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08 de Janeiro de 2014 - 08:49

Por Bruno Paes Manso e Fabio Leite - Agencia Estado

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No meio do caos vigente no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, presos se reuniram para tentar se legitimar como autoridades para controlar a desordem. Foi quando detentos do Primeiro Comando do Maranhão (PCM) fizeram uma grande rebelião, no dia 8 de novembro de 2010, com 18 mortos - três deles decapitados.

Em janeiro do ano seguinte, a Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Maranhão (OAB-MA) fez uma vistoria em Pedrinhas. Achou o estatuto do grupo com princípios semelhantes aos da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) - "um por todos e todos por um". Ainda informava que a facção havia sido criada em 2003, mas se expandira em janeiro de 2011.

"Foi quando teve início o ciclo de assassinatos que viriam a ocorrer nos anos que se seguiram", diz o advogado Luiz Antonio Pedrosa, da Comissão.

Diferentemente do que ocorreu em São Paulo, onde o PCC se tornou uma força praticamente hegemônica nos presídios, no Maranhão houve o surgimento de uma facção rival, com força parelha ao PCM. O Bonde dos 40 foi criado em seguida para proteger os presos que se sentiam ameaçados.

A rivalidade foi estimulada pelo próprio modelo do sistema penitenciário maranhense. Com 2.196 detentos em oito unidades (4 penitenciárias, uma casa de detenção, um centro de custódia, um centro de triagem e um centro de detenção provisória), o Complexo Penitenciário de Pedrinhas é uma espécie de Complexo do Carandiru Maranhense, concentrando mais da metade dos 4.2 mil presos do Estado. "O atual governo optou por concentrar os presos do sistema na capital", diz o vice-presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Maranhão, Cezar Castro Lopes.

O PCM foi criado por presos do interior justamente para lutar por espaço nas penitenciárias de São Luís. O rival Bonde dos 40 foi formado por detentos da capital e da região metropolitana. A rivalidade provocou o ciclo de mortes e vinganças.

A situação se agravou no ano passado, quando 60 presos foram assassinados no complexo. O ápice da crise ocorreu em outubro na Casa de Detenção. Nos dois primeiros dias do mês, uma rebelião causou a morte de cinco detentos. A resposta veio no dia 9, com a morte de mais 9 pessoas. Os 18 mortos em outubro superaram os 12 assassinatos do ano anterior.

Novas mortes ocorreram em dezembro. Um vídeo divulgado pelo jornal "Folha de S.Paulo", gravado pelos detentos em 17 de dezembro, mostrou três presos decapitados. Não foram as piores ocorrências. Um presidiário morto nessas rebeliões teve o coração retirado e um pé decepado colocado em seu peito. As informações são do jornal

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