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07 de Dezembro de 2013 - 00:38

Por Ricardo Chapola, Fausto Macedo e Fernando Gallo - Agencia Estado

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O e-mail em posse da Polícia Federal, que mostra que Jorge Fagali Neto, apontado como lobista da multinacional francesa Alstom e intermediador de propinas, fez sugestões, no fim de 2006, sobre como o governo estadual deveria agir no setor metroferroviário, foi um "alerta" dado a um amigo, informou o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), a quem a mensagem foi direcionada.

"Eu sou amigo dele desde jovem. Desde quando ele era presidente da associação dos moradores da cidade universitária", disse o senador tucano, referindo-se aos seus tempos de estudante da Universidade de São Paulo (USP). "Fagali estava fazendo um alerta, ele estava acompanhando as propostas do Serra na campanha".

Em setembro de 2006, quando o e-mail foi enviado, Aloysio era coordenador da campanha de José Serra ao governo do Estado. Segundo o senador, Fagali previa que as propostas de Serra não cabiam no orçamento e que, por isso, teria avisado. "O orçamento não seria compatível às propostas. A gente não tinha recurso para isso. E ele sugeria que Serra fosse ao Banco Mundial. O Serra não foi. Ele estava em plena campanha naquela altura, a um mês da eleição."

Aloysio afirmou ainda trocar e-mails com o consultor pelo seu conhecimento em financiamentos externos. "Fagali tinha uma grande expertise em financiamentos externos, trabalhou com isso desde o tempo da Eletrobrás. Sempre trabalhou com isso", disse o parlamentar.

O advogado de Jorge Fagali, Belisário dos Santos Júnior, afirmou que a ex-funcionária do consultor Edna Flores, responsável por fornecer os e-mails à PF, acessou a correspondência ilegalmente. Ela foi secretária pessoal de Fagali entre 2006 e 2009 e prestou depoimento aos federais no dia 9 de outubro passado. Disse ainda que ela pediu cerca de R$ 500 mil para não revelar informações para a imprensa e a autoridades.

Edna também relatou ao delegado a relação de Fagali com os irmãos Arthur e Sérgio Teixeira, também consultores apontados como intermediadores de propinas do cartel de trens. Sérgio já morreu e Arthur está indiciado sob suspeita de atuar ilegalmente para as multinacionais do setor metroferroviário.

Sobre a relação do consultor com Aloysio, Belisário afirmou não saber se são próximos. "Mas ser amigo deste ou daquele não quer dizer nada, não é nenhum crime".

Segundo Belisário, as provas da violação do e-mail de Fagali já foram fornecidas à Justiça do Trabalho no processo trabalhista que Edna moveu contra o lobista, e perdeu. Belisário ainda afirmou que seu cliente não participou de irregularidades envolvendo contratos do setor elétrico da francesa Alstom com o governo do Estado de São Paulo.

Por meio de sua assessoria de imprensa, Serra afirmou que viajou uma única vez ao Japão, na década de 1990, quando era ministro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e que jamais foi ao país asiático com Fagali para tratar de assuntos do Metrô de São Paulo.

Eduardo Carnelós, advogado de Arthur Teixeira, repudiou com veemência a suspeita sobre seu cliente, a quem a promotoria atribui papel semelhante ao de Fagali no esquema do cartel.

Para afastar a tese de que apenas conhecer uma pessoa é motivo de suspeitas, Carnélos afirmou na semana passada que, cerca de dez anos atrás, o hoje ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, à época recém-eleito deputado federal, procurou Teixeira. Houve, segundo o advogado, pelo menos dois encontros do então parlamentar petista com o consultor. Carnelós afirma que Cardozo queria ter informações sobre o setor metroferroviário e sua importância estratégica para o País. Cardozo, a quem estão subordinados a Polícia Federal e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que também investiga o cartel, diz não se lembrar dos encontros. (As informações são do jornal O Estado de S.Paulo)

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