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05 de Fevereiro de 2012 - 07:00

No ar em 'A vida da gente', Nicette Bruno empolga-se com a repercussão da compreensiva Iná

Por GERALDO BESSA

Nicette Bruno sempre fez questão de manter uma relação harmoniosa com o tempo. Por isso, aos 79 anos - 67 destes dedicados às artes cênicas -, a atriz se mostra satisfeita com sua trajetória e discorda da opinião de algumas colegas de geração, que alegam faltar bons papéis para atrizes mais velhas. "Existem personagens fascinantes em qualquer idade, com dramas pertinentes e importância dentro da obra", ressalta Nicette, que enxerga na doce Iná, de "A vida da gente", uma das personagens de maior repercussão de sua carreira. Na atual novela das seis, assinada por Lícia Manzo - Iná é a compreensiva avó de Ana, de Fernanda Vasconcellos, e Manu, de Marjorie Estiano. Sempre disposta a ajudar as netas, os conselhos e ensinamentos da matriarca fazem sucesso com o público da novela. "As pessoas me param na rua dizendo que a Iná é o tipo de avó que todos gostariam de ter", conta, aos risos.

TV Press - Este ano você completa 45 anos de televisão. O que a leva a encarar novos personagens?

Nicette Bruno - Primeiro, o prazer que sinto em ser atriz. Se eu não gostasse da minha profissão, realmente já teria arranjado outra coisa para fazer. Ser atriz me dá a possibilidade de viver outras emoções, dramas e alegrias, sem sair da minha vida. Essa mágica fica ainda mais envolvente quando você está protegida por um bom texto e direção. Depois, sou contratada da Globo, e já que estou sendo paga, tenho de agir como funcionária: analisar os convites que vão surgindo e decidir se aceito ou não fazer as personagens.

- Você costuma recusar muitos convites?

- Quase nunca digo não, mas não é por falta de critério. As personagens que chegam até mim, geralmente, têm algo a ver comigo. Já trabalhei com muitos diretores e autores da casa, e eles sabem os tipos que podem funcionar ou não com a minha interpretação, por isso, fico tranquila. É claro que algumas personagens ganham repercussão, ficam mais importantes dentro do folhetim, enquanto outras não são tão lembradas. Mas é assim mesmo, sucesso ou fracasso, depois de um novela, sempre virá outra (risos).

- Algumas vezes, os papéis são esquecidos pelos autores ou se mostram desinteressantes ao longo da trama. Como você lida com isso?

- Os elencos das novelas estão diminuindo justamente por causa disso. Não é confortável para ninguém quando o personagem fica largado dentro da trama. Mas com um elenco numeroso, isso é fácil de acontecer. Sou do tipo que tenta sempre ver o lado bom das coisas. Nos momentos em que passei por isso, ou que precisei carregar um personagem que não gostava tanto de interpretar, tive de mentalizar no aprendizado dentro daquela situação e transformar aquele trabalho em uma boa experiência, estudando mais as cenas e tentando dar um brilho a mais ao papel.

- A Iná está diretamente ligada aos principais dramas de "A vida da gente" e é uma personagem facilmente encontrada no cotidiano. O que acha desse tom mais naturalista do texto da Lícia?

- Por conta dessa identificação e da proximidade com o real, a novela se revelou extremamente envolvente, tanto para quem assiste, quanto para quem faz. Acho o texto da Lícia muito bom. Ela fala basicamente de relações familiares, amor e as armadilhas que a vida nos proporciona, um prato cheio para os atores encontrarem a verdadeira emoção das cenas.

- Além dos trabalho na TV e nos palcos, há oito anos você e seu marido, o Paulo Goulart, se dedicam ao "Teatro nas universidades", projeto criado por vocês que leva cultura e entretenimento gratuito a alunos de faculdades públicas. Qual o intuito desta iniciativa?

- Eu e Paulo somos "crias" dos palcos. A gente começou a pesquisar e ver que muitos jovens nunca tinham ido ao teatro. O projeto surgiu como forma de resgatar essa força que vem da experiência de ter contato com as artes cênicas, é um fomento pela criação desse hábito. Conseguimos bom parceiros para essa caminhada. Por todos os lugares que passamos, fizemos questão de deixar sementes e estimular a criação de grupos teatrais nas instituições. Até hoje me emociono ao ver o interesse pelos palcos aumentando. É a arte viva, em um mundo cada vez mais tecnológico.

"A vida da gente" - Globo - segunda a sábado, às 18h10

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