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06 de Dezembro de 2013 - 08:37

Por Eduardo Cucolo e Célia Froufe - Agencia Estado

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O Banco Central (BC) deu novos sinais de que o ciclo de aumento da taxa básica de juros está próximo do fim. A conclusão de que o BC considera sua missão praticamente cumprida foi tirada pela maioria dos analistas do mercado financeiro após a divulgação, na quinta-feira, 5, da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada. Na ocasião, a instituição subiu os juros de 9,50% para 10% ao ano.

Para a maior parte do mercado, o BC vai promover, no máximo, mais dois aumentos da taxa, em janeiro e fevereiro de 2014. Depois, só volta a mexer na política monetária após as eleições de outubro.

Ontem, no principal trecho do documento, a instituição disse que continuará "especialmente vigilante" em relação à inflação. O BC lembrou, no entanto, que o impacto da alta dos juros sobre os índices de preços "ocorre com defasagens" e que a taxa básica vem subindo desde abril, quando estava em 7,25% ao ano. Para o mercado, a instituição passou o recado de que já fez boa parte do trabalho para combater a inflação por meio da elevação dos juros e que prepara o terreno para anunciar o fim do ciclo de aperto no começo de 2014.

"Avaliamos que a ata reforça o sinal de que o ciclo de alta de juros está próximo do fim - ainda que o sinal não seja explicitamente indicado através de expressões que o Copom usualmente utiliza nessas ocasiões", avaliou o Itaú Unibanco. "Mantemos a projeção de uma alta adicional da Selic de 0,25 ponto porcentual em janeiro, patamar em que deve se manter até pelo menos o final de 2014."

Levantamento feito pelo serviço AE Projeções, da Agência Estado, com 27 instituições mostrou que pouco mais da metade (14) aguarda um último ajuste na Selic, de 0,25 ponto porcentual, no próximo encontro do Copom, em janeiro. Outras dez instituições trabalham com um aumento adicional em fevereiro. A divisão entre as apostas é explicada por várias ponderações feitas pelo BC no documento. Em um ponto importante da ata, o BC afirmou que vê "focos de tensão" no mercado cambial e que vai agir se houver risco de repasse da alta do dólar para os preços.

Por outro lado, a instituição mostrou menos otimismo com o consumo e com os resultados da indústria. Em relação à inflação, informou que a maior parte das suas projeções para 2013 e 2014 recuou, mas lembrou que elas ainda estão acima do centro da meta, que é de 4,5%. Hoje, o índice de preços está próximo de 6% e deve fechar o ano nesse patamar.

Para o economista-chefe da MCM Consultores, Fernando Genta, o documento reforçou a sensação do BC de que a missão está "praticamente" cumprida. Para ele, os indícios são de que o Copom fará mais um aumento de 0,25 ponto porcentual na Selic em janeiro.

O fator eleitoral também deve fazer com que a instituição pare de subir juros em 2014, na opinião do economista Adauto Lima, da Western Asset. Ele, no entanto, acredita que o último aumento da fase atual poderá ser em fevereiro, já que a inflação segue preocupante. Depois, o Copom voltaria a elevar a Selic passadas as eleições, com a taxa fechando o ano em 11%. "Não dá para ficar eternamente com a inflação girando entre 5,5% e 6%, achando que está bom.". Colaboraram Maria Regina Silva e Flavio Leonel. As informações são do jornal

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