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14 de Janeiro de 2014 - 18:27

Por Sabrina Valle - Agencia Estado

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A nota enviada nesta segunda-feira, 12, contém uma imprecisão no título. Não houve alteração no texto. Segue o texto:

O último reajuste da gasolina nas refinarias da Petrobras chegou ao consumidor em dezembro (4,04%) com quase o dobro do impacto esperado, reduzindo espaço para a companhia pleitear novos reajustes em 2014. Representantes de distribuidoras e revendedores (postos de combustíveis) disseram que, devido a margens de lucro apertadas, possíveis novas altas de preço de combustíveis em 2014 tendem a ser repassadas ao consumidor.

Internamente, na direção da Petrobras, há um convicção de que não é possível passar 2014 sem reajustes, mesmo sendo ano eleitoral. A discussão sobre a defasagem de preços de combustíveis em relação ao mercado internacional e a nova metodologia de preços deve voltar a fazer parte da pauta da reunião de Conselho de Administração, no próximo dia 31.

O último reajuste de 4% para a gasolina nas refinarias da Petrobras, anunciado no fim de novembro, chegou ao consumidor em dezembro (4,04%) acima do impacto esperado por analistas (2% a 2,6%) no índice de referência IPCA. Segundo o IBGE, o vilão em dezembro foi o etanol anidro - misturado à gasolina na proporção de 25% - devido à entressafra da cana-de-açúcar.

"Depende do momento do (possível) aumento, pode haver eventualmente guerra de preços. Mas não há gordura para ser queimada, tanto na margem de lucro das distribuidoras quanto da revenda (postos)", disse o diretor de mercado do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Cesar Guimarães.

Dados da ANP mostram que os preços de revenda subiram R$ 0,03 em dezembro contra novembro, enquanto a distribuição aumentou os seus em aproximadamente R$ 0,07, o equivalente a 3%. O etanol subiu 7,2% no mês passado na comparação com novembro, de acordo com dados da ANP. Sem esse impacto, disse Guimarães, a variação na distribuição teria sido menor do que 2%, contra os 3% registrados.

Paulo Miranda Soares, presidente da Fecombustíveis, federação que representa os postos, diz que além do etanol anidro também houve alta do ICMS cobrado pelos estados. "As margens são muito comprimidas e não temos mais espaço para absorver aumentos", diz.

O IPCA de 2013 ficou em 5,91%, frustrando a promessa do governo de que a inflação ficaria abaixo da registrada em 2012 (5,84%). Parte significativa (0,15 ponto) da alta inesperada de 0,92% registrada pelo índice em dezembro veio da gasolina.

Geralmente o repasse ao consumidor costuma ser menor do que os reajustes feitos pela Petrobras nas refinarias, pois há outros itens, como impostos, embutidos na composição de preço e que não variam. PIS/Pasep, Cofins e ICMS respondem por 33% do preço total nas bombas, segundo dados da Petrobrás.

Entre janeiro de 2013 e o último dia 4 deste mês, o etanol anidro aumentou sua participação no preço por litro: passou de 10% do total há um ano, contra 13% agora. A alta foi absorvida pela Petrobras, que reduziu sua participação a 35%. Ou seja, a empresa fica com pouco mais de um terço do preço total pago por motoristas na bomba. Distribuidores e revendedores mantiveram participação de 18% no período.

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