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11 de Março de 2014 - 03:12

Por Luciana Nunes Leal - Agencia Estado

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Depois de dizer que abandonaria a defesa do dois manifestantes investigados pela morte do cinegrafista Santiago Andrade, se constatasse que havia conflito nos depoimentos dos jovens, o advogado Jonas Tadeu Nunes anunciou na noite desta quinta-feira, 13, que continua no caso e que vai esperar o inquérito chegar ao Ministério Público para tomar novas providências. Nunes defende também o tatuador Fábio Raposo. "A princípio não há colisão (nas versões de Caio e Raposo)", disse.

O advogado sustenta a tese de que Caio e Raposo agiram juntos e, portanto, devem responder juntos ao processo, com a mesma defesa. Caio, porém, acusou Raposo de ter acendido o rojão que atingiu o cinegrafista. Na manhã desta quinta-feira, Nunes disse ter sido surpreendido pelo depoimento de Caio à polícia, na noite de quarta-feira, e deverá pedir à Justiça habeas corpus do cliente, por ter falado à polícia sem a presença do advogado.

"No momento que nascer um conflito entre um e outro, em que um disse `não fui eu, foi ele', atrapalha a defesa. Se eles permanecerem juntos, nós temos elementos de desclassificar o que a autoridade policial quer colocar como homicídio qualificado", disse Nunes pela manhã. Depois, afirmou não ver conflito no depoimento de Caio.

Nunes voltou a acusar partidos políticos e outras organizações de aliciarem jovens e pagar para que causem quebra-quebra em protestos. "Caio vive em extrema pobreza. Começou a participar das manifestações por ideologia, de forma pacífica, sem quebra-quebra. Quando soube que poderia participar mediante remuneração, aí ele se deixou levar por isso" disse o advogado. "Quando foi preso, ele disse `e agora, doutor, quem vai cuidar da minha mãe? Não vou ter como dar a cesta básica da minha mãe'. É que eu ganho dinheiro da manifestação, recebo R$ 150'. Eu respondi que o pai dele continuaria a ajudar", contou defensor de Caio e Raposo.

Segundo o advogado, Caio contou que "chegava em determinado local onde ia ter início a manifestação e já tinha uma kombi parada que ia entregando máscaras e tal e, algumas vezes, quando (os manifestantes) não tinham dinheiro, propiciava o dinheiro para o transporte". "O manifestantes só ganhava se houvesse quebra-quebra", afirmou.

"Caio é um menino calmo, quando está nas manifestações se transforma, parece que recebe uma entidade, fica completamente diferente", defendeu. O advogado disse ter tido contato com Caio antes de o rapaz embarcar para o Ceará, no dia 10 de fevereiro, e que ele tinha prometido se entregar à polícia, no restaurante Amarelinho da Glória (zona sul), no dia 11. Na data marcada, porém, apareceu apenas o pai de Caio, dizendo que o filho estava assustado e tinha saído da cidade. Nunes disse que começou, então, com a ajuda da namorada de Caio, a tentar convencer o rapaz a interromper a viagem ao Ceará e a saltar do ônibus em Feira de Santana (BA).

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