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15 de Janeiro de 2014 - 11:58

Por Francisco Carlos de Assis - Agencia Estado

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Mesmo considerando uma piora no cenário prospectivo para a inflação, que deverá encerrar o ano de 2014 na marca de 6%, o Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzirá o ritmo de elevação da taxa básica de juros (Selic). E isso já se verá na reunião do Copom de janeiro, que começou ontem e termina nesta quarta-feira, 15. Para a associação, o Copom elevará a taxa de juro em 0,25 ponto porcentual ante 0,50 ponto na reunião anterior.

Ainda de acordo com a Anbima, a meta de elevação de juro para 2014 é de 0,50 ponto porcentual, para 10,50% ao ano, o que implicará mais uma elevação de igual 0,25 ponto porcentual no Copom de fevereiro. "O argumento que justifica essa estratégia é o de que a autoridade monetária deverá esperar os efeitos cumulativos do aumento de 325 pontos da taxa Selic (7,25% para 10,5%) e assim não comprometer ainda mais o nível de atividade, que cresce em ritmo moderado", avaliam os membros do comitê da Anbima.

A despeito das justificativas em defesa da redução do ritmo de aumento da Selic, o comitê não descarta a possibilidade de um aumento adicional de 0,25 ponto porcentual na Selic. E isso seria motivado pela surpresa inflacionária de dezembro do ano passado (0,92%), que elevou a inflação fechada do ano passado para 5,91% ante 5,84% em 2012.

Neste caso, a meta de juros de 10,50% esperada pela Anbima sofreria um pequeno acréscimo, passando a 10,75%, e elevando para três aumentos de 0,25 ponto porcentual a curva do ano.

"Vale ressaltar que houve consenso no Comitê da Anbima quanto à trajetória de juros ao longo de 2014. Coexistiram previsões de manutenção da Selic em 10,25% para o decorrer do ano com estimativas que apostam em elevação dos juros no último trimestre para patamares da ordem de 11,75%. Essas divergências refletem, em alguma medida, percepções diferentes quanto à forma de atuação das variáveis sobre os preços e as expectativas dos investidores", observa o presidente do Comitê, o economista Marcelo Carvalho.

O Comitê da Anbima elevou em US$ 1,9 bilhão a sua projeção de saldo comercial de US$ 7,1 bilhões para US$ 9 bilhões em 2014. De acordo com Carvalho, essa melhora nas estimativas de comércio reflete os efeitos defasados da desvalorização cambial, que devem gerar mais competitividade à exportações brasileiras.

Há também, de acordo com ele, expectativa de que a evolução prevista para a economia mundial para esse ano estimule as vendas externas do País e torne o segmento exportador um importante indutor do crescimento em 2014.

"Existem (dentro do comitê da Anbima) dúvidas sobre se um evolução mais favorável da balança comercial brasileira não seria limitada pela pouca abertura da economia no setor externo, o que traria desvantagem comparativa em relação a outros países emergentes", disse Carvalho.

De acordo com ele, caso se confirme essa hipótese, ganhará maior peso no debate o financiamento das contas externas. Para 2014, o Comitê elevou a previsão de déficit em conta corrente, de 3,25% para 3,30%.

"Com esse resultado, a necessidade de recursos de investimentos estrangeiros em carteira para esse ano seria de US$ 23,5 bilhões, que, conjugados com a entrada de US$ 50 bilhões de investimento estrangeiro direto no País, permitiria o financiamento do déficit esperado de US$ 73,5 bilhões", disse o economista.

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