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10 de Dezembro de 2013 - 08:31

Por Artur Rodrigues e Diego Zanchetta - Agencia Estado

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O governo de São Paulo e a Prefeitura da capital paulista deverão voltar fazer ação conjunta no centro da cidade relacionada a moradores de rua e também viciados em crack. Os moldes da operação ainda são definidos, mas a ideia é fugir do perfil repressivo da operação na Cracolândia iniciada pela Polícia Militar (PM) em janeiro de 2011.

O prefeito Fernando Haddad (PT) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) se encontraram na tarde desta segunda-feira, 9, para tratar do tema. Haddad levou a Alckmin a ideia de realizar um trabalho mais focado na área da assistência social, sem dispersar a população de rua pela capital. A concentração no centro favoreceria o tratamento. Uma nova reunião deve ser feita nos próximos dias para bater o martelo.

Perguntado sobre o atendimento dado a moradores de rua no Centro de Convivência do Parque Dom Pedro II, onde a reportagem constatou falta de higiene e assistência, o prefeito de São Paulo também disse que levaria a Alckmin o assunto. Haddad afirmou que os funcionários públicos e integrantes da Guarda Civil Metropolitana não se sentem seguros para trabalhar no local.

De acordo com o prefeito, a presença de viciados em droga no local dificulta a ação dos funcionários públicos. "Existe um problema que é a questão do crack, os funcionários públicos estão receosos de frequentar o local porque não se sentem mais seguros", disse. "Os funcionários públicos e a própria guarda não se sentem seguros para fazer o seu trabalho", completou.

Segundo Haddad, o local foi ocupado por moradores de rua que estavam na Praça de Sé. "Inclusive todos os equipamentos que foram instalados lá já sumiram. Os chuveiros sumiram, muita coisa sumiu." A Prefeitura de São Paulo aposta num novo local na zona norte, com 500 vagas, como opção para encaminhamento de moradores de rua. Conforme ele, vários locais da cidade ocupados por essa população foram "retomados". "Se vocês observarem o que aconteceu na cidade do começo do ano para cá, praticamente, todas as praças foram retomadas, Largo São Francisco, Júlio Prestes, Patriarca, Praça Ramos, Praça da Sé, todas essas praças foram retomadas", disse.

Na Câmara Municipal, líderes do Fórum Municipal de Assistência Social (FAS) fizeram nesta segunda-feira uma reunião pela manhã para discutir a crise na área. O órgão e coordenadores de entidades que trabalham em parceria com a Prefeitura da capital paulista prometeram convocar uma paralisação no dia 16 em todos os abrigos municipais. Nesta terça-feira, 10, uma nova audiência marcada pelo FAS na Câmara de São Paulo debaterá o tema.

"Pela primeira vez na cidade, houve uma redução das verbas da assistência social (-14% em 2014, em relação a 2013). Os vazios sociais estão cada vez maiores, as crianças vítimas de violência não têm onde ficar, as mulheres afastadas da convivência familiar, após serem vítimas de violência doméstica, também não encontram assistência alguma do governo. O problema não é só o descaso com moradores de rua", critica o padre Lédio Milanês, coordenador do FAS "Queremos apoio dos vereadores para tentar reverter essa queda de orçamento na segunda votação da peça na Câmara."

O vereador Ricardo Young, líder do PPS, apresentou requerimento para convocar a secretária de Assistência Social, Luciana Temer, a explicar a situação da pasta no Legislativo. "É uma grave questão que merece explicações da secretaria. As imagens da reportagem mostram que a situação era mais grave do que a gente imaginava", criticou Young.

Líder do PSDB, o vereador Floriano Pesaro foi neste domingo, 8, até a tenda do Parque Dom Pedro II. "Nem o segurança da área sabia dizer se alguém cuidava daquele gramado. Foi um ano perdido na Assistência Social de São Paulo. Moradores de rua voltaram a ocupar pontos da região central que já tinham o problema solucionado e estamos vendo as crianças voltarem a fazer malabarismo nos semáforos. Um absurdo", afirmou o tucano.

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