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05 de Dezembro de 2013 - 18:46

Por Ricardo Brito - Agencia Estado

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A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, de determinar à Polícia Federal a prisão do deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP) levou, nesta quinta-feira, o cacique do Partido da República a renunciar pela segunda vez ao mandato parlamentar, repetindo o script que seguiu na época do escândalo do mensalão. Ao contrário de agosto 2005, quando deixou a Câmara dos Deputados, preservou os direitos políticos e se reelegeu duas vezes, Valdemar - agora enquadrado na Lei da Ficha Limpa - ficará inelegível até 2029. Dificilmente voltará a vida pública, pois só será reabilitado politicamente aos 80 anos.

Oito anos atrás, o então presidente do extinto Partido Liberal renunciou à Câmara ao admitir que havia recebido dinheiro irregular do Partido dos Trabalhadores com a justificativa de cobrir despesas de campanha. O PL firmou com o PT a chapa presidencial vencedora de Lula com José Alencar. "Fui induzido ao erro quando aceitei receber recursos destinados à campanha sem a devida documentação que oficializasse a doação", discursou Valdemar na época.

Na segunda despedida da Câmara, após uma reeleição que contou com o voto "puxador" do palhaço Tiririca e um mandato voltado para atuação nos bastidores, Valdemar não subiu à tribuna. Mas se valeu do colega de partido Luciano Castro (RR) para dizer, em carta, que iria pagar por "faltas" que reconheceu. Mas afirmou ter sido condenado por crimes que não cometeu - punições por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e ainda pagar multa de R$ 1 milhão. "Serenamente passo a cumprir uma sentença de culpa, flagrantemente destituída do sagrado direito ao duplo grau de jurisdição", leu Castro, diante de um plenário praticamente vazio.

O agora ex-deputado do PR disse que não cogitou "impor ao Parlamento a oportunidade de mais um constrangimento institucional". Seguiu também os passos do ex-presidente do PT José Genoino (SP), que há dois dias renunciou o mandato na Câmara dos Deputados. Ele conclamou o Poder Legislativo a tomar "providências enérgicas" e ter "coragem para enfrentar os déspotas" - numa crítica indireta ao Supremo.

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