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17 de Dezembro de 2013 - 13:23

Por Irany Tereza - Agencia Estado

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A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) prevê para 2014 um viés de baixa para todas as commodities internacionais. A projeção de superávit de US$ 7,223 bilhões divulgada nesta terça-feira, 17, pela associação é explicada apenas por um saldo artificial, causado pelo cálculo estatístico.

"O que provoca essa elevação do superávit é a teórica redução das importações de petróleo e derivados no ano que vem. Em 2013, foram creditadas importações efetuadas de fato em 2012. O registro fora do prazo fez parte da contabilidade criativa do governo para fechar as contas em 2012. Houve o registro de US$ 4,5 bi de importações de petróleo e derivados em 2013 que pertenciam a 2012", explicou José Augusto de Castro, presidente da AEB. Com isso, o cálculo de 2014 será feito sobre uma base inflada de 2013.

Também a quantidade exportada em 2012 foi muito pequena, de 20 milhões de toneladas de petróleo (o Ministério do Desenvolvimento utiliza tonelada e não barril para medir o volume de comércio de petróleo). "Esse ano a expectativa é de alta de 50% (nas exportações). Isso, indiretamente, vai compensar a queda na cotação das commodities", diz Castro.

O executivo prevê para 2014 a continuidade do ritmo de alta nas importações de petróleo, já que o País produz principalmente petróleo pesado e necessita do mix de óleo leve no refino.

"Além do mais, não temos refinaria para atender a demanda e continuamos com importação maior de derivados de petróleo. Ficaremos na dependência de novas refinarias. Enquanto Abreu e Lima (em Pernambuco) ou o Comperj (no Rio de Janeiro) não entrarem em operação, continuaremos a aumentar as importações", diz Castro.

Ele reconhece que a produção de petróleo leve no pré-sal tem aumentado, mas não o suficiente para atender nossa demanda interna. "Mesmo assim, a tendência é que as importações em 2014 tenham uma queda artificial, estatística, por conta da contabilidade criativa", comentou.

A associação projeta para 2014 uma taxa de câmbio entre R$ 2,25 e R$ 2,50. A margem larga entre as projeções deve-se, segundo Castro, à expectativa de uma volatilidade considerável durante o ano.

"Visivelmente o Banco Central quer jogar o câmbio para baixo porque sabe que câmbio mais alto estimula e alimenta a inflação, que é justamente o que o governo não quer em ano eleitoral. Colocamos a margem alta sabendo que vamos ter períodos contínuos de subida e queda. Amanhã, se os EUA decidirem alguma coisa em relação à retirada aos estímulos financeiros, por exemplo, é provável que o câmbio suba e o BC vai continuar vendendo dólar", comentou o executivo.

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