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18 de Dezembro de 2013 - 20:37

Por Marcelo Gomes - Agencia Estado

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Um "simpático bonachão". É assim que moradores de Santa Teresa, no Rio, se recordam do britânico Ronald Biggs, que morou no bucólico bairro na região central entre 1984 e 2001. Considerado o "ladrão do século 20" pelo assalto ao trem pagador que ia de Glasgow a Londres em 1963, Biggs morreu na madrugada desta quarta-feira, 18, aos 84 anos. Vivia num asilo para idosos em East Barnet, norte da capital inglesa, e enfrentava uma série de dificuldades de saúde.

"Santa Teresa é um bairro de artistas, músicos, jornalistas. Ele era muito simples. Por aqui, era mais um ?artista?. Gostava de marcenaria, de passear com o cachorro, de mexer com as plantas. Eu só me lembrava quem ele era quando via jornalistas rondando o prédio", disse o fotógrafo Renan Cepeda, vizinho de Biggs durante 11 anos.

Em 2012, Cepeda visitou Biggs no asilo, depois que o britânico teve vários acidentes vasculares cerebrais (AVCs). "Ele estava lúcido, mas não andava e nem falava mais. Tinha até uma namorada na clínica. Fiz uma foto dela no colo dele. Um dos derrames que ele sofreu foi na minha frente. E esqueceu o português."

Antes de Santa Teresa, o inglês viveu em Botafogo e Copacabana, na zona sul do Rio. Teve uma intensa vida social. Foi sócio da famosa boate Crepúsculo de Cubatão, que funcionou na década de 1980 em Copacabana. O local atraía um público "dark" e era conhecida por tocar em primeira mão as novidades do rock inglês.

Aproveitando-se da liberdade, ele gravou em 1978 a canção

Na década de 1990, o prédio onde Biggs morou em Santa Teresa, na Rua Monte Alegre, virou ponto de visitação turística. Os estrangeiros faziam de tudo para conhecer o protagonista da espetacular fuga da Penitenciária de Wandsworth, em Londres, onde cumpriu apenas 15 meses da pena de 30 anos de prisão.

Biggs batia ponto, diariamente, no Armazém São Thiago, conhecido como Bar do Seu Gomez. Há 12 anos, o armazém, fundado em 1919, foi transformado num bar "pé-limpo". O dono do bar, o comerciante espanhol José Gomez Cantorla, de 77 anos, se lembra das festas e dos churrascos que Biggs dava em casa. "Era cerveja e uísque à vontade. Algumas vezes, iam mulatas do (Osvaldo) Sargentelli (apresentador de televisão que virou sócio de boates no Rio nos anos 1970). Nas festas, Biggs vendia camisas para os turistas, com dizeres como ?Estive no Rio e conheci Ronald Biggs? e ?Biggs, um homem honesto?. Era uma ótima pessoa, de bem com a vida."

Outro point de Biggs em Santa Teresa era a Mercearia do Esteves, na Rua Áurea. Apesar de ter se tornado famoso por causa de um roubo, a dona do estabelecimento, Maria do Céu Esteves, de 75 anos, conta que o inglês era um "ótimo" cliente, e que vendia até fiado para ele. "Tudo que precisava para casa ele comprava aqui. Tornou-se um grande amigo do meu marido, falecido há quatro anos. Quando pegava fiado, no máximo três dias depois vinha pagar. Sempre em dólar. Como ganhava a vida com turistas estrangeiros, ele sempre recebia em dólar, né?"

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