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18 de Dezembro de 2013 - 09:43

Por - Agencia Estado

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Mais de 400 pessoas morreram por causa da crescente violência étnica e política no Sudão do Sul, informaram autoridades nesta quarta-feira, enquanto novos confrontos tinham início nas proximidades da capital, Juba.

O coronel Phillip Arguer, porta-voz do Exército sul-sudanês, estima que 450 pessoas foram mortas até agora em confrontos na capital do Sudão do Sul. Cerca de 100 dessas vítimas eram soldados e os demais, civis, afirmou ele.

O crescente número de mortes parece indicar um agravamento da situação em relação a segunda-feira, quando o coronel Arguer e outras fontes haviam dito que a violência havia sido contida.

Em discurso transmitido em rede nacional de televisão, o presidente Salva Kiir chamou os confrontos de "uma tentativa de golpe", embora aparentemente os combates sejam resultado das tensões entre os maiores grupos étnicos do país, os Dinka e os Nuer.

Moradores dizem que soldados em postos de verificação separam pessoas de grupos étnicos rivais aos seus e as executa. "Eles falam com você no dialeto Nuer e, se você não responde, eles atiram", disse Muhammad Majek, morador de Juba, acrescentando que tropas do grupo Dinka fazem a mesma coisa.

Mas na cidade de Bor, cerca de 190 quilômetros ao norte de Juba, novos confrontos tiveram início. Segundo o porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU), Joseph Contreras, há relatos de fortes combates na área ao redor de Bor desde as 3h. Centenas de civis fugiram para um complexo da ONU que fica nas proximidades.

A violência provoca incertezas a respeito do futuro do país, que é uma das mais jovens repúblicas do mundo e um do principais produtores de petróleo da África.

No centro do problema está uma violenta divisão no topo da liderança sul-sudanesa. O ex-vice-presidente do país, Riek Machar, que segundo o presidente está tentando um golpe, fugiu com 700 soldados para o sul do país, perto da fronteira com Uganda, disse o coronel Arguer.

"O Exército está em busca das forças lideradas por Machar", afirmou o coronel Arguer. "Eles devem responder por seus crimes."

Machar, que está inacessível desde o início dos confrontos, na noite de domingo, negou ao Sudan Tribune desta quarta-feira que tenha tentado derrubar o governo. Ele disse que a violência é resultado de uma disputa no interior das Forças Armadas e acusou o presidente de usar os confrontos entre soldados como desculpa para expurgar seus aliados do governo.

"Não há golpe. O que aconteceu em Juba foi um mal-entendido entre guardas presidenciais dentro da divisão", afirmou Machar ao jornal. As tentativas do Wall Street Journal de entrar em contato com ele não deram resultado.

Machar foi vice de Kiir até julho, quando o presidente o demitiu num ato que, segundo algumas fontes, teve como objetivo consolidar seu poder, antes das eleições de 2015. Machar havia anunciado anteriormente que iria concorrer contra Kiir no pleito. Os dois foram aliados na longa luta pela independência do país, mas suas discussões parecem ter ampliado as divisões étnicas e ajudaram a disseminar a violência. Kiir é Dinka e Machar faz parte da etnia Nuer. Fonte: Dow Jones Newswires.

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