Publicidade

18 de Dezembro de 2013 - 13:19

Por Demétrio Vecchioli - Agencia Estado

Compartilhar
 

A Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe) esconde, desde setembro, que a campeã mundial Roseli Feitosa está suspensa por doping. Não só ela, mas também Rosilaine Volante, campeã brasileira, e Sara Andrade, atleta da categoria até 64kg. Nem o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) nem o Ministério do Esporte têm conhecimento dos casos, que já foram julgados.

As três foram flagradas em exame antidoping realizado durante o Campeonato Brasileiro Feminino de Boxe, em julho, em Campo Grande (MS), onde competiram defendendo Santa Catarina. Roseli Feitosa, campeã mundial na categoria até 81kg em 2010, teve detectado o uso de diurético e de anfetamina, sendo suspensa por um ano. De acordo com o médico Bernardino Santi, responsável pelo controle de doping da CBBoxe, o estimulante pode ser consumido fora de período de competições, mas seu uso em competição é proibido.

Roseli Feitosa, que defendeu o Brasil nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012, mas foi barrada da seleção brasileira junto com Adriana Araújo e Erica Mattos, ainda no início deste ano, perdeu o título brasileiro em Campo Grande. Ali, acabou derrotada na final da categoria até 75kg para Daniele Bastieri, numa luta impressionante, muito agressiva.

Mesmo assim, ela foi uma das 11 atletas escolhidas para serem testadas no Campeonato Brasileiro. Rosilaine Valente, campeã na categoria até 60kg, testou positivo para um diurético proibido e também pegou um ano de suspensão. Já Sara Andrade foi pega pelo uso de estanozolol, a mesma substância usada pelo ex-velocista canadense Ben Johnson na Olimpíada de Seul em 1988. Está suspensa por dois anos.

Os painéis que julgaram as três pugilistas, realizados em sigilo em setembro, foram comandados pelo advogado Cristiano Caús. Mas as condenações não foram comunicados ao Ministério do Esporte, que é quem paga o Bolsa Atleta. Roseli Feitosa recebe o teto da bolsa (R$ 3.100,00), por ser atleta olímpica. As outras duas ganham o valor relacionado à premiação nacional (R$ 925,00 para cada).

A CBBoxe alega que não comunicou ninguém sobre o doping das três porque "não quer agredir a imagem das atletas". Preferia aguardar o julgamento do recurso das pugilistas, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da CBBoxe, cujo resultado ainda não foi encaminhado à Confederação.

De acordo com Bernardino Santi, nenhuma das três atletas pediu contraprova dos exames - a reportagem procurou Roseli Feitosa, mas ela não quis falar sobre o caso. Já a CBBoxe informou que elas apenas pediram reconsideração da pena. Outros oito exames foram realizados no Brasileiro Juvenil e mais 15 no Brasileiro Masculino e, ainda segundo o médico, todos deram negativo.

O próximo Mundial Feminino de Boxe está marcado para acontecer entre setembro e outubro, no Canadá. Roseli e Rosilaine, assim, já estariam aptas a competir, uma vez que punição, pelo menos inicial, foi de um ano. A CBBoxe não vê problemas em escalá-las.

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você concorda com o TJ, que definiu que táxi não pode ser repassado como herança?