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30 de Dezembro de 2012 - 07:00

O diretor Guel Arraes vê na adaptação de filmes para a TV uma saída comercial para o cinema nacional

Por GERALDO BESSA

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A próxima adaptação feita por Guel será de "Gonzaga - de pai para filho"
A próxima adaptação feita por Guel será de "Gonzaga - de pai para filho"

Principal incentivador do diálogo entre o cinema e a televisão dentro da Globo, Guel Arraes passou os últimos 12 anos tentando encontrar o melhor jeito de adaptar filmes para a TV sem perder o vigor e a qualidade. Agora, depois das boas experiências com os longas "O bem amado", "Chico Xavier" e "Xingu", que viraram microssérie de quatro episódios, o diretor de núcleo da Globo afirma ter encontrado o formato ideal para esse intercâmbio entre mídias. "TV requer emoção e apelo popular. Usando cenas adicionais das filmagens do longa e reorganizando a história, é possível ter um produto novo e de linguagem eficiente para quatro dias de exibição", analisa o diretor.

TV Press - É cada vez mais comum a adaptação de filmes para o formato de microsséries. Como o seu núcleo dentro da Globo seleciona os projetos?

Guel Arraes - Depende de cada produção. Às vezes, eu sugiro para a Globo alguns longas que poderiam render séries ou microsséries. Em outros casos, é a Globo que encomenda para mim a adaptação. No caso do filme "O bem amado" e "Gonzaga - de pai para filho", negociei a ideia com a emissora. Já "Xingu" foi diferente, a direção da Globo negociou com os produtores do filme e me deixou responsável pela adaptação.

- O que um filme precisa ter para virar um potencial produto de TV?

- Apelo popular e uma certa profundidade dramática. As pessoas que trabalham no meu núcleo e o pessoal da Globo Filmes estão sempre procurando esse tipo de projeto, com características multimídia. A gente avalia e entra como coprodutores.

- Como é o processo de adaptar a linguagem cinematográfica para a televisão?

- As alterações são nos detalhes. E isso vai surgindo durante o processo de adaptação. A emoção precisa existir em qualquer produto para a TV. Então, dividimos as cenas fortes do longa para abrir e fechar os episódios da microssérie. Isso é bom para demarcar a produção, que será exibida em um veículo mais volátil e de forma mais abrangente.

- A adaptação de filmes em séries e a transformação de produtos televisivos para o cinema é muito comum em sua trajetória dentro da Globo. Como você avalia isso?

- Vejo como um diálogo possível e frutífero. Basta ver que "A mulher invisível", uma série derivada do roteiro de um filme, acabou de ganhar um prêmio Emmy Internacional e teve uma audiência muito boa. Só não rendeu mais temporadas por conta da disponibilidade dos protagonistas. Na contramão disso, os longas lançados a partir de seriados como "A grande família" e "Os normais" fizeram uma excelente bilheteria.

- No passado, a Globo investiu muito em minisséries de cerca de 20 episódios. Atualmente, aposta mais em seriados de temporadas curtas e microsséries de quatro episódios. Esses novos formatos auxiliam nesse intercâmbio entre a TV e o cinema?

- A gente criou um novo modelo. As antigas minisséries viraram as novelas de menor duração, tipo "Gabriela" e "O astro". A microssérie foi perfeita para a adaptação de filmes e para contar histórias mais curtas. Levamos um tempo para achar esse novo jeito de apresentar a produção. Tínhamos dificuldade de lançar na Globo algo que não seria necessariamente inédito. Com esse formato para filmes, chegamos a um "semi-ineditismo", porque existe uma outra organização dramática e cenas adicionais. Isso está funcionando bem, tanto é que outros núcleos começam a experimentar esse modo de produção, como acontecerá com "O tempo e o vento", longa do Jayme (Monjardim), que também será adaptado para a TV.

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