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10 de Março de 2014 - 21:33

Por Murilo Roncolato - Agencia Estado

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Após ter assistido uma sobrinha sofrer um AVC, Alessandro Faria, de 41 anos, começou a se interessar pela área de neurologia. Sem formação acadêmica, ele fez todas suas pesquisas pela internet e acabou se tornando um especialista na relação entre homem, cérebro e máquinas.

Na Campus Party, Faria fez sua palestra ensinando os programadores de plantão a desenvolver pontes que permitam que dispositivos que captam atividades cerebrais - como o que ele veio mostrar, chamado Emotiv - conversem com aparelhos diversos, como carro, TV ou computadores e os controlem. Em outras palavras, Alessandro veio ensinar os campuseiros a controlar eletrônicos com a mente.

Desde 1986, o técnico atua como consultor na área de biometria e reconhecimento facial, com sua empresa em Bebedouros, interior de São Paulo. Admite que nenhuma delas pode ser chamada de "nova", mas o "poder computacional" dos tempos atuais ajuda a acelerar as inovações na área. Lidando apenas com soluções abertas e conhecido defensor do uso de Linux, Faria apresentou o Emotiv EPOC, um headset com 14 eletrodos, criado em 2003 pela australiana Emotiv Systems, que analisa e transmite sinais neurais captados através de um processo chamado eletroencefalografia (EEG). O nome vem do fato de o dispositivo investigar principalmente sinais expressivos e emocionais.

Dispositivo semelhante vai na mão, captando todo sinal elétrico emitido pelos nervos. Com um kit de desenvolvimento (SDK), pode criar todo tipo de aplicação para o equipamento. Alessandro, por exemplo, exibe um vídeo que mostra como "treinou" um software para entender que quando ele pensa em algo ("pode ser qualquer coisa, uma cerveja gelada, por exemplo, serve"), o programa entende o pensamento e aciona a televisão, que avança um canal. O mesmo poderia ser feito para fazer uma cadeira de rodas avançar, parar, girar ou retroceder.

Apesar de estar na Campus para incentivar o uso do Emotiv, Alessandro sabe que o visual - assim como o Google Glass, diriam alguns - é um tanto agressivo, o que pode inibir seu uso. Mas o especialista se mostra confiante. "Isso está evoluindo. Podemos chegar a um ponto que uma tiara ou algo ainda menor possa captar essas atividades cerebrais. Espero que um dia consigamos fazer ainda mais coisas voltadas para a saúde, como por exemplo, permitindo que um médico identifique qual paciente, onde e quando está sofrendo uma convulsão ou qualquer outro acidente."

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