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13 de Dezembro de 2013 - 23:00

Por Carla Araújo e Beatriz Bulla - Agencia Estado

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A corrida ao Palácio dos Bandeirantes já começou. Na liderança das pesquisas, com 43% das intenções de voto pelo último Datafolha, está um governador com alto índice de aprovação e que tenta a reeleição. Na sequência, um empresário que lidera a principal associação de indústrias do Estado, com 19% das preferências. E, para compor o time dos desafiantes, um ministro de Estado com uma agenda de realizações fora de Brasília, mas ainda com apenas 4% da intenção de voto dos paulistas. Com a prerrogativa das funções de governador, o primeiro se apresenta diariamente aos eleitores em viagens pelo interior, enquanto o presidente da Fiesp aproveita as aparições na TV em propagandas da instituição e o ministro direciona sua agenda com forte peso no Estado.

Nove meses antes da eleição, o cenário político no Estado se mostra praticamente consolidado com Geraldo Alckmin (PSDB), Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha (PT) na disputa, além do presidente do PSD, Gilberto Kassab, que aparece na última pesquisa com 8%. Dentre os quatro, o ex-prefeito da capital é o único que não possui uma máquina a trabalhar a seu favor, com agendas públicas. Apesar disso, é presença garantida em eventos políticos como presidente do PSD. Em evento do PT em São Paulo, na semana passada, no entanto, foi vaiado pela militância. Enquanto isso, o governador Geraldo Alckmin, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ganham espaço com viagens e aparições pelo Estado.

Até hoje, Padilha permaneceu no Estado de São Paulo por 7 dias dos 13 do mês. Na outra metade da agenda, dois dias foram divididos entre São Paulo e Brasília, por três permaneceu na capital federal e em um esteve no Rio de Janeiro. Nos últimos dias de novembro, o ritmo já era este: veio em uma quinta-feira e fez palestra à noite para empresários. Na sexta, teve agenda breve do ministério em São Paulo, passou por Barretos à tarde e à noite voltou à capital, onde jantou com representantes do agronegócio.

Recentemente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recomendou que Padilha comece a trabalhar na campanha já no dia 1º de janeiro. Legalmente, ele pode permanecer à frente da pasta até abril, quando teria que abandonar o cargo para integrar as atividades eleitorais.

Alckmin, beneficiado pelo posto de governador, aproveita para visitar o interior paulista. Só em novembro foi a cidades como Rosana, Cangaíba, Presidente Prudente, Nova Odessa, Olímpia, Bálsamo, Monções, Planalto, Itirapina e Barueri. Em dezembro, além de agendas públicas em São Paulo, em um só dia visitou Pirapozinho, Cedral e Cravinhos. No dia seguinte, esteve em Sorocaba, São José dos Campos, Jambeiro e Guaratinguetá. Nesta quinta-feira, 12, participou da primeira viagem teste entre a estação de metrô Largo Treze e a futura estação Adolfo Pinheiro, da Linha 5-Lilás. Depois foi aos aeroportos de Viracopos, em Campinas, e de Araraquara. Terminou o dia entregando unidades da CDHU nos municípios de Descalvado e Morro Agudo.

Já Skaf tem alinhado os temas das campanhas institucionais da Fiesp com as inserções televisivas de seu partido. A bandeira da educação em tempo integral, por exemplo, é usada tanto nas aparições institucionais como nas partidárias. Para ele, suas inserções televisivas em anúncios da entidade fazem parte de um "estilo próprio" de administração. "Estou exercendo a minha função no mesmo estilo de sempre. Tenho minha responsabilidade, faço campanhas nacionais nas entidades muito antes de ter alguma filiação partidária", disse, destacando que todas as peças publicitárias são aprovadas pelos conselhos das entidades ligadas à indústria.

Ao longo do ano, a Fiesp veiculou peças publicitárias em apoio à MP dos Portos e na campanha Energia a Preço Justo. Além destas, Skaf apareceu como porta-voz dos filmes institucionais do Sesi e do Senai de São Paulo - no ar até o início do próximo ano, ainda sem número previsto de inserções.

Pela legislação, a propaganda eleitoral propriamente dita, destinada às candidaturas e não aos partidos, só pode ter início depois de protocolados os registros de candidatura - que acontecem no dia 5 de julho. O advogado e professor de direito eleitoral na PUC-SP, Carlos Gonçalves Jr., ressalta que o uso de propaganda irregular antecipada costuma ser "muito sutil", já que os partidos têm direito a tempo de TV para propaganda política - que não é ainda propaganda eleitoral. "Neste momento, pode aparecer a figura, mas não na qualidade de candidato, não pode haver promoção pessoal, e a Justiça Eleitoral tem coibido esse tipo de conduta", disse.

Gonçalves aponta que as multas variam caso a caso e são fixadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mas alguns partidos avaliam que o "custo-benefício da aparição em comparação com a multa vale a pena". Desde que os prováveis candidatos não façam promessas nem peçam votos ao público, portanto, suas condutas em visitas e agendas públicas não podem ser questionadas legalmente, diz o advogado.

