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10 de Março de 2014 - 21:35

Por Daniel Trielli, Fabio Leite e Luciano Bottini Filho - Agencia Estado

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O avanço dos crimes contra o patrimônio na cidade de São Paulo não respeita limites geográficos. Dos 93 distritos policiais da capital paulista, 68 tiveram aumento no número de roubos, problema que afetou todas as regiões do município. DPs em bairros centrais como Consolação e Avenida Paulista (com 36,3% e 35,8%, respectivamente) estão entre os dez com maior aumento nesse tipo de crime.

Mas a maior alta foi no DP do Jardim Arpoador, que cobre a maior parte da área de Raposo Tavares, na zona oeste. O número de roubos em geral subiu 54,4%. O local também teve o maior aumento em furtos e roubos de veículos: 65,7%. O procurador de Justiça Marco Vinício Petrelluzzi, que foi secretário de Segurança Pública de 1999 a 2002, afirma que historicamente a periferia sempre foi mais relevante nos crimes contra a vida, como o homicídio. Já a região central sempre foi a área onde se concentrou o maior número de roubos e furtos.

"Algo está acontecendo (com o aumento dos crimes contra o patrimônio na periferia), e o policiamento tem de ser orientado. Isso não é só uma questão geográfica. Algum evento, como a abertura de uma faculdade ou estacionamento, pode elevar os índices nesses locais", explica o procurador.

O ex-secretário considera que ainda não é possível avaliar se houve uma omissão do Estado nessas regiões, mas reconhece que "há, sem dúvida, um problema de crimes contra o patrimônio". "O mais grave disso tudo é o latrocínio, que é o retrato mais perigoso desse crescimento", diz Petrelluzzi.

Para a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o aumento dos crimes contra o patrimônio se explica, em parte, pelo aumento no número de bens circulando pelo Estado. Contra a estatística de roubos e furtos de veículos, a assessoria de imprensa da pasta divulgou dados sobre a frota de veículos no Estado, que passou de cerca 23,3 milhões de unidades para 25,6 milhões de 2012 para 2013.

Segundo a SSP, levando em conta o total de automóveis em circulação em São Paulo, a taxa de furtos e roubos por 100 mil veículos tem se mantido estável e fechou o ano passado em 836 ocorrências. "Em número absolutos, sem dúvida nenhuma, roubo e furto de veículos estão crescendo, mas em números relativos, se nós compararmos com as taxas de 100 mil veículos, nós estamos tendo queda nos indicadores", diz o secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira. "Se relativizarmos com o tamanho da nossa frota nós não estamos tendo crescimento", ressalta.

Na contramão da estatística estadual, 28 distritos registraram aumento no número de homicídios. Entre eles estão Ibirapuera (de 4 para 10) e Morumbi (6 para 12), ambos na zona sul. O maior aumento nos homicídios, no entanto, foi no Jardim Míriam (de 20 para 34), na zona sul. Mas o Parque Santo Antônio, também na zona sul, continua como o bairro mais violento (54), mesmo com a queda de 14 assassinatos em relação a 2012.

Desses 2 distritos, 22 também registraram alta de roubos. Segundo o ex-secretário Marco Vinício Petrelluzzi, crimes como homicídio, roubo de carros e latrocínio estão imunes à "cifra negra", quando uma ocorrência é subnotificada, pois são registrados até por seguradoras. As informações são do jornal

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