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03 de Dezembro de 2013 - 18:19

Por Carlos Nealdo, especial para a AE - Agencia Estado

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Estado com o maior porcentual de analfabetismo do País, com 21,8%, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2012, Alagoas amarga mais um índice negativo, desta vez com o pior desempenho brasileiro nas três áreas avaliadas pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês).

De acordo com os dados divulgados nesta terça-feira, 3, os estudantes alagoanos de 15 anos ficaram em último lugar do Brasil em matemática, com 342 pontos, leitura (355) e ciências (346), alcançando uma média de 347,7637. Espírito Santo, que encabeça a lista brasileira, teve 423,248 pontos de média.

Nesta terça-feira, a gerente de Ensino Fundamental da Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (SEE), Ana Márcia Cardoso Ferraz, justificou o desempenho negativo dos alunos alagoanos com o que ela chama de "distorção de escolaridade" - formada por estudantes de 15 anos que deveriam estar no 9º ano do ensino fundamental, mas estão, geralmente, no 6º.

Segundo com números do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação (MEC), dos 88,2 mil alunos matriculados no ensino fundamental da rede pública, metade está nessa chamada distorção. "São alunos que estão em média com dois anos de atraso", revela.

Para tentar reverter a situação do Pisa, que Ana Márcia reconhece não ser fácil, a secretaria lança em 2014 o Programa de Correção de Fluxo, que conta com uma série de ações, entre elas a compra de R$ 1,1 milhão em livros didáticos. No primeiro ano, porém, o esforço só contemplará 10,4 mil alunos, o que corresponde a cerca de um quarto do total de estudantes que está fora da faixa de escolaridade. "Sabemos que é pouco, mas é um passo importante." Conforme a diretora da Escola Estadual Professora Maria José Loureiro, Juliane Amorim, a solução não está apenas na compra de livros didáticos, mas numa série de fatores que passam pela qualificação dos professores. "Infelizmente, o governo não faz nada nesse sentido", lamenta.

A queixa de Juliane ressoa no Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal), que há pelo menos cinco anos denuncia a necessidade de concurso público para preenchimento de pelo menos 3,5 mil vagas deixadas por professores que se aposentaram no serviço público. Sem concurso público há oito anos, a educação alagoana tem de se valer do esforço dos 3,4 mil profissionais para cobrir toda a rede pública.

Filha de agricultores, Fátima tem sido o orgulho para Maria Aldineide Pessoa Gomes, a diretora da pequena escola onde a estudante divide espaço com outros 529 colegas. "O mérito é todo dela, porque sabemos de suas dificuldades", enfatiza. O segredo para o sucesso? "A matemática exige muita dedicação, por isso tenho dispensado algum tempo para desenvolver questões e me familiarizar com os conteúdos", afirma a estudante. E quando a maioria dos estudantes poderá ser comparada a Fátima? "É um processo lento, que não será solucionado no próximo ano", reconhece a gerente do Ensino Ana Márcia.

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