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28 de Dezembro de 2013 - 16:31

Por Flavio Leonel - Agencia Estado

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Enquanto o Banco Central (BC) e o governo tiveram dificuldades em 2013 para aproximar a taxa média nacional do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do centro da meta, de 4,5%, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) vem promovendo seguidas reduções nas expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) deste ano na capital paulista.

Atualmente, enquanto a pesquisa Focus do BC continua trazendo a mediana das estimativas acima da marca de 5,5% para o indicador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a previsão oficial mais recente da Fipe é de que o IPC mostre uma taxa de 3,92% em 2013, o que representaria a menor inflação da cidade mais populosa do País desde 2009, quando a taxa foi de 3,65%.

Entre os especialistas ouvidos pelo

Entre os maiores exemplos citados, porém, o que virou quase um consenso foi a inflação bem mais amena do grupo Habitação na capital paulista, especialmente em função de um reajuste no ano bem menor da tarifa de energia elétrica. Para efeito de comparação, enquanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou para os consumidores residenciais da Eletropaulo, que é a empresa concessionária da capital paulista, um reajuste de 0,43% em julho; para os consumidores da Light, no Rio de Janeiro, o aumento definido foi de 4,68% em novembro.

Vale lembrar que estes ajustes, anuais e dentro do que está previsto nos contratos, foram feitos num 2013 no qual o governo federal determinou reduções no nível de 18% para a energia elétrica para a população brasileira, dentro das inúmeras desonerações adotadas para incentivar a atividade econômica do País no período.

Conforme estudo da Fipe obtido em primeira mão pelo

Pelos cálculos do instituto, enquanto o item apresentou queda acumulada de 17,37% e gerou um alívio de 0,72 ponto porcentual no seu indicador ao consumidor, no IPCA, a baixa foi de 15,92% e gerou uma contribuição negativa de 0,42 ponto porcentual para o resultado geral.

"Só isso representa uma diferença de 0,30 ponto porcentual entre os dois índices", destacou o coordenador do IPC-Fipe, Rafael Costa Lima. Na Fundação Getulio Vargas (FGV), que usa metodologia semelhante à do IBGE para o cálculo da inflação ao consumidor, o economista André Braz comparou a variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) nacional em 12 meses até novembro com a do IPC-S de São Paulo e também notou diferenças nada desprezíveis.

Segundo ele, chamaram a atenção os comportamentos do grupo Habitação e a tarifa de energia elétrica. No caso do conjunto de preços, a variação positiva acumulada até novembro no IPC-S nacional foi de 3,81% e, em São Paulo, de 3,15%. Quanto à tarifa de energia elétrica, o item mostrou queda em 12 meses de 14,8% no âmbito nacional e recuo de 16,74% na capital paulista.

"Isso ajuda a explicar um pouco as diferenças que vão se construindo entre as medições", comentou Braz, lembrando que o IPC-S nacional variou 5,59% no acumulado de 12 meses até novembro e que o IPC-S paulistano da FGV mostrou alta de 5,01%. "Há, portanto, alguns efeitos que São Paulo não captou dentro do grupo Habitação", avaliou, citando também como exemplos de variações mais favoráveis à cidade os itens ligados ao serviço doméstico (empregada) e aluguel.

No estudo da Fipe que comparou o IPCA e o IPC, justamente estes dois itens também estão entre os quatro primeiros que geraram a maior diferença de impacto entre os dois indicadores no acumulado de 2013. O de serviço doméstico só perdeu para a energia elétrica.

Subiu 10,74% no IPC-Fipe e respondeu por 0,11 ponto porcentual da inflação paulistana no período. No IPCA, esse item subiu 10,31% e representou 0,40 ponto porcentual do resultado geral, em virtude do peso maior. No caso do aluguel, que é o quarto item com maior diferença no estudo da Fipe, houve elevação acumulada de 7,33% que gerou impacto de 0,33 ponto porcentual para o IPC-Fipe, cuja taxa total foi de 3,21% de janeiro a novembro.

No IPCA, avançou ainda mais, 11,17%, e representou nada menos que 0,45 ponto porcentual da inflação geral, de 4,95%, até o penúltimo mês do ano. Fora da Habitação, o item Refeição, pertencente ao grupo Alimentação, é o terceiro com diferença mais importante no estudo da Fipe.

Subiu 9,99% e respondeu por 0,17 ponto porcentual do resultado do indicador paulistano. No IPCA, teve elevação de 8,23%, mas representou 0,42 ponto porcentual de toda a inflação, já que também tem um peso muito maior na composição. "Somados, esses quatro itens (energia elétrica, serviço doméstico, refeição e aluguel) geraram uma diferença de 0,96 ponto porcentual entre os dois índices", afirmou Costa Lima.

No mercado financeiro, o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, chamou a atenção para as diretrizes e formações de cada indicador de inflação. "As diferenças metodológicas devem explicar o porquê de algumas pressões pesarem mais em um índice do que em outro", opinou.

André Braz, da FGV, lembrou que, enquanto a Fipe trabalha com um modelo de ponderação fixo, que não costuma mudar o peso dos itens a cada divulgação, o IBGE e a própria FGV, usam o sistema de Laspeyres, que dá pesos maiores mensalmente aos itens que subiram mais no índice anterior.

"Essa diferença metodológica explica um pouco, sobretudo quando alguns alimentos sobem quase o dobro da inflação", disse. O economista acrescentou que os índices com as mudanças de ponderação tendem até a superestimar um pouco a inflação quando há alguma distorção maior nos preços de determinados itens, ao passo que, a falta de um mecanismo de atualização imediata dos pesos também pode ter um efeito contrário.

"A moral da história é que não existe um índice que seja o melhor. Todos têm suas qualidades e dificuldades", analisou. Para Costa Lima, que concorda que não existe um índice perfeito, as diferenças entre os indicadores geralmente é mais perceptível quando as variações de preços são mais intensas, para cima ou para baixo, num determinado período.

"Se tivéssemos a maioria dos preços variando entre zero e 10%, os índices não seriam tão diferentes. O problema é que temos itens importantes, como energia elétrica, em queda e também temos itens importantes com alta forte", comentou. "Essa inflação muito assimétrica é que abre margem para isso. Faz com que essa diferença de metodologia e de peso se revelem de maneira mais forte nos indicadores", salientou.

Em relação a 2014, Costa Lima não trabalha com a repetição de um cenário tão brando para o IPC-Fipe ante o IPCA justamente porque não espera distorções como as observadas em 2013. "Se imaginarmos que não teremos um samba do crioulo doido para a Alimentação e que o governo federal não vai operar tanto com medidas de desoneração... Se o ano for mais normal, acredito que os índices vão convergir para um valor mais próximo", afirmou. Segundo o coordenador do IPC, 2013 pode ter sido um "ponto fora da curva" para o indicador da Fipe e, em 2014, dificilmente, o resultado ficará novamente abaixo da marca projetada de 4,00%. "Já deveremos ter uma inflação acima de 5,00% de novo", disse.

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