Skaf afirmou agir dentro da lei. "Seria absurdo se eu perdesse o direito de ser porta-voz das entidades só porque tenho a intenção de estar em uma disputa eleitoral daqui a ano", disse o peemedebista. "Ninguém tem o direito de me imobilizar ou insinuar que estou usando as entidades que eu comando para me favorecer. Aqui as coisas são corretas e honestas." Apesar de afirmar que não usa a Fiesp para ampliar sua exposição, Skaf citou as ações dos possíveis adversários. "Um é ministro e está todos os dias na imprensa falando de um programa. O outro é governador e também aparece na mídia todo o dia", comentou, em referência a Padilha e o programa Mais Médicos e ao governador tucano.

No último fim de semana, a agenda de Padilha foi intensa no Estado - misturando eventos políticos e governamentais. Nos eventos do PT, os palcos onde subia se transformavam em palanques. Na sexta-feira, 06, na capital, fez participação rápida em cerimônia com executivos do setor da saúde de manhã e seguiu para ato contra violência com as mulheres na prefeitura. No segundo evento, com participação da população da cidade e organizado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, Padilha ficou mais de duas horas. À tarde, esteve ao lado de Lula em Itupeva, interior do Estado, em encontro de vereadores do PT. Na ocasião, Lula recomendou a Padilha que estudasse "cada região" do Estado, já que os adversários conhecem o nome de "cada rua". O ministro não esperou para começar o trabalho. No sábado, foi a Rio Claro, cidade a quase 200 km da capital. De lá, seguiu para Indaiatuba e voltou para a capital paulista no final do dia. No domingo, foi para evento em Mauá, na região do grande ABC.

Na segunda-feira (9), a agenda começou com a inauguração de um centro de oncologia no Hospital Albert Einstein, na capital, teve ainda encontro de dirigentes de santas casas e hospitais filantrópicos e terminou oficialmente com uma reunião com a diretoria do sindicato da indústria de produtos farmacêuticos. À noite, foi ao bairro da Liberdade. Com as mangas da camisa dobradas, foi a estrela principal de evento de posse do diretório estadual do PT. Quando todas as outras autoridades já haviam ido embora, permaneceu, tirando fotos e abraçando a plateia. A agenda de dezembro do ministro incluiu ainda visitas a Sorocaba, Embu das Artes e São Bernardo do Campo. Em seu discurso durante a posse do diretório do PT-SP, no dia 9, Padilha avisou: "não é hora de descansar."

O especialista em direito eleitoral Carlos Gonçalves Jr explica que ninguém está impedido em exercer o convencimento em favor de sua candidatura dentro da instituição partidária a qual pertence. "O que não pode é fazer uma apresentação ao público em geral", disse.

Skaf garantiu que, quando sua candidatura for oficializada, não aparecerá mais nas campanhas da Fiesp. "A lei me determina me licenciar quatro meses antes da eleição. Muita coisa ainda pode acontecer, pois o futuro a Deus pertence, mas no momento em que me licenciar eu viro um candidato. Até lá não sou candidato a nada", reforçou. Ele lembra que em 2010, quando concorreu ao cargo de governador de São Paulo pelo PSB, cumpriu o prazo legal e "sumiu durante quatro meses" da Fiesp e só retornou após a conclusão das eleições. "Quando for dia 1º de junho, se eu virar candidato, farei a mesma coisa. Mas aí não sei se vou voltar", afirmou o peemedebista, otimista com a possibilidade de êxito nas eleições.

O Ministério da Saúde informou que a agenda de trabalho do ministro "não é pautada por diretrizes político-partidárias nem eleitorais". Segundo a pasta, Padilha cumpre extensa agenda de trabalho, composta de compromissos e atividades para o acompanhamento e monitoramento dos programas e ações desenvolvidos pelo Ministério da Saúde, em parceira com as secretarias estaduais e municipais de saúde. "Além disso, o ministro vistoria o andamento de obras e acompanha a execução dos programas federais para a saúde em unidades de saúde em todos os Estados brasileiros."

Com relação ao reforço da agenda de Padilha em São Paulo, o ministério disse que "é importante frisar que o Estado, que concentra 18% dos leitos hospitalares, 27% dos atendimentos ambulatoriais da rede pública, é sede de grande parte das sociedades de medicina, universidades e instituições de atuação no setor saúde, bem como de cinco dos seis hospitais de excelência (Albert Einstein, Alemão Oswaldo Cruz, HCor, Samaritano e Sírio-Libanês), que são parceiras do Ministério da Saúde por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS)".

A assessoria do governador Geraldo Alckmin afirmou que ele "cumpre seu papel de governar para todo o Estado que o elegeu, sem se limitar a ficar no gabinete na capital, distante da população". Disse ainda que ele não é candidato e que, desde o início do governo, tem a preocupação de viajar ao interior com frequência "para conhecer os problemas e levar à população informações sobre obras e serviços públicos".

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