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02 de Janeiro de 2014 - 10:49

Por Gonçalo Júnior - Agencia Estado

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Quando Paulo André pegou o microfone para falar sobre o Bom Senso FC em um evento do Sindicato dos Atletas, uma voz soou forte no auditório, sem pedir licença. "O que vocês vão fazer pelo Nordeste?", perguntou o representante baiano. Calmo, o zagueiro do Corinthians e um dos líderes do movimento dos jogadores respondeu: "A CBF nunca fez nada nos últimos 20 anos pelo Nordeste e você não reclamou. Nós temos poucos meses e você já está reclamando?"

O diálogo curto, num debate recente em São Paulo sobre melhorias no futebol brasileiro, sintetiza o presente, o passado e o futuro do Bom Senso, raro movimento de atletas e estudiosos que propõe melhorias e, por isso, fez mundo da bola trepidar em 2013.

Primeiro, o presente. Paulo André reconhece que o sindicalista tem razão e disse, em entrevista exclusiva, que a principal missão do Bom Senso é expandir as fronteiras para o interior do País, mobilizando os atletas das séries C e D do Campeonato Brasileiro.

Atualmente, o Bom Senso conta com cerca de mil assinaturas de atletas das séries A e B do Campeonato Brasileiro. A ideia é se aproximar dos mais de 15 mil jogadores profissionais no País. Esse é o foco do grupo, que não tirou férias para tentar crescer.

A primeira medida é a criação de um portal na internet, que deve ser lançado em janeiro, para facilitar a adesão dos jogadores de outros Estados e disseminar os ideais do movimento. Também estão previstas ações nas redes sociais com objetivos semelhantes. Paralelamente, o Bom Senso vai continuar usando as novas tecnologias, como aplicativos de mensagens via celular (WhatsApp) ou videoconferências via internet (Skype) para atrair seguidores.

A tecnologia não vai substituir "o olho no olho". Nos primeiros meses de 2014, líderes do grupo pretendem colocar o pé na estrada e percorrer o interior do Brasil em busca de apoio. Cada região também terá um representante para facilitar os contatos pessoais, importante na visão dos atletas.

O principal argumento das conversas é o planejamento de um calendário para todos, inclusive os clubes "nanicos" do futebol brasileiro. Os líderes do Bom Senso querem mostrar que a discussão vai além dos 30 dias de férias, de um período adequado de pré-temporada e, somando tudo isso, da melhoria dos jogos. Vão dizer que o movimento está preocupado com os clubes que não têm competições o ano todo e, por isso, tornam-se deficitários.

Dos 641 clubes das quatro divisões nacionais, só 15,8% desfrutam de um calendário de atividades para o ano inteiro. Com isso, milhares de jogadores trabalham apenas três meses por temporada. "Os problemas do futebol brasileiro não serão resolvidos apenas com as mudanças de calendário, mas é o ponto de partida para reflexões e melhorias essenciais", diz Eduardo Tega, diretor da Universidade do Futebol, principal parceira técnica e acadêmica do Bom Senso.

O futuro do Bom Senso, não daqui a dois anos, mas na primeira esquina de janeiro, é se transformar em uma associação. Na prática, terá uma sede em São Paulo, telefone, funcionários, presidente e assim por diante. O nome não vai mudar. "Hoje o Bom Senso existe de fato, mas não de direito. Como uma associação, vai ganhar reconhecimento", explica Chiminazzo.

O barulho chegou aos salões da CBF que adiou o início da temporada 2014 em uma semana. Isso é pouco, na opinião do movimento dos jogadores. O impacto das ações, no entanto, aumentou a expectativa sobre quais serão os próximos passos do Bom Senso.

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