a eles e lançou, por fora, a sua própria boneca. "Se eu tivesse assinado, me dariam um dinheiro pela imagem e mais nada, e eu queria desvincular um pouco, por isso preferi fazer uma com meu nome mesmo", explica.

Morar na Argentina fez com que o elenco não se deslumbrasse com facilidade. Isso porque, com o ritmo de gravações e por estudarem lá, as crianças só vinham ao Brasil de dois em dois meses, normalmente para passar menos de uma semana. "Isso foi um alívio para nossos pais", admite Fernanda, que se lembra de não conseguir sair de um shopping em uma das vezes em que veio a São Paulo. E "Chiquititas" ficou no ar até 2001, quando um problema com o contrato entre a autora Cris Morena com a Telefé causou o cancelamento das gravações da sexta temporada, fazendo com que ela não fosse exibida. "Até hoje, me param para falar desse período. Nas redes sociais então, toda hora alguém lembra. É difícil conseguir marcar uma geração como a gente marcou", analisa Flávia Monteiro.

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